American Gods - 1x02 - The Secret of Spoons

Por Elizabeth Silva

20 de maio de 2017

Até parece que os próprios Deuses ouviram os meus pedidos e o segundo episódio da temporada foi muito mais explicativo e calmo, de certa maneira, que o piloto. Afirmo que, se você ficou indeciso com o que viu no piloto e pensou, será mesmo que eu continuo? A resposta é sim, continue porque o segundo episódio é bem melhor e muito mais fabuloso.

Dessa vez, a cena inicial mostra a chegada do Deus Ananse, ou Anansi, da cultura africana, que me fez ficar completamente arrepiada. Retratando o período da escravidão e do tráfico dos negros para a América. Lembram que eu disse que a série traria uma crítica? Ela não tardou em fazer isso, não apenas falando da escravidão, mas mostrando um deles clamando por sua vida disposto a tudo para se livrar das correntes. O ator Orlando Jones brilha no papel do Deus, que faz uma crítica ao mostrar que não importa o quanto os negros sofreram, as centenas de anos sendo escravos, o mundo ainda sim iria se importar mais com o fato de serem negros, do que serem pessoas como qualquer outra. Deixando claro a enorme cicatriz que tal atrocidade humana foi capaz de fazer em um povo que ainda hoje sofre com isso. A revolta nos navios negreiros também foi abordada, mostrando o navio pegando fogo e dando a mesma morte a todos, os brancos que se acham superiores morrem lado a lado daqueles que subjugaram. E nem preciso dizer o quanto essa cena foi mil vezes melhor que a do primeiro episódio.

Voltando aos dias atuais, Shadow está tentando lidar com a morte da sua esposa e tentar entender o que tem de errado com o seu novo chefe. Uma coisa que eu gostei é que apesar da esposa dele ter traído ele, Shadow ainda tem um sentimento muito forte por ela, e isso mostra que apesar de toda raiva e magoa, quando uma pessoa que se ama se vai um buraco enorme é deixado em aberto dentro de você. Não foi diferente dele, me deixou de coração na mão ver ele empacotando todas as coisas da sua casa, depois de 3 anos longe dela. Fiquei triste e por um momento até esqueci da traição da Laura, até o Shadow pegar no celular e bem, encontrar um "nudes" do seu ex-melhor amigo (que mancada poxa!).
Em contra partida, o senhor Wednesday não parece facilitar muito pro Shadow, sempre misterioso e não disposto a revelar seus segredos também, mas ainda sim de uma maneira bem estranha, parece fazer com que Shadow siga em frente seu caminho e esqueça o que aconteceu antes de encontrá-lo. Durante a viagem deles, Wednesday apenas diz o destino deles e nada mais, quando Shadow o questiona o que tem em Chicago para estrem indo para lá, a resposta quase fez o meu coração parar, "o meu martelo". E é claro que eu associei com o Mjölnir, e falhei miseravelmente. O martelo de quem ele falava pertence ao Deus conhecido como Czernobog, Deus da Escuridão da mitologia eslava (tá aí o sotaque), onde nele encarna toda a maldade do mundo, onde se acredita que tudo de ruim acontece por sua causa. Ao contrário do seu irmão Belobog que é o Deus da Luz e do Sol, do qual ele fala com enorme rancor no episódio.

Fica mais que claro que ele não confia em Wednesday e que não quer de jeito nenhum se juntar a ele em sua viagem nem em sua guerra. Mas quando ele aparece em cena fica claro o motivo de alguém querer ele ao seu lado, ele apesar de ser assustador é um aliado poderoso e daqueles que não se importam em sujar as mãos, literalmente. A cena do martelo cheio de sangue ainda tá na minha cabeça.
Temos também a aparição de outros deuses, mas diferente do primeiro episódio não ficou estranho o surgimento deles e nem confuso. Dessa vez foi apresentada a deusa Media, interpretada por Gillian Anderson que ficou deslumbrante como Lucy, mostrando o quanto a tecnologia está impregnada em nossas vidas e que hoje não vivemos sem. A fonte dos deuses é a fé que se tem sobre eles e a atenção, bem ela com certeza detém tudo isso. Media tenta atrair Shadow para o seu clube, mas não funciona muito bem. Apesar de uma cena curta, não fiquei confusa com ela e me agradou muito mais do que o Technical Boy. As três irmãs, que aparecem juntas com Czernobog, eu pesquisei e descobri que se tratarem das irmãs Zorya, também de origem eslávica, que protegem o mundo enquanto vigiam o cão Simargl, que se se solta-se de suas correntes destruiria o universo. Descobri que a irmã mais nova foi criada pelo Neil. Amei Zorya Vechernyaya no primeiro momento que vi! A atriz é muito boa, apesar de nunca ter visto nenhum trabalho dela antes.

Quando Bilquis surge mais uma vez, além das visões de outras pessoas se perdendo dentro do universo dela (outra piada ruim), consegui entender um pouco sua origem, que é a mais atual e aceita que ela é provinda do Império Axum, Etiópia, mas ainda sim não tenho a menor ideia do que ela vai ser na série e me incomoda ver todos os personagens sendo designados para uma coisa e ela ali, parada no nada.
O final do episódio me deixou bastante tensa, quem diria que uma partida de damas poderia ser tão agoniante? Mas aqui devo parabenizar os envolvidos nas filmagens e trilhas sonoras que deu um aquele "Q" a mais de intensidade na cena. Algo, aliás, que na série funciona muito bem é a trilha adequada em cada momento do episódio.

Aqui me despeço afirmando que a série tá me fazendo criar um carinho grande por ela e me mandando ir ao Google cada vez que um novo Deus aparece para entender a sua origem e sua história! Será que até o final viramos especialistas em mitologia?
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