Cinema Em Foco: O Grande Hotel Budapeste

Por Jaqueline Buss

16 de setembro de 2016

O Grande Hotel Budapeste (2014) venceu no Oscar de 2015 as categorias de “Melhor Figurino”, “Design de Produção”, “Maquiagem” e "Trilha Sonora". Não que a humilde escritora dessa coluna acredite na qualidade medida pela quantidade de estatuetas (apesar de confessar torcer freneticamente por seus queridinhos todos os anos), mas o reconhecimento da Academia diz muito sobre os grandes atrativos da obra. Wes Anderson, como de praxe em diretores, possui uma característica marcante que dá aos seus filmes certa noção de unidade, e seja nomeando-a “estética”, “fotografia” ou até mesmo “fofura”, o apelo visual quase cartunesco de Anderson é algo que muito me agrada nele.

A história segue a trajetória de um hotel europeu e seu gerente no período entre as duas guerras mundiais, explorando como plot principal a relação entre Monsieur Gustav H. (Ralph Fiennes) e seu jovem empregado Zero (Tony Revolori) em meio a intrigas familiares na busca por uma grande fortuna, perseguições na neve, personagens secundários ora bizarros, ora empáticos, romance doce como tortas Mendl’s e uma amizade digna de apreço ancorada no recurso de montagem que segue um vai-e-vem temporal gracioso.  
Partindo do ponto de vista de um escritor, que decide relatar suas experiências a bordo do Hotel e conta como conheceu o dono do lugar, que narra como o ganhou, há uma sobreposição de pontos de vistas quase confusos demais para mencionar, que, no entanto tomam uma forma natural e elucidativa na linguagem que o longa propõe a utilizar. A refinação buscada por M. Gustav frente o bárbaro cenário de guerra, e a cumplicidade entre a classe de apaixonados por seus hotéis, temperam o emaranhado de ideias.

Munido com atuações não menos do que espetaculares, e inclusive colocando o Hotel como personagem assumido, regado à trilha sonora certeira e embalando o clima excêntrico com palavrões esporádicos quase deslocados da proposta visual, não sou capaz de encontrar adjetivos negativos para tirar de Wes algum crédito que seja. Estando sempre a frente da minha lista de “revistos”, há algo de mágico sobre essa obra, que inclusive serve à todos os públicos, que só o espectador por si só é capaz de perceber.
Se de primeira impressão O Grande Hotel Budapeste lhe pareceu ordinário, lhe dê a chance de desconstruir esse preceito. Munido com um microcosmo grandioso, preenchendo as lacunas da história com nenhuma monotonia, o filme apresenta um humor ácido e quase trágico, capaz de arrancar sorrisos misturados à sensação de amargura com a ideia de que a cada minuto de tela é um minuto mais próximo do fim. Contar-lhe mais seria injusto de minha parte, você precisa ver. 

Esse texto foi escrito por: Jaqueline Buss

Assista ao trailer do filme:
Comentário(s)
0 Comentário(s)