Feminismo Em Série: Farewell Agent Carter

Por Marcela Virães

1 de julho de 2016

Como prometi: VAI TER TEXTO PRA PEGGY SIM! Então, queria pedir desculpas de antemão pela empolgação, tá? É que eu tenho um carinho muito grande por essa personagem e por essa série em si. Bom, como muitos já sabem a nossa querida Peggy Carter acabou nos abandonando definitivamente, não só no universo da televisão (pra quem não viu Guerra Civil, cuidado com o spoiler agora) mas no cinema também, o que pra mim, particularmente, foi uma grande tristeza. 

Então, a personagem da Peggy Carter foi introduzida nos cinemas com o filme “Capitão América: O Primeiro Vingador” e acabou ganhando uma série própria na ABC logo depois. O seriado mostra a personagem, de volta ao EUA, logo após os acontecimentos da Segunda Guerra, a qual ocorre durante “O Primeiro Vingador”, focando na heroína e no seu dia a dia, além de suas aventuras, ao lado do seu companheiro fiel, Jarvis, buscando solucionar crimes enquanto trabalha para uma organização secreta do governo chamada Reserva Científica Estratégica (SSR, como é chamada na TV). 

Enquanto o enredo da série se desenvolve, paralelamente, podemos notar certos comportamentos de personagens masculinos e situações bem críticas nas quais a Peggy acaba se encontrando recorrentemente por conta de seu gênero. Fica claro todo o machismo do qual a personagem é vítima durante cada episódio da série, onde é constantemente destratada, desvalidada e desacreditava milhões de vezes pelo simples fato de ser uma mulher. O interessante é que mesmo com o seu sucesso profissional e a fama que conseguiu após sua atuação ao lado do Capitão América, o que continua falando mais alto aos ouvidos da sociedade e comprometendo a sua credibilidade não deixa de ser o seu gênero. 

Vale lembrar mais uma vez que Marvel’s Agent Carter se passa em 1946, logo após a guerra, ou seja, numa sociedade onde mulheres sofriam ainda mais por continuarem a serem vistas como seres inferiores aos homens, de uma maneira muito mais intensa do que se é hoje. Numa época onde alguns empregos ainda eram ocupados apenas por homens, Peggy consegue se tornar uma agente secreta, participar ativamente como uma figura importante em uma das maiores vitórias dos EUA e em uma das grandes guerras mundiais e se torna uma das fundadoras da SHIELD (todo mundo sabe o que é a SHIELD então vão entender a importância desse fato haha), sem contar com todo o seu sucesso em relação aos casos ligados a SSR que são contados na série. Entendendo isso, conseguem imaginar agora o tamanho da importância dessa personagem para a representação feminina no mundo dos quadrinhos? Sabendo que o mercado de HQ’s é um campo extremamente machista e misógino, ter uma personagem que seja uma mulher e que possua tamanha importância nas histórias é algo muito significativo, pelo menos na minha opinião. 
O meu enorme xodó por essa personagem se dá principalmente pelo fato da Peggy ser umas das pioneiras nesse universo e conseguir fazer da sua caminhada e da sua história algo tão impressionante e o significado que isso acaba tendo para a figura feminina como um todo, considerando todas as dificuldades impostas pela sociedade de sua época. Mas agora chega de babação, vocês já entenderam. Na verdade, eu só quis fazer esse texto como uma forma de me despedir dessa seriezinha tão querida e que trazia uma certa significância para o público feminino, tendo em vista o fato de que o que mais temos hoje em dia nos cinemas e na televisão são heróis, do gênero masculino, e a Peggy sendo uma das poucas heroínas que conseguiram ganhar um bom espaço na mídia. Ou seja, em outras palavras: é realmente uma pena o seriado ter sido cancelado. Não digo isso pela qualidade, que para mim era boa sim mas entendo que para outros nem tanto, mas sim pelo fato de ser uma das séries, dentre as três únicas que consigo me lembrar agora, focadas em uma super-heroína! Já não basta a gente não ter brusinhas de super-heróis na sessão feminina nas lojas de roupa, agora a gente tem que perder uma série também? Onde será que esse mundo vai parar para nós mulheres? E é sério, eu sou realmente revoltada com essa história das "brusinhas" porque eu, como uma leve admiradora do mundo dos super-heróis, me sinto silenciada milhões de vezes por essa extrema falta de representatividade e grande machismo dentro dessa indústria. Sério. É absurdo que ainda nos dias de hoje, com todo esse novo boom das HQ’s, mulheres ainda sofram com tanta opressão nesse grupo social, falo não só sobre a questão das personagens em filmes e séries, mas também sobre os consumidores desse tipo de produto que, não se enganem, TAMBÉM SÃO MULHERES. 

Na verdade, se pararmos para pensar, com base nisso, nem é tão inesperado essa falta de representação de super-heroínas na mídia, uma vez que o próprio mundo geek é um ambiente opressor à figura menina, ou seja, é o que eu venho dizendo sempre aqui: o reflexo da nossa sociedade mais uma vez se provando presente nas produções de mídia atuais. Então, eu acho que séries como Marvel’s Agent Carter e personagens como a Peggy Carter são de grande importância para a desconstrução desse universo hostil e dominado pelo machismo que é o universo geek, além de trazer representatividade e voz para o público feminino consumidor desse tipo de produto, e não estou me referindo apenas a séries, mas filmes, livros, jogos, HQ’s, tudo que esteja envolvido nesse nicho. 

Enfim, como já disse, deixo aqui meu farewell para a Peggy na esperança de que ela tenha apenas aberto as portas para que mais séries e personagens como ela venham a aparecer em nossas telinhas e em nossos corações.
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