Literatura em Foco: Persépolis

Por Ellen Joyce Delgado

2 de julho de 2017

Aqui encontramos um marco da História apresentado em HQ. Esta é uma autobiografia da iraniana Marjane Satrapi, onde a mesma relata o início da revolução e opressão do seu povo. 

Essa HQ não atinge apenas um público infanto-juvenil. Muito menos uma criação de contextos aleatórios, com risos e pequenos contos limitados. Neste caso, temos toda a descrição precisa de uma rotina diária de um povo que sofreu – e ainda sofre – assédios culturais e limites de expressão. Pessoas que ainda não podiam ser elas mesmas, tudo por conta de regimes anteriormente descobertos e impostos por pessoas que se classificavam no poder de tudo. 

A autora traz o seu desenvolvimento. As páginas literárias trazem sua infância, adolescência e parte de seu ingresso à uma vida já adulta – aproximadamente 20 anos. Os personagens carregam toda sua descrição precisa, o que me levou à um envolvimento completo à cada um deles. 

Temos aqui uma história fixada pela violência. Entrei em contato com a revolução Iraniana e a guerra contra o Iraque – acontecida em 1980. Tive a presença do Ocidente financiando, também, uma luta de povos que não merecia tanta dor e sofrimento. Portei a perda de um elo familiar por conta de seu refúgio à Áustria - com apenas 14 anos. Uma jovem totalmente desconectada em uma cultura que não era mais dela. Com intuito de proteção, a sua família acreditou estar fazendo a coisa certa. Mas, no livro, sofri junto com ela. Aquele não era seu povo, sua língua ou seus entes. A única coisa que ela queria era poder ser ela mesma - em uma terra que antigamente habitava. 
Tive aí a visão de um mundo egoísta e hipócrita. Sua realidade passou a ser mais dificultosa. Ela teve, a partir deste dia, desafios intermináveis. Acompanhei sua rotina, seguida de depressão e tentativas de autodestruição. Depois de um bom tempo, ela decide retornar ao seu povo e iniciar seus estudos no seu país de origem. Seus dias continuaram dificultosos. 

Este livro me trouxe um estudo que pouco conhecia. Temos tantas discussões históricas – desde nosso primeiro ano de ensino – mas, no meu ponto de vista, moderada é a nossa ideia sobre estas pessoas. Aprendi muito com a rotina de Marjane, e pude valorizar sua cultura e sua luta a favor da liberdade. Talvez, o mundo devia voltar-se um pouco mais a esses gritos tão distantes. Esses povos ainda continuam sofrendo, e o que fazemos por isso? 

Este livro merece uma atenção poderosa e sua obra é digna de reconhecimento contínuo.
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