American Gods - 1x06 - A Murder of Gods

Por Elizabeth Silva

13 de junho de 2017


O sexto episódio de Amercian Gods veio recheado de críticas e com uma acidez que, acredito eu, ter sido maior nesse episódio do que em seus anteriores. Afinal, dessa vez não foi uma crítica que ficou em segundo plano, ela estava ai aberta para todos que assistiram.

Vamos começar falando da cena introdutória, que graças aos Deuses, está agora também curta, era uma medo que eu tinha que essas cenas fossem sempre longas que vocês, queridos leitores, mal podem imaginar! Bem, dessa vez, é retratado a vinda de imigrantes para os Estados Unidos que trazem com eles a sua fé no cristianismo. Durante a travessia de um rio para chegar ao outro lado da fronteira temos uma releitura da história de Pedro, onde um dos imigrantes começa a afundar e é salvo por Jesus, esse de origem mexicana. O fato de se ter um Deus em cada cultura não é novidade, pois o próprio Wednesday já havia mencionado isso em Head Full of Snow, mas nos faz pensar se ele ressuscitará ou irá encarnar em outra pessoa, afinal as pessoas ainda acreditam e tem fé sobre Ele.

A crítica vem logo no momento em que eles cruzam o rio, os imigrantes são recebidos a tiros ao chegarem no país, e para completar mostra que ambas as pessoas tem a mesma fé, pois tanto os norte americanos quanto os mexicanos carregavam rosários. Se destaca aqui a utilização da fé para justificar cada ato apavorante que eles cometem. Quantas guerras não foram travadas por conta disso? As pessoas apenas se lembram das Cruzadas e dizem já fazerem anos delas, mas esquecem que no Oriente temos outras guerras movidas a interesses que usam de sua fé como justificativa para estar fazendo o bem. Não são todos que pensam assim, não estou generalizando os povos, mas em todos os lugares temos os pensamentos extremistas nos rodeando. A cena termina com a morte de Cristo que remete mais uma vez ao seu sacrifício por seus filhos.

Seguimos então com a fuga de Shadow e Wednesday da delegacia. Shadow claramente não sabe mais no que acreditar, ele ora se inclina para que tudo seja uma loucura, ora parece acreditar que tudo aquilo mesmo não fazendo nenhum sentido. Uma coisa importante nessa cena dos dois é como Wednesday mostra que Shadow não está fazendo as perguntas corretas, "Uma pergunta seria, o que acredita que viu?" deixando aqui implícito que ele começará a ter suas respostas no momento em que estabelecer no que acredita ou não.

Como era de se esperar, o ferimento causado em seu abdômen era muito mais profundo do que parecia e foi confirmado pelo nosso querido Wednesday, que aquele era o Mr. Wood, uma figura tão milenar quanto os outros deuses. A maneira como Odin cura Shadow é uma mostra clara de seus poderes, onde com uma calma assustadora e como quem faz uma prece a Wood, consegue retirar aquela coisa estranha de dentro de Shadow. Para então seguirem viagem até a cidade de Vulcan, que se consolidou envolta de uma metalurgia que fabrica balas.

Acredito eu, que nenhum outro episódio chegou tão perto da crítica ácida e forte quanto esse. Ao mostrar os Estados Unidos idealizados por aqueles cidadãos que abraçam com fervor o poderio bélico que possuem e o exibem com orgulho. É fato que, por diversas vezes, o livre armamento em certos estados do país é questionado pelo mundo e pelos próprios norte americanos. Provavelmente, não há país que mais se beneficie da industria armamentista quanto os Estados Unidos, que usam desse artifício para controlar os governos mundiais e as guerras que ele mesmo cria para se beneficiar. Tornando assim, a paranoica cidade o lugar perfeito para Vulcan (Hefesto para os gregos), Deus do Fogo que é sempre representado na figura de um ferreiro, e é apresentado na série como o líder da cidade. O ator Corbin Bernsen interpreta muito bem o seu personagem dando todo o ar arrogante e prepotente que os EUA têm, e que Hefesto também tinha.

Sua aparição traz a tona a questão do sacrifício. Até o momento, nos vimos os novos deuses que se beneficiavam da atenção que recebiam por aqueles que neles acreditavam, ou que apenas os davam atenção indiferentemente. Mas algo que todos sabemos ao estudar um pouco sobre a mitologia, era o fato de que alguns deuses extraíam suas forças através do sacrifício e neste caso Vulcan o detém e muito. Ao produzir as balas que levam o seu nome, cada disparo é como uma oração feita a ele. Pessoalmente, não sei me decidir se Odin percebeu ou não que seu possível aliado já não era parte de seu plano mais, afinal Vulcan soube se adaptar a modernidade, e esse fato fez com que eu me perguntasse desde o começo se ele já não estava ao lado dos Novos Deuses. Outra pergunta é, o título do episódio se refere a qual deus? Vulcan, que matou o Jesus Mexicano com uma de suas balas, ou Odin que matou com sua (linda) espada?

Do outro lado temos Laura, Salim e Mad Sweeney. O trio mais improvável do mundo seguindo viagem juntos, mas cada qual com seus próprios interesses. Laura já deixou bem claro que não devolverá a moeda da sorte de Sweeney, e este parece vir com uma solução dos céus para ambos, e a resposta é bem mais simples do que poderíamos esperar, ressurreição. E se aproveitando de Salim que deseja encontrar o Jinn novamente, Mad os coloca na estrada para o Kentucky onde poderá entregar Laura para o processo de volta a vida e pegar de volta a sua sorte. É interessante vê-los juntos, talvez por serem tão divergentes um do outro, ou por perseguirem coisas que parecem ser inalcançáveis mesmo estando tão perto. É interessante também, pois a série aproveita e usa bem personagens que no livro não tem uma visibilidade tão grande assim. E talvez seja aí que vemos a importância do criador da obra estar envolvido na produção, para que nada fuja de seu mundo.

A série se encaminha muito bem para sua season finale, e com a morte de Vulcan pelas mãos de Odin, temos quase que uma comprovação de que quando a guerra chegar, o Deus não irá poupar os sacrifícios que fará em seu nome.

P.S.: O que foi aquela visão do Shadow? Seria os poderes dele sendo revelados aos poucos?
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