American Gods - 1x07 - A Prayer for Mad Sweeney

Por Elizabeth Silva

21 de junho de 2017

O sétimo episódio de American Gods foi exatamente tudo que o espectador não esperava para o sétimo episódio. Afinal, assim como foi em Git Gone, ele veio com uma "pausa" na trama, que tinha nos deixados fervorosos com o avanço de Shadow e Wednesday para seu destino final e a guerra que está por vir, do que um episódio que se devia prepara-nos para a season finale. 

Devo aqui, antes de tudo, dizer que diferente de Git Gone, que foi horrivelmente massante de assistir, mesmo que mostrasse a construção de Laura e Shadow, que A Prayer for Mad Sweeney é muito melhor que o quarto episódio da série, e que mostra um lado do Leprechaun que ainda não havia sido apresentado, trazendo assim uma construção melhor para esse personagem que ganhou o carisma de muitos, e que na premissa de tudo não parecia que iria ganhar uma visibilidade maior e ser bem aproveitado como vem sendo. 

Parte desse aproveitamento se deve pelo fato da série se basear em um livro, que não possuí uma saga, tornando assim o trabalho dos produtores e roteiristas um pouco mais desafiador, mas ao mesmo tempo, dando espaço para que se construa novas histórias que talvez muitos tenham querido ter visto no livro. E claro que com o Neil envolvido na representação de sua obra para telinha ajuda bastante para que a série não se perca ou traga algo que mude sua essência. 
O episódio não começa como os outros, onde temos um vislumbre de uma história do passado, afinal todo o episódio é sobre isso, mas sim mostrando um pouco mais de como é vida de Mr. Ibis e Mr. Jacquel. Uma cena bem interessante no meu ver, onde Anúbis mostra um pouco mais de seu poder ao prever que mais duas mulheres morrerão e sua devoção ao seu trabalho, já que ele é o encarregado de cuidar dos mortos mostrando que faz daquilo uma arte, mórbida mas ainda sim, arte. E vemos também Mr. Ibis, deus da escrita, sabedoria e da magia, empunhando sua magnífica caneta de tinteiro e mostrando um pouco do "antes" de suas história "Coming to America". E é justamente esta história que se distende por todo o episódio. 

A história de Essie MacGowan. A história faz um contraponto ao utilizar Emily Browning dando vida a Essie, palavras dos produtores executivos, afinal muita gente se confundiu ao ver Emily no papel das duas personagens e acreditaram que elas poderiam ter um parentesco de alguma maneira. Na verdade, Emily vem desempenhando seu papel muito bem, apesar de não gostar da Laura não posso negar que a Emily arrasa, e sua habilidade com sotaques fez com que os produtores usassem ela para viver Essie também, a jovem irlandesa que foi responsável por trazer Sweeney para América, fazendo ele o ponto de ligação entre as duas personagens.

A vida de Essie é um tanto quanto divertida em certo ponto e triste em outro. Vemos uma menina que cresce ouvindo sobre as lendas e culturas locais e que não apaga isso de seu coração, levando para onde quer que fosse. Algo que liga Essie e Laura fortemente é a inteligência dessas duas mulheres. Essie sofre vários infortúnios e faz deles os benefícios para se reerguer, com a ajudinha dos deuses em que acreditava. Ela não depende apenas de sua fé, ela corre atrás do que deseja e usa de todo seu conhecimento para se safar da forca. Quando ela finalmente chega a América, mostra mais uma vez que ela, assim como Laura, é uma pessoa decida e que faria de tudo para conseguir se dar bem. Não falo isso dizendo que ela era uma má pessoa, na verdade ela era muito esperta ao arquitetar se casar com John, onde finalmente firmou sua vida e viveu bem, rodeada de filhos que amava e cuidava, filhos que ela fez questão de lhes repassar seus costumes e histórias, deixando um pedaço de sua crença nessa terra e futuras gerações.
Outro detalhe que me agradou bastante, foi o fato de que mesmo a história mostrando muito mais Essie, a presença dos deuses estavam sempre lá, os Leprechaun's estavam mais que implícitos. Era para eles que Essie fazia sua oferenda e pedia ajuda no momento de necessidade. Fora ela que dera a moeda da sorte de Sweeney, e que "retornou" a sua dona de outra maneira, impossível não pegar esse astral do episódio. É apresentado a história do ilustre Leprechaun, que um dia já fora um Rei, como ele já havia falado, e que agora busca compensar o fato de ter fugido no passado. O personagem do Pablo Schreiber é tão, mas tão carismático que nem consigo medir! Ele é engraçado e parece muito mais com um humano mesmo do que um divindade. Laura é Laura, ou seja, continua, para mim, sem muito sentido em sua vida pós-morte, e Salim infelizmente desfaz o trio de ouro ao ir embora encontrar o seu Jinn.

O que me fez amar de vez o episódio, foi mostrar como Mad Sweeney é o deus mais que mais se aproxima dos humanos, o que mais vive com os nossos problemas e o único que na série até o momento se mostrou muito fiel, assim como Anúbis, para aqueles que acreditavam nele. A cena onde mostra ele vindo resgatar Essie em seus momentos finais foi linda, mostrando que ele sempre esteva a olhar por ela. E no final do também, quando ele não vai embora e deixa Laura para trás, sendo revelado que ele foi o causador do primeiro acidente dela, provavelmente a mando de Odin, e que quando a situação se repete sua consciência o impede de ir embora, ele quer reparar seu erro, me levando a acreditar que a moeda era o motivador principal de ajudar Laura, mas não o único. 

Apesar do que eu li, e foram muitos comentários assim, A Prayer for Mad Sweeney cumpre seu papel ao abordar a história do Leprechaun que ganhou o público logo de cara, e que apesar de achar estranho no começo não ver uma continuidade do sexto episódio, não me incomodou nem um pouco essa brecada. Sendo bem sincera, nem senti falta dos outros.
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