Cinema Em Foco: O Babadook

Por Jaqueline Buss

8 de junho de 2016

Por algum motivo tem sido extremamente difícil, para mim, digerir a quantidade de filmes de terror lançados aos montes nos cinemas ultimamente. A impressão que tenho é a de que a indústria saturou-se e acomodou-se ao propor recursos limitados à cena em que algo monstruoso entra em foco somado a uma trilha sonora que sobe e faz o espectador retrair-se na cadeira de medo. Não há aparente profundidade, uma história convincente ou um final que fuja do clichê. Posso citar alguns exemplos, como o famigerado “Atividade Paranormal”, que após a fórmula de sucesso do primeiro parece não conhecer os limites do bom senso ao revisitar meia dúzia de vezes a mesma trama, e o mais recente sucesso de bilheterias “Invocação do Mal”, que sofre do mesmo mal. 

Após a descarga de alguns anos de indignação com tal fato, que me frustrava no cinema cada vez que os créditos subiam, venho dar ao leitor boas novas: há esperança, e ela não está nos holofotes da bilheteria ou nos cartazes colossais pelas ruas da cidade. Antes de tornar essa postagem partidária das produções menores, independentes ou que recebem menos atenção, o que não é minha intenção no momento, falemos de O Babadook (2014), que marca a estreia de Jennifer Kent como diretora. 
A história segue a trajetória de uma mãe (Essie Davis) e seu filho (Noah Wiseman) no tormento causado por uma entidade do mal, reconhecida em um livro pelo menino. Em contraponto ao sobrenatural, a realidade os afronta igualmente, visto que a trama se passa seis anos após a morte do marido e pai, deixando na mãe uma dificuldade de criar laços afetivos com sua prole. Nas classificações atribuídas ao filme, o termo que aparece com maior frequência é terror psicológico, o que particularmente acho encaixar perfeitamente na proposta do mesmo. Há algo de perturbador no comportamento dos personagens e o desconforto é natural ao testemunhar esse enredo. 

Espero ter criado, até esse trecho do texto, uma curiosidade em desvendar os mistérios que plantei nas lacunas que exploram alguns aspectos da obra, pois não pretendo avançar uma palavra se quer nesse sentido. Sou adepta do “elemento surpresa” e o considero, em alguns casos, como esse, parte essencial da experiência absorvida de um filme. As últimas cenas brindam a paciência com uma metáfora inteligente. Como último aviso lembro-lhes que O Babadook não deve, do início ao fim, receber um olhar extremamente literal. Permita-se divagar sobre o que vê e transcender o clichê que geralmente habita o ponto final do roteiro.

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