The Walking Dead - 7x1 - The Day Will Come When You Won't Be (Season Premiere)

Por Roberto Adryano

31 de outubro de 2016

Um episódio fechadinho para começar uma temporada que promete ser a melhor de todas. Esse foi daqueles episódios que pouco vimos na série; com começo, meio e fim, muito fiel aos quadrinhos, com uma direção espetacular e atuações de se tirar o chapéu. Claro que não estou falando que os outros episódios são ruins, mal dirigidos, etc. Só colocando que esse começo foi um pacote completo. 

Enfim, é verdade que muita gente ficou decepcionada com o final da sexta temporada e com razão já que, ao meu ver, a série não precisa desses suspenses tolos para segurar audiência, só basta entregar episódios de qualidade (como esse primeiro, por exemplo) que The Walking Dead vai continuar batendo recordes e recordes de audiência. 

Entrando no episódio, além dele ser completo em termos técnicos, como destaquei, ele conseguiu reunir tudo que a série é capaz de fazer, como, pressão psicológica, ação, suspense e, claro, muitos zumbis, coisa que também é muito difícil de vermos em um episódio só de TWD. 

O episódio começa exatamente de onde a sexta temporada acabou, exatamente após a Lucille ter feito sua vítima e como sempre, com Rick fazendo suas promessas, dessa vez ameaçando Negan. “Eu vou mata-lo. Não vai ser hoje. Nem amanhã. Mas eu vou mata-lo. ” GRIME, Rick. 

O que ele não imagina é que Negan não é qualquer vilão e que faz com que as pessoas cheguem ao seu limite psicológico para conseguir o que quer, tanto que depois da ameaça ele resolve levar o protagonista para um passeio. O que me impressiona mais no vilão é o poder de sarcasmo dele, em nenhum momento do episódio ele sente rancor pelo o que está fazendo, muito pelo contrário, ele aparenta estar sentindo prazer com tudo o que está acontecendo. Um vilão que a série com certeza precisava, que faz o que promete e não tem medo de passar de qualquer limite moral e ético (se é que isso existe em um apocalipse zumbi). 

Negan também consegue manter tudo no seu perfeito controle, sem deixar que nada saia do contexto proposto por ele, em nenhum momento o vilão demonstra falta de controle ou qualquer descuido, mostrando para Rick que não será tão fácil passar ele para trás. 

Voltando ao episódio, Negan mostra na prática que tudo que pertence ao Rick e seu grupo, agora pertence ao dele e acaba levando-o para um local isolado e cheio de zumbis. Em todo momento do “passeio” dos dois, dá a entender que Rick iria perder sua mão (assim como na HQ), isso deixou ainda mais agoniante as cenas onde eles estavam na van. A cena do Negan jogando o machado em cima do trailer e fazendo com que o Rick tivesse que ri busca-lo no meio de uma horda de zumbi foi insana, além disso no meio da cena começa a passar algumas cenas das pessoas que ficaram na emboscada, dando a entender que Rick estava pensando em cada uma daquelas pessoas, fazendo com que o público ficasse ainda mais apreensivo para saber quem teria morrido. 

No meio daquela confusão Rick consegue pegar o machado em cima do trailer e lá começa a lembrar da cena da morte que, para mim, foi uma das melhores cenas do episódio, isso porque ela está toda em primeira pessoa, ou seja, estamos no papel do Rick, vendo tudo o que ele viu no momento e acabamos passando pela mesma angustia e sofrimento que ele passou. Finalmente Lucille escolheu sua vítima e foi ninguém mais, ninguém menos do que o Abraham, o que sentimos? “Você pode respirar, pode piscar, pode chorar. ” NEGAN. Apesar do alivio por ser Abraham que morreu sem perder seu jeito, confesso que a decepção foi geral, não era possível que houvéssemos esperado tanto só para ver Abraham morrer e é aí que Daryl age como Daryl e parte para cima do Negan – WHY, DARYL? WHY? 

Claro que Negan não aceita de bom grado e faz com que ele se arrependa eternamente por sua atitude, matando-o? Não, fazendo com que ele se sentisse culpado pelo o que estava por vir, além de passar uma lição dolorida para todos do grupo. E depois do seu discurso ele acaba acertando a Lucille, sem dó nem piedade em Glenn. Que morte meus amigos, e apesar da tristeza de estar perdendo um personagem querido que acompanhamos fielmente desde a primeira temporada, foi lindo de ver a cena da HQ sendo passada idêntica para a série de TV. 

O que vem a seguir é toda uma pressão psicológica em cima do Rick. Negan sempre fala no episódio que o jeito que o protagonista olha para ele é de quem está por cima e que iria mudar isso, logo ele faz com que ele sofra o máximo para que perca esse olhar de superioridade. A sequência é uma cena que deixou a todos o mais apreensível possível, pois finaliza a pressão psicológica presente em todo o episódio fazendo com que Rick se decida entre arrancar o braço do seu filho com um machado ou causar a morte do resto de seu grupo, o pouco tempo que leva para Rick tomar sua decisão é de extrema agonia e é possível perceber como o personagem se encontra psicologicamente abalado ao se ver preso naquela situação. 

Quando Rick toma a decisão de arrancar o braço do seu filho, Negan o interrompe e mostra que é com aquele olhar de submissão que ele deve se dirigir para ele. E assim ele vai embora, levando o Daryl junto com ele e com o aviso que voltará em uma semana para coletar as oferendas de Alexandria. No fim, o grupo demonstra não acreditar em tudo o que aconteceu naquela noite... e como o próprio Negan disse: “bem-vindos a um novo começo”, não só para eles, mas para todos que assistem The Walking Dead.
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