Grey's Anatomy - 13x8 - The Room Where It Happens

Por Rozany Adriany

18 de novembro de 2016

“The Room Where It Happens” foi, para mim, o melhor episódio até agora desta temporada! Um episódio que nos traz aquele misto de sensações que só Grey’s Anatomy consegue transmitir tão bem. Um episódio que abriu feridas que sequer estavam cicatrizadas ainda, que nos apresentou novos traumas pessoais de alguns dos nossos atendentes favoritos, um episódio que nos fez ficar perdidos, enraivados, atônitos, apreensivos, desconfiados e totalmente em êxtase com o intuito de saber aonde ele ia nos levar. 

40 minutos de episódio dentro de uma SO com dois atendentes e uma residente extremamente cansados de longos turnos e mais um atendente que era o único “descansado” do grupo, tendo que lidar com um paciente emergencial em estado gravíssimo após um acidente de carro. Desde os primeiros minutos podemos deduzir que a coisa iria ser feia, mas, a verdade amigos é que a coisa foi horrível. Porque, ao que parece, o que acontece quando você coloca quatro médicos tentando salvar a vida de um paciente neste estado é uma enxurrada de opiniões divergentes e nenhum acordo entre si. Então, o que se deve fazer? A voz de quem deve ser ouvida? 

Houve quem acreditasse que a voz da Meredith era quem deveria ser ouvida, afinal, ela era a chefe e, teoricamente, o paciente era dela. E apesar de no final a solução vir dela, ao meu ver durante os debates que aconteceram no meio da cirurgia, não dava para seguir cegamente o que ela dizia. Primeiramente: como não ouvir a opinião de dois renomados atendentes que estão em discordância com o que você está dizendo? Acredito que por mais que ela queira fazer valer seu argumento e acredite neles, os argumentos dos outros colegas precisam ao menos ser ouvidos, uma vez que todos estão lidando com o paciente. 
E claro, não podemos esquecer o fator cansaço físico e mental. E aqui entramos em um jogo psicológico que foi explorado ao extremo durante os 40 minutos do episódio. Se no começo pensamos que Webber estava inventando nomes aleatórios para o paciente a fim de ensinar algo (que de início não conseguíamos entender) para Stephanie, nos surpreendemos ao descobrir que Gail não era um nome qualquer que veio à mente do tão experiente Dr. Webber. Não, Gail era ninguém mais ninguém menos que sua mãe! E imaginem a surpresa ao sermos apresentados de maneira tão simbólica a essa personagem tão significante na vida do nosso eterno Chief Webber. 

Nesse mesmo jogo também fomos apresentados a irmã de Owen, que no fundo ainda não sabemos se realmente morreu ou se está perdida, afinal, como médico e militar, Owen só desiste ao ver o corpo, e sem corpo não há certeza alguma de sua morte, ou seja, não há conclusão. Já Stephanie nos levou de volta a sua infância e ao seu hábito de se manter com a cara nos livros, como um refúgio ao se ver muito tempo presa a uma cama. 

E obviamente, a dor maior parte de Meredith Grey, que nos transporta de volta a um momento indescritivelmente doloroso e nos faz derramar rios de lágrimas ao relembrar o exato momento em que teve que contar aos seus filhos que o pai deles havia morrido. Tem como superar isso, gente? Já digo logo: não, não tem! E como se essa dor não fosse suficiente, o que mais o nosso cérebro faria se não nos pregar peças quando estamos muito cansados e parece que estamos apenas no automático para nos manter de pé? E é em uma dessas peças que Meredith visualiza o seu amor, o marido com quem ela cansou de dividir momentos ali, em uma SO, naquele espacinho minúsculo do lavatório onde eles se preparavam para enfrentar as imprevisibilidades de uma cirurgia (e no caso deles, de tantas cirurgias). 
E o que nós, meros telespectadores, que ainda não superamos a morte de Derek fazemos com isso? Nós sofremos! Sim, sofremos com essa singela recordação a um dos mais memoráveis cirurgiões/personagens que já perdemos neste drama médico que tanto amamos. 

É com essa ferida sangrando que eu finalizo esse texto, e só posso dizer que, embora muitos possam estar se perguntando qual foi o sentido deste episódio, foi com ele que eu consegui relembrar e matar a saudade daquela Grey’s que eu tanto clamo em minhas reviews, a Grey’s que mostra as tripas e o sangue jorrando mesmo, a Grey’s que mostra os conflitos médicos como um meio para chegar a um fim (neste caso, uma solução para salvar um paciente que incontáveis vezes foi considerado como impossível de salvar), a Grey’s que quando menos esperamos nos traz um procedimento mirabolante (provavelmente nunca antes feito) que é capaz de unir os quatro médicos que só discordavam e de salvar o paciente. 

Então, por favor continue investindo nesta Grey's Anatomy, Shonda querida! 
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