Cinema em Foco: Okja

Por Ellen Joyce Delgado

28 de julho de 2017


Mais um filme recém-lançado na Netflix e presente aqui no nosso site para ser discutido e opinado. Com uma produção sul-coreana, o filme Okja traz uma essência sentimental e provocativa ao mundo. O filme relata o contexto diário da convivência de uma menina – a Mija – e seu bichinho de estimação – no caso, um super porco – que leva consigo o nome principal: Okja. A vida das duas traz o aspecto de nós mesmos com nossos animais de estimação, e todo o amor e carinho que criamos pelos mesmos. 


Assim como nós sempre nos ligamos, as duas sempre estavam alí, uma pela outra. Há um envolvimento entre essa narrativa na primeira parte do filme. 


No decorrer das cenas, o diretor trouxe nas filmagens uma visão mais participativa do próprio animal. Há um elo afetivo nessas partes onde acabamos nos envolvendo mais ainda com aquele contexto. 


A personagem Okja era um resultado de pesquisas efetuadas pela indústria da carne, onde a mesma buscava soluções para o mercado e trazia como resultado um animal “superdesenvolvido”. O mercado buscava crescimento nas produções e facilidade de acesso no mercado. 


O drama constrói uma narrativa instigante, onde traz a exposição dos conflitos sociais e pessoais da pobre Mija e seu longo caminho ao lado de Okja. Essas cenas do filme foram sempre muito inteligentes e traziam aquela marca enquadrada para cada cenário. As músicas tocaram – literalmente – cada parte representada, da forma mais verdadeira. 


Na segunda parte do filme, temos o clímax da filmagem. Não trago aqui uma narração tão bonita – pelo contrário. A “porquinha” é enviada para um concurso nos Estados Unidos e, em seguida, ela é mandada para o abate. 


Fiquei o tempo todo pensando: “Como isso pôde acontecer?”. Mas sejamos sinceros e vamos partir para uma crítica mais pessoal: Isso acontece o tempo todo, e vem de boa parte de nós. O fato é que no enredo do filme acabamos nos envolvendo mais e mais com as personagens, e claro que não me imaginaria fazendo aquilo com a mesma em situação alguma. Mas, de certa forma, fazemos. Esse é o mercado e a cultura da maior parte da população mundial. 


O filme traz um pouco de extremismo em alguns lados. Ele sentimentaliza demais cenas que nem sempre são reais – às vezes. Traz também um grupo ativista dos direitos animais, onde o mesmo errou com algumas ações, como colocar um próprio animal em risco para terem acesso interno ao abatedouro. 


Entre idas e vindas, pontos fortes e fracos, eu finalizo a resenha de hoje aplaudindo essa produção. A construção desse filme baseada em uma crítica social foi diretamente ao ponto: dentro de nós. Vale muito a pena conferir esse enredo e permitir-se sentir. 

Data de lançamento 28 de junho de 2017 na Netflix (1h 58min) 
Direção: Joon-Ho Bong 
Elenco: Seo-Hyun Ahn, Tilda Swinton, Jake Gyllenhaal 
Gêneros Aventura, Ficção científica, Drama 
Nacionalidades Coréia Do Sul, EUA
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