Literatura em Foco – Viver Em Paz Para Morrer Em Paz

Por Alvaro Luiz Matos

16 de julho de 2017

Ei, desculpa invadir aqui pessoal, a coluna não é minha, mas vou tomar um pouco do tempo de vocês para falar de um livro que li recentemente. Na verdade sou um ótimo consumidor de livros relacionados à filosofia, sociologia, espiritismo (que como toda religião traz conceitos filosóficos sobre a vida e a morte), além disso, tenho extensão em ética e ciência política, a primeira funciona em qualquer profissão, a segunda, se colocada no meu currículo, um entrevistador questionaria a valia disso para um Analista de Planejamento de Produção.

Pois bem, e não tem como falar de filosofia no Brasil atual sem citar três grandes expoentes, o primeiro e meu favorito (pretendo voltar para falar dele também) Clóvis de Barros Filho, o segundo tão incrível quanto Leandro Karnal e o terceiro (e provavelmente mais famoso) Mário Sérgio Cortella. Falaremos desse terceiro hoje e sua obra Viver em Paz para Morrer Em Paz. Mas não foi bem o titulo do livro que me fez compra-lo na livraria, foi muito mais o subtítulo: “Se você não existisse, que falta faria?”.

Sou ávido em me perguntar isso, em sentir que preciso fazer a diferença na vida das pessoas, em ser melhor a cada dia e fazer mais pelos meus amigos e familiares. Sou uma pessoa de fácil acesso, tempo curto e grande coração, mas aprendi que um coração grande pode te trazer boas e más notícias, mesmo que um dia tenha ouvido uma frase incrível que me dizia “não deixe de ser bom porque se machucou com o erro dos outros, os erros dos outros são dos outros” e tenha levado isso comigo.

Vale dizer também que fazer a diferença não é ser famoso ou importante, e nem que isso tenha sido tendência durante a história, como foi muito bem lembrado por Mario Sergio Cortella no trecho a seguir:

“O brilho pessoal é uma concepção da modernidade, pois, na Ásia antiga ou mesmo no mundo medieval europeu, o que prevalecia era o culto ao anonimato, ao silêncio e a prática da meditação”.

Mas isso ficou pra trás e hoje fazemos questão de nos apresentar ao mundo, seja postando o que comemos, o que fazemos ou o que pensamos na internet. Aliás, boa parte da filosofia diz que o que venho fazer aqui no site, nada mais é do que querer me apresentar ao mundo, querer fazer a diferença diante dos olhos do público e mesmo que isso não seja condenável, acaba por gerar hora ou outras frustrações que advêm da indiferença das pessoas.

Em outro trecho ele fortalece essa sensação sobre a necessidade do homem moderno de aparecer:

“Ora, silenciar sobre mim é uma forma de me esquecer, o homem moderno quer viver em voz alta”.

E não queremos? Mesmo eu que evito um pouco a utilização das redes sociais me peguei entranhado nela nos últimos tempos, querendo postar cada livro que comprava, cada jantar que comia e cada emoção que sentia. Não é que você deva viver longe da sociedade moderna, mas não adianta taxar seu nível de felicidade na quantidade de amigos que possui no facebook, não é mesmo?

Acho que lancei em vocês a mesma dúvida que me lancei ao comprar o livro, então vou deixar que cada um pense por si só se vale ou não ler o livro, se ele vai ou não te engrandecer, afinal se você tem dúvidas, leia e se não tem dúvidas eu me despeço com mais um trecho do livro:

“Convicção absoluta é loucura plena. Quem não tem dúvida faz sempre do mesmo modo. Quem tem dúvida se renova, se reinventa”.
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