Gilmore Girls: A Year In The Life - 1x02 - Spring

Por Lorena Alvarenga

30 de novembro de 2016

“...A primavera clareia tudo 
Após tempestades intensas...” 

Depois de um inverno frio e cinzento, que serviu para nos levar de volta a Stars Hollow e nos situar dos últimos acontecimentos, chegou a vez da primavera. E junto com ela o calor e a visibilidade para os problemas. Se winter foi um episódio marcado pela tentativa de seguir em frente, Spring foi marcado por muito mais conflitos, inseguranças e ressentimentos, foi o momento de algumas pendências finalmente serem resolvidas. 

A primeira cena é logo uma das mais esperadas de todas as temporadas. Lorelai e Emily finalmente se encontram lado a lado na terapia e o resultado não poderia ser melhor. Ao longo de alguns minutos temos mais um show de atuação protagonizado por Lauren Graham e Kelly Bishop. Tanta mágoa, raiva e insegurança foram passadas com maestria pelas duas, e graças ao texto, os leves toques de humor chegaram nos momentos certos para equilibrar perfeitamente o drama. Foi como assistir um espetáculo onde todos os sentimentos estavam à flor da pele e até o silêncio carregado de emoção. 
Stars Hollow nos fez mergulhar com tudo de volta as temporadas passadas ao trazer elementos bem típicos da cidade, como mais um festival para a lista infinita de eventos municipais e mais uma inesquecível Town Meeting. Nada poderia ser mais a cara de Stars Hollow que Taylor e Kirk trabalhando juntos. Com isso, mais uma vez sou obrigada a ressaltar o trabalho de alguns atores, assim como tenho feito muito até agora. Todos voltaram com tudo, comprometidos com o projeto e atenderam muito mais que as expectativas ao deixarem a sensação de que a série tinha apenas voltado de um pequeno hiato. Mas é notório que alguns fizeram mais que isso. Assim como Kelly Bishop, Lauren Graham e Liza Weil, Sean Gunn veio pronto para mais um show de atuação ao retomar Kirk com tanta naturalidade. Tudo se encaixou tão bem que fica difícil imaginar Sean não sendo esse estranho, sem noção, engraçado e fofo do Kirk. Além disso, no festival tivemos Mrs. Kim em uma breve e típica aparição, Mr. Kim num rápido segundo revelador, mas que serviu para matar nossa curiosidade antiga, e Jackson inventando mais uma desculpa para a ausência de Sookie. 

Se a primavera trouxe claridade aos problemas, Lorelai viveu bem isso nesta estação. Os problemas com Emily e a decisão de continuar com a terapia foram partes importantes do episódio. Lorelai é sempre tão forte e independente que às vezes dividir um pouco dos problemas, conversar sobre eles e não tentar aguentar tudo é a coisa certa a fazer para evitar guardar sofrimento. As críticas de Emily ao seu individualismo e suas barreiras emocionais que a impedem de ter relacionamentos duradouros continuaram e se estenderam ao chamar o relacionamento de Luke e Lorelai de uma amizade colorida, nada mais que colegas de quarto. Além disso, os problemas profissionais não deram trégua, era necessário encarar as cobranças de Michel e a dura realidade de que Sookie não estava mais presente. Drama a parte (que particularmente adorei), Michel tinha toda a razão. Ao não enxergar a realidade e não estar pronto para mudanças o negócio de Lorelai ficou estagnado e a perspectiva de crescimento era zero. Com isso era preciso decidir se viver das aparências negando a falta de Sookie era mais importante que se atualizar e seguir em frente, se abrindo para o crescimento e assim manter o Michel e tentar hospedar Jennifer Lawrence.
Por falar em problemas, a bagunça de Rory ficou mais evidente. Primeiro é preciso falar de toda a pressão profissional que ela estava sofrendo. Ser bem sucedido é uma cobrança interna e externa que todos enfrentamos na vida. Lidar com nossas próprias expectativas de conseguirmos ter uma carreira de sucesso não é um simples problema, é uma realidade massacrante. Rory sempre foi muito inteligente, sempre conseguiu atingir seus objetivos e tinha sua carreira toda planejada, mas passar por momentos de incertezas faz parte da vida. E enfrentar isto não é novidade, já que ela sentiu a passagem do furacão Mitchum Huntzberger nas outras temporadas. Então, lidar com os contratempos profissionais não é nada mais que natural e exatamente por isso não foi um grande problema, pelo contrário, só tornou a personagem e toda sua jornada mais real. Agora quando falamos de vida pessoal o problema é mais sério. A relação com Paul é bizarra num nível que é difícil explicar. Ser idiota e brincar com alguém não é justificável nem quando você é Rory Gilmore e nem quando todos os esquecimentos rendem cenas bem engraçadas. E sobre Logan me limito a dizer que será abordado em outra review. 

Todas as lembranças e encontros do episódio serviram muito bem para retomar o clima das antigas temporadas, mas voltar em Chilton foi brilhante. As cenas entre Rory e a velha Paris psicopata foram simplesmente maravilhosas e valeram cada minuto do episódio. Spring foi um episódio que não teve medo de revirar os problemas e tentar resolve-los, sem deixar de lado o tom da série, é claro. O drama perfeitamente equilibrado com o leve humor, que ao mesmo tempo arranca lágrimas e consegue tirar um sorriso valeu cada ano de espera.

 P.s*: Só acho que o Kirk deveria ser premiado pelo segundo curta. 

P.s**: Mae Whitman fazendo uma breve aparição na série foi bem especial #Parenthood <3. 

Até a próxima review!
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