Não é Gênero é Talento: Você nasce nu e o resto é Drag!

Por Paola

30 de abril de 2017


O termo drag surgiu na Inglaterra, mais precisamente durante o século XVI, na época em que mulheres eram proibidas de atuar em peças de teatro, logo cabia aos homens se vestirem como mulheres e desempenhar esses papéis, e então surgiu a expressão “dress like a girl” que em tradução livre significa “vestido como garota”.

E mesmo agora que as mulheres tenham o direito de exercer a profissão de atriz, as drag queens ainda existem, e essa vertente a cada ano que passa ganha mais força, se antes, elas eram reconhecidas no mundo LGBT, cada vez mais elas vem ganhando espaço nas mídias.

Em 2009, Ru Paul Charles, um dos principais nomes do drag no mundo, lança pelo canal Logo TV, o reality show Ru Paul’s Drag Race, a premissa da série é simples: 14 drag queens disputam o título de melhor drag queen dos EUA, além de um prêmio de 100 mil dólares.

As participantes são testadas com as mais diversas provas, que vão desde desafios artísticos, como costurar seus próprios vestidos para uma noite de gala até treinar seu lado cômico em um show de stand up, afinal para ser a nova Drag Queen queridinha da América, ela precisa de carisma, singularidade, nervos e talento, como a própria Mamma Ru costuma dizer. 
A série tem nove temporadas, além de dois especiais (all stars) onde as competidoras de maior destaque das antigas temporadas voltam e disputam novamente a coroa. As sete primeiras temporadas estão disponíveis na Netflix.

A série vai muito além de mostrar as competidoras costurando, ou mostrar o lado glamouroso quando elas chegam na passarela para serem julgadas se continuam ou não na competição, o objetivo é humanizar as drag queens, mostrar por trás de toda a eleganza vista na passarela, mostrar o dia a dia delas, seus choros, frustrações, momentos de glória até brigas durante os desafios.

A série é muito mais do que apenas entretenimento, ela quebra tabus, ela mostra de maneira honesta alguns tópicos que as pessoas não costumam falar muito, em uma das temporadas, uma das participantes revelou para suas participantes que era portadora do vírus da AIDS, e foi um momento que ela recebeu o apoio além de todos do programa, mas também do público pela coragem que teve ao contar sua história.

Talvez seja essa uma das principais razões para o sucesso da série, pois além de abordar temas que muitas vezes podem ser considerados tabus, de maneira honesta e em momentos até mesmo engraçada, faz com que o público se identifique e passe a entender mais o assunto, antes de simplesmente julgá-lo.

E ainda por cima, mostra que existe belezas nos mais diversos padrões e biotipos, e mostra a importância do amor próprio, afinal, como a própria RuPaul costuma dizer “Se você não se ama, como você espera que alguém te ame também?”

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