Psicose e o verdadeiro Norman Bates

Por Mirian Meneghel

5 de dezembro de 2016

Psicose, lançado em 1960 é um clássico filme norte-americano de suspense/terror, dirigido por Alfred Hitchcock. O filme conta a história de uma secretária, que comete um roubo no seu local de trabalho e após isso, foge. Em meio a uma tempestade acaba parando no Motel Bates, que tem como gerente um estranho rapaz, chamado Norman Bates. Norman tenta ter um contato mais próximo com a secretária durante sua estadia no motel, o que desagrada sua controladora mãe. Após algumas horas, a secretária é brutalmente assassinada a facadas - em uma das cenas mais clássicas do cinema deste gênero. A irmã, o noivo da vítima e o delegado da cidade vão em busca do verdadeiro assassino. Esta investigação culmina em uma grande revelação final que apresenta a verdadeira e sinistra personalidade de Norman Bates. O filme é muito interessante, principalmente considerando a exploração da temática na época em que foi filmado. Inclusive, Psicose é considerado por muitos um dos melhores filmes de terror de todos os tempos e por isso, ganhou alguns remakes ao longo dos anos. 

A criativa e inusitada história deste roteiro teve inspiração em fatos reais. Psicose foi inspirado em um assassino real, muito peculiar, Ed Gein. Ed Gein, nascido em 1906 viveu toda a infância sob influência de sua mãe, Augusta Lehrke, uma fanática religiosa, que impedia a interação de seus filhos com outras pessoas, especialmente com mulheres. Augusta dizia para seus filhos que todas as mulheres eram “prostitutas” e “instrumentos do diabo”. Seu pai, era alcoólatra e faleceu em 1940, vítima de um ataque cardíaco. Seu irmão, que não tinha uma boa relação com a mãe, chegou a fazer várias acusações dela para o irmão Ed. Em 1994, o irmão acaba falecendo após um incêndio na casa dos Gein, porém o corpo não tinha nenhum sinal de queimaduras. Mais tarde, a polícia descobriu que a real causa da morte foi asfixia, e embora fosse suspeito Ed nunca foi acusado pela morte do irmão. 

Em 1945, Augusta – sua mãe - falece e Ed fica completamente sozinho. Ed passou a trabalhar na fazenda da família para seu sustento. Na residência, deixou os cômodos exatamente iguais como sua mãe deixava - todos trancados- utilizando apenas um cômodo. Ed, começou a desenvolver interesse por cultos à morte, experiências nazistas e também pela anatomia do corpo feminino, este último interesse foi se intensificando com o tempo. Ed passou a fazer visitas noturnas a cemitérios e exumar cadáveres femininos, dissecando algumas partes do corpo, como cabeça, órgãos sexuais e alguns outros órgãos internos. 
Berenice Worden, uma senhora de 70 anos, foi assassinada a tiros por Ed Gein em 1957, o corpo foi encontrado pendurado por um ganho de carne, de cabeça para baixo- já sem a cabeça- e com uma grande abertura na parte anterior. Na casa dos Gein, onde o corpo foi encontrado, também havia peles de pelo menos 10 mulheres, uma cadeira forrada com pele humana, vários crânios cortados, entre outras partes humanas que Ed utilizava como utensílios domésticos (crânios como tigelas de sopa, pele humana transformada em abajur, lábios humanos como puxador de janela, entre outros). 

Ed Gein, durante interrogatório, assumiu ter assassinado também Mary Horgan, desaparecida desde 1954. Mary foi morta a tiros e seu rosto foi encontrado em um saco de papel durante as buscas na casa. Ed afirmou durante os interrogatórios não se recordar de quantas mulheres assassinou. Apesar de Mary e Berenice serem as duas únicas vítimas registradas de Gein, e por isso ele teoricamente não poder ser considerado um serial killer, há estimativas que Gein tenha matado pelo menos mais 5 mulheres em que ele é suspeito pelo desaparecimento, além dos demais restos mortais encontrados pela casa – que em sua maioria eram de cadáveres exumados. Segundo pesquisas e interrogatórios que foram feitos, Ed tinha intenção de fazer uma “mudança de sexo” e por isso ia em busca de partes femininas, para criar uma “roupa de mulher”, partes desta roupa foram encontradas. Gein foi julgado como mentalmente incapaz e por isso, foi mandado para um hospital psiquiátrico, onde permaneceu até sua morte. 

Ed Gein e sua história serviram de inspiração para diversos outros personagens dos cinemas e de séries de televisão, entre eles podemos citar os principais: Buffalo Bill, o assassino de “O Silêncio dos Inocentes” da saga de Hannibal (lembram-se da confecção da roupa feminina?); e Leatherface o personagem principal do terror “O Massacre da Serra Elétrica” (como não lembrar dos artefatos humanos na casa?) e mais recentemente Norman Bates da série Bates Motel, que conta a história de Norman anteriormente ao filme Psicose – que é totalmente inspirado na história real de Ed. 

Ed Gein, apesar de toda sua vida dramática, tornou-se um marco para a história do cinema, devido a mudança de temática que apareceu após o lançamento de Psicose, histórias consideras mais adultas e envolvendo temáticas psicológicas foram uma grande inovação para a época, em que os filmes eram basicamente sobre múmias, monstros, bolhas e aranhas assassinas. Ed Gein, conseguiu entrar para a história de duas maneiras: de maneira ruim, devido a seus brutais assassinatos e de maneira boa, mudando, inovando e eu diria até revolucionando o cinema do gênero terror. Nós, fãs desse gênero devemos muito do que vemos hoje, a história de Ed Gein e toda a sua real psicose.
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