Literatura em Foco: Orgulho e Preconceito

Por Ellen Joyce Delgado

27 de maio de 2017

Orgulho e Preconceito é um clássico da Literatura inglesa, publicado pela primeira vez em 1813. A obra foi feita pela britânica Jane Austen, e hoje é vendida pela Editora L&PM

O livro começa com a história da família Bennet, com cinco filhas mulheres, vistas como um fardo nos tempos antigos pela falta de mão de obra e astúcia. A família se desesperava para ver o casamento das cinco mulheres e se sentirem livres do fardo – antiga visão que a sociedade tinha. Com a aparição do jovem Mr. Bingley na região, um jovem belo, inteligente e bem remunerado, a mãe da família Bennet se propõe a apresentar suas filhas ao jovem. Logo temos o primeiro romance no livro, entre a filha mais velha da família Bennet e Mr. Bingley. Junto com ele, vinha também um homem bem misterioso. Talvez, o ápice desse livro: Mr. Darcy

Mr. Darcy era pouco conhecido, mas muito comentado. As pessoas o classificavam como orgulhoso, preconceituoso, esnobe e muito rico. Essa foi a imagem inicial que tínhamos daquele homem. Mas não era apenas ele o centro da história. 

Como protagonista temos Elizabeth Benett, uma pessoa longe de ser um exemplo de mulher perfeita para aquela geração. Dentre as cinco irmãs da casa, Eliza não era nem a mais bonita nem a mais feia, mas trazia consigo uma personalidade marcante. Talvez, uma das personagens percursoras do feminismo, com intelectualidade própria, astúcia e pouca preocupação por interesse material. Seus pensamentos para casamento traziam, primeiramente, o amor. Sua intenção não era a situação financeira. 

Ela buscava a pureza nos sentimentos e no romantismo. Naquela época, casamento era igual a dinheiro. Ela era marcante pela sua opinião formada. Não se preocupava muito com o que todos iam dizer. Não tinha medo de acabar a vida sozinha pois trazia consigo um lado independente. 

Logo imaginamos que algo aconteceria entre Mr. Darcy e Elizabeth - ainda bem. Entre bailes e encontros literários, os dois acabaram se conhecendo, e a personalidade de ambos acabou deixando-me um pouco assustada. Você jamais imaginaria tudo aquilo que acontece. Um sentimento de desejo e, ao mesmo tempo, de retração acaba surgindo.
Mr. Darcy e Elizabeth lutavam contra os próprios sentimentos. Eles se referiam um ao outro de uma forma orgulhosa, não deixavam-se vencer por conta do preconceito imposto pela própria sociedade. Talvez, o medo de ambos eram os sentimentos. Mas essas duas personalidades acabariam se concentrando em uma só. 

O enredo do livro foi nos mostrando isso aos poucos. Você podia sentir Elizabeth lutando contra seus próprios pré-conceitos, através daquilo que a própria sociedade havia formulado anteriormente. E Mr. Darcy não queria sentir-se rebaixado. Ele temia ceder sua masculinidade e entregar seus sentimentos à uma mulher tão forte naquela época. E, talvez, a postura independente de Elizabeth o oprimia. 

Mas é claro que as coisas mudaram. Assim como esperamos na realidade, o sentimento acabou falando mais alto. Os caminhos de ambos viviam se cruzando e, aquilo que antes os oprimiam, agora os deixavam mais livres – e ao mesmo tempo mais ligados. 

Orgulho e Preconceito é um clássico que todos aqueles amantes de literatura devem ler antes de morrer. O livro, em si, não traz apenas um romance. Ele traz a imagem da mulher naquela época e a revolução causada por uma única personagem. A autora colocou em Elizabeth tudo aquilo que a sociedade oprimia. Talvez, por isso ela era vista com olhares cruzados. Ela foi um grande exemplo a ser seguido por aquela geração, e é admirada até hoje. 

Esse foi um dos melhores clássicos que li. Um livro antigo e ao mesmo tempo atual. Vale a pena conferir esse enredo e visualizar parte de nossa realidade em pequenos fragmentos. E ao mesmo tempo, deixar-se levar por um dos romances mais marcantes da literatura. Vale a pena, também, conferir o filme lançado em 2005. Ele traz um enredo bem emparelhado ao livro. E claro, os personagens do filme descrevem bem o que vimos no livro - claro que de uma forma mais reduzida, mas não perdendo o contexto. Confira e divida comigo o mesmo sentimento de satisfação após uma leitura tão valiosa. 

Obrigada, Jane Austen!
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