American Gods - 1x05 - Lemon Scented You

Por Elizabeth Silva

5 de junho de 2017

American Gods chega com o quinto episódio Lemon Scented You, mergulhando definitivamente em toda a surrealidade que a série já vinha oferecendo, mas chegando, por incrível que pareça, num patamar mais profundo em toda essa loucura deliciosa que a série é.

Não fugindo da regra de seus primeiros episódios, temos uma pequena, sim pequena mesmo, história introdutória dessa vez em animação falando sobre um deus chamado Nunyunnini, que guiava seu povo para uma nova terra já que a sua antiga já não lhes garantia a sobrevivência, mesmo sabendo que haveria ser feito um grande sacrifício, sacrificar aqueles que o amavam e que ele amava também. Nunyunnini caiu no esquecimento para proteger aqueles que tinham fé nele, mostrando o quanto um deus não se interessa apenas pelo seu próprio bem. E essa cena parece fazer um link com o episódio mais à frente, mas deixemos para depois por enquanto.

Temos finalmente a cena do reencontro de Shadow com sua falecida esposa Laura Moon, e é claro que a pergunta mais pertinente nesse encontro não é sobre como Laura está lá morta-viva encarando seu esposo, mas sim o motivo da sua traição. Prioridades, não é? Mas uma coisa que se nota, ao decorrer dessa cena quando ele observa o corpo de Laura, é que ele talvez não esteja pronto para ouvir a resposta sobre isso ainda.

Uma coisa que eu disse sobre Laura na review passada era de que eu duvidava sobre os sentimentos dela por Shadow. E infelizmente eu ainda continuo duvidando. Ok, na interação dela com Mad Sweeney ela tenta investigar sobre o patrão de Shadow e no que ele está envolvido e está claro que ela quer e vai proteger ele. Mas, ainda assim, não havia arrependimento nela ao falar sobre a traição, nem mesmo um pedido de desculpas que ela devia a ele. Ela me parece fria demais enquanto a isso e não sei o porquê ela enxerga Shadow com aquela luz, mas o seu discurso dizendo que teve que morrer para notar o quanto o amava não me convenceu, e nem a Shadow quando ele recusa o pedido dela.
Falando do nosso querido Leprechaun, é engraçado ver o quando a falta de sua moeda da sorte afeta sua vida. Tudo de ruim, mais inimaginável possível acontece com ele! Quando descobrimos que Laura volta por conta da moeda eu tinha dúvidas sobre o quanto duraria sua estadia, a resposta veio no episódio mostrando que Sweeney só poderá ter sua moeda se ela o der de livre e espontânea vontade, ou se morrer outra vez, mas ainda não deixa claro se ela vai dessa para a pior (titio Anúbis tá só na espera) ou se ela continua caminhando entre os vivos.

Mudando o foco agora para Shadow e Wednesday acabam indo parar em uma delegacia por conta do seu pequeno assalto ao banco. Mais uma vez preciso aqui falar sobre como Ian McShane rouba a cena toda a vez em American Gods, que preciosidade foi ter esse ator no elenco! Ele traz uma certa suavidade ao episódio, ele se molda conforme cada situação demanda de seu comportamento e a mudança é rápida demais! Quando já estão sob custódia na delegacia, por um momento Wednesday assume o papel de um senhor de idade com problemas de saúde mental e passa a imagem de um coitado, para logo depois mudar e assumir uma postura séria e até mesmo autoritária pela maneira de como encara o homem em sua frente.

Assim como aquela policial não cansa de repetir, eu também fiquei me perguntando sobre como alguém conseguiria todas aquelas informações sobre eles e entregaria logo a uma unidade pequena e do interior. É nesse momento que somos jogados sem dó nem piedade para todo o surrealismo que a série poderia oferecer, onde o véu de incredulidade de Shadow caí de maneira dolorosa para sua mente.
Estava preparada para um grande embate deles, afinal no meio do episódio temos a deslumbrante Gillian Anderson, caracterizada como David Bowie, veio mostrar ao Technical Boy que ele não está no comando e que não pode fazer o que der na telha, o que no caso foi o linchamento do Shadow, revelando que teriam um encontro em breve com os outros dois. E aqui preciso me aproveitar desse espaço para elogiar a grande atriz que Gillian é! Minha admiração por ela já era grande e se renova toda vez que a vejo em cena. Como Media, ela deve não só entrar no papel da deusa, mas também de quem ela interpreta no momento e isso é incrível! A mudança em sua voz, postura, linguagem, é nítida quando ela aparece agora como a maravilhosa Marilyn Monroe, os roteiristas foram tão inteligentes ao colocar referências nas falas de Gillian a música de David e aos filmes de Marilyn. Foi sem dúvidas o ponto alto do episódio, pelo menos para mim.

A chegada colossal de Media na sala onde Shadow e Wednesday estavam foi o suficiente para o protagonista perder de vez todo o controle sob a realidade. Afinal a série tem a sua pegada mais adulta, então é mais do que normal que ao invés de ficar impressionado e animado com todo esse mundo, que se fique assustado e que se questione sobre tudo que está acontecendo.

Temos a chegada então do temível Mr. World, o deus que está no comando dos novos deuses e, portanto, um dos inimigos de Wednesday, que foi agora abertamente exposto como Odin para Shadow, se é que ele reparou estava mais perdido que tudo! A atuação de Crispin Glover convenceu e muito no papel do deus que controla o mundo, mostrando que este é implacável e muito poderoso devido a atenção que tem, mas que caminha por uma linha tênue e pode a qualquer momento perder o controle quando é ameaçado. Não falta também a inteligência do personagem, ao tentar convencer Odin há não continuar em sua jornada, e destaca-se o respeito que ele possuí pelo mesmo.
E por falar em Odin, no começo do episódio, quando temos a morte de Nunyunnini, nós vemos o quão fácil um deus nasce no coração dos humanos e que com a mesma facilidade morrem também ao caírem no esquecimento. A jornada dele parece ganhar mais motivação ainda para os espectadores após virem o conto inicial, ele não quer que os deuses antigos simplesmente deixem de existir. Ele mostra como os novos deuses querem apenas ocupar o tempo dos humanos e não se preocupam verdadeiramente com eles. Apesar dos antigos não serem assim tão acessíveis, Odin afirma que dava a eles um sentido em suas vidas.

O final me deixou um tanto aflita sobre qual vai ser o rumo de Shadow agora, não passou despercebido a ninguém o massacre na delegacia como também ele sendo ferido por aquela criatura.

A série é incrível, a cada episódio isso fica constatado e ela se aprimora ainda mais. A fotografia dela é muito bonita, o roteiro bem escrito, tudo só faz com que American Gods seja um sucesso cada dia mais! Até a próxima review!
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