Preacher - 1x10 - Call and Response (Season Finale)

Por Juliane Santana

6 de agosto de 2016

Uma ótima season finale, estabelecendo perfeitamente o tom da série e o que podemos esperar para a segunda temporada.

Durante os nove episódios anteriores, muitos fãs das HQs de Preacher reclamavam que a série não estava captando exatamente a essência da história em si e com “Call and Response” deu para entender direitinho essa reclamação. Vimos nessa season finale um Preacher muito mais ousado, questionando ainda mais a religião e Deus em si. O assunto religião na série começou com os questionamentos particulares de Jesse, em qual seria sua missão de vida e como ser o bom mocinho, passamos para Tulip que vivia expondo seus pensamentos sobre todo o trabalho de Jesse com a igreja e depois vimos a visão de Odin sobre Deus.

Dessa forma a série deu uma pausa em introduzir todo a mitologia por trás do enredo, explicando aos poucos o lance dos anjos, serafins, telefone do céu, inferno, para nos mostrar melhor a relação dele com o divino. Mesmo sendo bem arriscado, causando até uma sensação de ritmo lento, acredito que essa escolha foi importante para entendermos toda a motivação de Jesse em encontrar Deus, algo que veremos com mais vigor na segunda temporada.
A sequência dos eventos nesse episódio foi essencial para captarmos a sensação de parceria dos três no final. Primeiro vimos Tulip voltando a cidade, enfrentando seu problema com Carlos com ajuda de Jesse, Cassidy mantendo sua lealdade e não revelando muita coisa para o Xerife e por fim o Pastor resolvendo seu assunto com a igreja e comunidade, podendo assim começar sua missão em encontrar Deus. Juntando tudo isso temos o trio em harmonia para uma nova aventura. Entretanto, já deu para sentir uma dorzinha com Cassidy vendo o beijo entre Tulip e Jesse. Não estou afim de drama com triângulo amoroso não, muito sofrimento.

O mais interessante e discutível desse episódio foi a forma que a cidade de Annville lidou com a descoberta que Deus está desaparecido, fazendo assim a população rever seus valores, suas crenças e atitudes. Esse momento daria para ser bem melhor trabalhado, mas deu para entender a intenção com cenas como a eutanásia da Tracy, as menininhas do ônibus escolar fazendo justiça com as próprias mãos... dava para ter sido mais enfático nas consequências após a descrença em um Deus numa comunidade tão religiosa e conservadora.
Com o fim de Annville também tivemos que nos despedir de Emily. Essa era uma personagem que eu passei a gostar com o decorrer dos episódios, ela ia demonstrando melhor sua personalidade e rendia cenas hilárias com Tulip. Sentirei falta. Esse evento foi um ponto importantíssimo da série, de agora em diante a maioria dos personagens que conhecemos não existem mais, dando um espaço maior para introduzir novos e quem sabe mais interessantes. Preciso dizer que vou sentir falta dessa cidade bizarra.

Por fim vou ressaltar os dois pontos altos dessa season finale. Primeiro: toda aquela cena de “Deus” na igreja, eu chorei de rir com os comentários da Tulip e fui a primeira a desconfiar que algo estava errado. Adorei a forma que essa cena contribui imensamente a estabelecer o tom da série e introduzir o plot principal. Segundo: o Santo dos Assassinos aparecendo no final falando “Preacher”. Amei. A partir desse momento deu para sentir que a caçada vai começar, mas senti falta do DeBlanc. Por que será que apareceu só o Fiore?

Resumindo tudo, adorei a season finale e acredito que serviu exatamente ao propósito que eu estava pedindo. De uma forma ou de outra, esse episódio salvou a série e me deu uma vontadezinha de acompanhar a aventura de Jesse, Tulip e Cassidy e participar de toda essa louca entre céu, terra e inferno.


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