Música em Foco: Chasing Cars

Por Ellen Joyce Delgado

9 de junho de 2017


Lá estávamos nós, na escuridão mais negra do que qualquer outra noite comum


Começo o dia com mais uma trilha memorosa: Chasing Cars, Snow Patrol. Meramente recordada em uma das cenas mais tristes de Grey's Anatomy: A morte de Derek. E hoje meus sentimentos expressam um pouco desses infortúnios em que vivemos. 

Eu não sei bem o que dizer como me sinto agora. O chão parece não estar mais sob meus pés. O mundo se tornou mais extenso e solitário, ao mesmo tempo. As coisas talvez continuariam sendo muito mais simples sem a sua chegada - e em seguida sua partida. 

E isso é viver em pleno século XXI? A Terra se torna apenas mais uma cápsula flutuante em um universo distante. Os sentimentos humanos passam a ser meros cintilantes em um redemoinho insensível que nos acopla junto ao esquecimento. 

Um dia somos grandes mestres do destino, lutando de forma brava e reverenciosa, estamos sempre no topo do mundo. No dia seguinte, somos pequenos flocos solitários caindo entre os vãos de nossas certezas, pousando em um solo anteriormente inabitável.  A todo tempo o mundo insiste em nos lembrar que todo esse nosso controle é insignificante. 

We'll do it all everything, on our own. We don't need anything, or anyone. - Nós faremos tudo isto sozinhos. Nós não precisamos de nada ou de ninguém. 

Precisamos ser fortes,  todo o tempo. Com tantos contratempos longínquos nos esperando, não vale a pena se edificar em uma única verdade absoluta. A vida é mesmo instável. Seria egoísmo não sermos a mudança que queremos ver em nós mesmo. 

Sair pelos vãos de nossas certezas é se arriscar. Esquecer o mundo é se atrever. Talvez ninguém tenha pensado nisso. 

I don't quite know how to say how I feel. Those three words are said too much. They're not enough. - Eu não sei bem como dizer como me sinto. Aquelas três palavras são ditas demais. Elas não são o suficiente. 

Aquelas três palavras, compostas por um único sentimento. Algo que classificávamos infalível e suficiente, mas passamos a admirar isso de uma forma tão supérflua, por conta do desvio social. As pessoas passaram a se expressar de forma errônea, talvez sendo causada por nossas teorias superficiais. 

Would you lie with me and just forget the world? – Você se deitaria comigo e apenas esqueceria o mundo? 

Quero apenas me libertar deste paradigma social. Quero uma cultura com mais sentimentalismo, autodeterminação e, ao mesmo tempo, me prender em um sorriso perdurável. Pessoas que se amem por aquilo que são, e aceitem-se de uma forma assombrosa. 

Talvez eu esteja vivendo em um conto de fadas, mas eu não sou a única. Cative e deixe-se levar. O amor não é um sentimento de súplica. E, quem sabe, nos infortúnios da vida acabaremos encontrando nosso melhor refúgio.


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