Literatura em Foco: Toda Luz que Não Podemos Ver

Por Ellen Joyce Delgado

6 de maio de 2017

Toda Luz que Não Podemos Ver é um livro escrito por Anthony Doerr, lançado pela Intrínseca em 2015. A narrativa é retratada em meados da Segunda Guerra Mundial. Já de início a nossa mente viaja no tempo e imagina fortes vivências no ambiente proposto. A narração apresenta o crescimento e a passagem dos anos para dois personagens, mostrando o ponto de vista de cada um diante dos percursos. 

Primeiramente, o livro começa com os relatos de Marie-Laure, uma garota francesa e criada por seu pai, um chaveiro do museu de Paris. A vivência de Marie é muito tocante, ao iniciar por sua cegueira aos seis anos de idade e a descoberta de tantos desafios a serem enfrentados por ela e pelo pai. Mesmo diante dessa adversidade, o pai a todo tempo tenta se mostrar calmo e trazer à filha um novo modo de ver e entender a vida. Como forma de localização, ele criou uma maquete perfeita do bairro onde eles viviam. A montagem deste tão esperado projeto trazia a contagem exata dos passos a serem dados para chegar a determinado lugar. 

Em segundo plano é contada a vida de Werner, um alemão órfão que passou boa parte de sua infância acompanhado de sua irmã. Um pouco maior, Werner é descoberto por sua inteligência e talento ao consertar rádios, e logo é integrado à escola de cadetes. O mesmo recebe a missão de descobrir de onde estão vindo as redes de rádios clandestinas na Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial. Tudo isso por volta dos 16 anos de idade. 
Duas histórias separadas que acabam se encontrando em meio ao caos. Marie-Laure enfrenta muitas dificuldades pelo seu modo de ver (ou sentir) o mundo, e Werner pela sua necessidade de lutar pela sua nação, mesmo deixando sua família para trás. Em meio a tantos contratempos, a vida cria uma ligação entre os dois e o encontro inesperado acaba acontecendo. É neste momento em que tudo passa a ter mais nexo, e você entende a verdadeira necessidade que um tem diante do outro. 

O desfecho da história traz fatos marcantes, deixando à aqueles que venceram - ou suportaram - o caos a missão de retomar o curso da vida antiga. 

No meu ponto de vista, o livro traz uma breve ilustração das dificuldades vividas constantemente por pessoas aleatórias. São duas histórias de dois personagens simples que trouxeram marcas e deixaram entendimento. Nem sempre o que fica é “e viveram felizes para sempre”. Às vezes é preciso abrir os olhos para a realidade e começar a entender, no íntimo, tudo aquilo que pessoas reais já viveram verdadeiramente. Ao final, não vejo países com vitórias. Passei a entender que, em alguns casos, nem o tempo pode curar verdadeiramente o nosso íntimo. Certas cicatrizes nos acompanham eternamente. E o que podemos fazer é tentar seguir em frente.
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