Música em Foco: Not Today

Por Ellen Joyce Delgado

21 de junho de 2017


Sem amor, apenas já teríamos afundado várias vezes. 

Precisamos deixar as coisas de um modo mais fácil. Deve haver algo nesse mundo que descomplique tudo – algo ou alguém. Lá vamos nós, sempre em frente – e enfrente – tentando não parecermos apenas mais um na multidão. Entre idas e vindas, construiremos uma memória daqueles que, em alguns casos, não voltam mais. 

Not Today, Imagine Dragons. Essa foi a escolha do dia. Uma das trilhas sonoras do filme – também livro 💓“Me Before You”. Aquele que, sinceramente, eu mais levei tempo para compreender. 

Nossos enredos diários nem sempre trazem os melhores desfechos. Isso, pelo menos, é a forma como nós interpretamos tudo. Em alguns momentos, as coisas ficam um pouco mais difíceis de serem entendidas e apenas queremos nos libertarmos de tudo – e todos. Construir um novo contexto, elaborar um novo trajeto. Talvez tudo seria mais fácil se tivéssemos o botão “Reiniciar”. Mas, se tudo fosse tão fácil, como estaríamos hoje? 

Talvez, com as coisas sendo sempre tão acessíveis, não descobriríamos o verdadeiro valor da nossa existência. Não teríamos aquela intensidade sentimental fluindo em nosso sangue naqueles momentos em que classificamos “inesquecíveis”. O agora passaria a ser apenas mais um dia

Take my life, set me free again We'll make a memory out of it. - Leve minha vida e me liberte novamente nós construiremos uma memória com isso. 

Construiremos uma memória. Talvez perderemos o controle. Mas não precisa ser tudo sempre tão perfeito. Porque haverá dias em que estaremos apenas caindo – tudo depende do grau e intensidade em que colocamos nossas prioridades. 

Posso ver pessoas se transformarem com simples amores jovens. Posso ver aqueles que abstraem sempre o melhor lado de todas as histórias – nem tudo será  “e viveram felizes para sempre”

Will Traynor mudou a vida de Louisa Clark. Essa foi a importância da passagem dele na vida da personagem. Ele talvez tivesse o lado mais comovente da história, mas era ela quem precisava de um protagonista. Talvez, durante os seis meses, ela trouxe a ele mais cores aos dias, sentidos diários para continuar existindo. Mas foi a vida dela que mudou. Foi ela o sentido central do contexto. 

 “Às vezes, Clark, você é a única coisa que me dá vontade de levantar da cama.” – Will Traynor 

E é assim que podemos absorver as coisas. Em alguns momentos, podemos interpretar as “perdas” dessa forma: aprendizado. Construímos nossa identidade de acordo com aquilo que um dia presenciamos. Sou o que sou graças aos caminhos que um dia elegi. Nada nunca foi tempo perdido.

“Alguns erros… apenas têm consequências maiores que outros. Mas você não precisa deixar que aquela noite seja aquilo que define quem você é. Dizem que só é possível se admirar um jardim depois de certa idade, e acho que existe alguma verdade nisso. Provavelmente tem algo a ver com o grande ciclo da vida. Parece que há algo de miraculoso em ver o inexorável otimismo de um novo broto após a desolação do inverno, uma espécie de alegria na diversidade a cada ano, a forma como a natureza escolhe mostrar diferentes partes do jardim.” – Louisa Clark


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