SuperStar - 3x11 - Top 8 (Semi Finais)

Por Alvaro Luiz Matos

20 de junho de 2016

Estamos chegando à reta final e temos muito o que comemorar e muito o que questionar nesse formato, tanto da produção quanto do público. Bora lá?

A Globo baixou um decreto dizendo que domingo a tarde é o dia e hora para os seus realitys musicais, já estamos a meio ano acompanhando The Voice, The Voice Kids e Superstar, e muitos dos espectadores já estão de saco cheio dos novos talentos que surgem no país. A verdade é que a audiência qualificada vem caindo e a incidência de votos também (afinal a dona de casa que senta para ouvir boa música na hora do almoço não pega o seu celular para votar em qualquer que seja a banda).

De qualquer forma, fica a dúvida: o que é melhor? Atingir um numero maior de famílias aos domingos à tarde, ou agitar as mídias sociais nos domingos à noite (ou quintas à noite como eram o caso do The Voice)? Programa de música é pra 'grande família' ou para aqueles que assistem procurando um novo 'ídolo' para chamar de seu?

Todos sabemos que a audiência qualificada é aquela que se mantém presente e se importa se o programa existe ou não. E somos nós que comentamos sobre as bandas e buscamos conteúdos sobre elas na internet, formando a base dessa audiência qualificada. Ao passo que a grande massa sente pouca falta se aquele programa 'X' está ou não na programação. Ou você ouve sua cunhada adorada dizer que sente falta do Esquenta que antes ela dizia amar tanto? A grande massa se contenta muito com o que está na TV, com entrevistas e reportagens vazias que os diversos programas de auditório apresentam.

É nisso que mora o meu medo. Popularizar demais esses realitys pode acarretar em um final um pouco prematuro deles. É só aguardar que logo vocês chegam a essa conclusão.

Apesar disso, o nosso objetivo aqui é falar de música e analisar as bandas que estão no programa, certo? Então aproveitando o clima de crítica, alguém me informa como é que a Fulô de Mandacaru chegou as finais do programa com reais chances de levar o prêmio?

Vem comigo que eu lhes explico a minha indignação.

Entendo o poder que a música nordestina tem e nem ousaria desvalorizar o poder do forró, do xaxado ou do baião, mas insisto em dizer que não é o estilo musical que entra semanalmente no palco para concorrer. E sim uma banda que até aqui não trouxe contribuição nenhuma para esse estilo (além de fazer homenagem), sem nada novo, sem compor músicas relevantes quanto aquelas que cantam e sem ao menos ser a melhor banda de forró que já participou do programa.

Vou pegar como exemplo a dupla que venceu a temporada passada, Lucas e Orelha. Eles representavam esse novo Funk melódico que tanto se toca no país, esse movimento musical que, você goste ou não, tem significância para essa nova cultura que se forma no Brasil. Mas eles se limitaram a cantar funk e agitar os fãs do ritmo? Não, eles compuseram e somaram ao movimento. A Fulô de Mandacaru não soma, ela vive de mostrar o que o norte tem de melhor, faz bem feito, emociona e agita, mas isso não deveria determinar quem vence o programa. Vocês conseguem imaginar um CD deles? Seria uma coletânea e não um CD autoral.

E ainda tiraram da Valente um lugar na final, banda que apresentou a sua melhor composição autoral nesse domingo (e talvez a melhor do programa "in my opinion") e não vai concorrer ao prêmio assim como a Melim e nem a Pagan John (apesar destes produzirem conteúdo novo). Vou repetir uma frase que disse no meu twitter: é preciso honrar e homenagear o passado, o que não podemos é viver dele e abrir mão de novidades.

Desabafo feito, vamos falar das bandas que podem ou devem ganhar o programa. Primeiro a minha favorita: PLUTÃO JÁ FOI PLANETA.
Lembro que no começo do programa eu me preocupava um pouco com o trabalho que eles produziam, uma vez que entre as bandas do programa a "Plutão" era a que menos possuía conteúdo atualizado no seu YouTube, me deixando em dúvida quanto a evolução que a banda teve ao passar do tempo. O estilo um pouco Indie e retrô ficaram marcados ao decorrer do programa, a voz da Natália Noronha ganhou notoriedade e os arranjos flutuaram entre o simples e o ideal. As canções novas e então desconhecidas do público eram ainda melhores que aquelas já conhecidas, os arranjos eram diferentes uns dos outros e a banda se mostrou pronta e completa. Citando Paulo Ricardo, essa é a banda mais completa dessa temporada.

Se formos comparar as 3 bandas (Bellamore, Plutão e OutroEu) a Plutão possui um tempo de estrada maior, possui uma característica definida em suas composições e pode não ser a melhor em todos os quesitos, mas é a que tem o menor desvio padrão entre eles ou seja, ela é boa e se equipara em tudo.

A BELLAMORE, por exemplo, é a banda que apresenta os melhores arranjos da competição, mas já perceberam que as composições próprias não possuem a força que precisam para empolgar o público e até por isso tem apostado no seguro, fazendo ótimos covers nas últimas duas semanas. Eles sabem que precisam trabalhar mais em suas letras, dar a elas mais relevância e então emplacarem algum sucesso. Aliás, dentre as bandas finalistas (estou sempre excluíndo a Fulô das minhas análises) ela é a única que não emplacou nenhum sucesso autoral até aqui.
Já a OUTROEU tem os melhores hits de sucesso, possui pouca variedade de arranjo (o que também não é proposta do Folk) e uma trajetória um pouco menor como "grupo" ou "banda". Tenho até minhas dúvidas que a formação da banda não venha ser alterada ou que o Mike Túlio não opte por uma carreira solo em pouco tempo; baseado no fato dele possuir um canal próprio no youtube e boa parte de suas belas canções não precisarem de um arranjo incrível, apenas voz e violão.

Dessa forma, encerro esse texto afirmando que a banda que mais merece o título do programa é a Plutão Já Foi Planeta, e vou convidá-los a dizer para quem estão torcendo. Não custa, tem dois campos de comentários abaixo, tanto pelo Facebook quanto pelo Disqus, então comente e deixe sua opinião, mesmo que seja contraria à minha.

Abraços e até semana que vem.

Assista todas as apresentações da Plutão:AQUI
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