Literatura em Foco: O Sol é Para Todos

Por Ellen Joyce Delgado

4 de junho de 2017

Hoje o nosso livro é mais um clássico essencial para nossa vida. Trago aqui o resumo de O Sol é Para Todos, uma obra da escritora Harper Lee, lançado em 1960.

A história é narrada por Jean Louise - também conhecida como Scout - uma menina de seis anos moradora da pequena Maycomb. Órfã de mãe, tinha consigo a presença do pai Atticus e seu irmão mais velho, Jem. Junto deles, morava também uma governanta, chamada Calpúrnia. Ela era vista como a mulher da casa, pois, com a ausência de Atticus, Calpúrnia tomava frente diante de todas as tarefas e cuidados para com as crianças. Talvez, ela trazia consigo também uma imagem de mãe

Scout é uma personagem com características bem ímpares. Ela era uma garota muito inteligente para a idade dela, e sentia-se sempre perturbada pela opressão da professora pelo simples fato dela saber demais. Ela mantinha resposta para tudo. Trazia um olhar crítico diante dos problemas rotineiros. 

Ela acompanhava bastante seu irmão nas aventuras de crianças, e se envolvia constantemente em grandes problemas. Por trazer esse lado mais independente e questionador, ela era vista como uma menina muito inquieta, sendo comparada aos meninos da região. Isso não a preocupava, mas acabava preocupando seu pai.
Scout adorava a chegada das férias. Em momentos assim, ela saía com o irmão e um amigo de ambos, um garoto chamado Dill, apenas um ano mais velho que ela. Ele era uma criança muito elétrica, e acabava sempre levando Scout e Jem para as missões mais aventureiras. 

Todas as crianças da cidade se questionavam sobre um homem que habitava pelas redondezas. Na verdade, todas já classificavam Arthur Raddley como uma lenda do bairro, pois o mesmo estava recluso em sua casa há anos. Na maioria das missões dos três, o objetivo era tirar Arthur de dentro de casa. Eram tantos planos danosos que acabamos nos divertindo na maior parte. 

A história muda um pouco o enredo com o surgimento de um assunto mais valente. Um negro é acusado de estupro – nesse caso a vítima era uma garota branca e de família conservadora. Atticus, sendo um advogado renomado, se sente obrigado a pegar a defesa do caso. Ele via isso como um objetivo pessoal: provar a inocência de uma pessoa, até então já sendo condenada pela sociedade por sua própria cultura e raça. 

Todo o ambiente naquela região acaba mudando. As pessoas já começam a depreciar Atticus por sua defesa. O julgamento se torna algo extenso e esgotante. Em todas as audiências tínhamos Scout observando de forma clandestina o decorrer do processo. 
Temos nesse livro um assunto muito sério - ainda mais forte por seu ano de publicação (1960). Essa época trazia uma cultura muito mais inculta. O racismo era abordado de uma forma imparcial, e as gerações eram habilitadas a manter isso. 

Ter o olhar de uma menina de seis anos deixa o livro de uma forma mais virtuosa. Toda a sociedade era incapaz de compreender algo tão conflituoso. Já uma criança era capaz de entender tudo de forma simples. Ela não aceitava a ignorância de toda uma geração. 

O que mais me marcou no livro foi o posicionamento imponente de pequena Scout. Mesmo sendo taxada de forma pejorativa, em momento algum ela cedeu sua sabedoria à extrema ignorância. Ela já tinha seus princípios e mantinha seu posicionamento defensor diante deste caso. 

Esse livro é um clássico da vida, tanto para a antiga quanto para a geração atual. Temos nele um marco da nossa história – mesmo sendo algo tão radical. Deve ser colocado como um ensinamento coletivo, auxiliador em nosso desenvolvimento empírico. Ao final, podemos entender toda a rebeldia de Jean Louise e sentir, diretamente, tudo aquilo vivenciado por ela. Consegui enxergar a essência para uma nova visão de mundo, sendo doutrinada por uma criança de seis anos.
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