Bones - 11×20 - The Stiff in the Cliff

Por Janaína Guaraná

30 de junho de 2016

Eu poderia fazer esse episódio em poucas linhas, mas como não falar da Brennan e da sua contínua capacidade de nos surpreender; uma pessoa pragmática que tem clara as noções de certo e errado e nunca se envolve emocionalmente nessas decisões. De um modo bastante particular ela provou ser amiga e mentora do Clark, além de entender os motivos que o levaram a ocultar as evidências quando, na verdade, nem era um antropólogo ainda e existem pessoas que aproveitam da nossa ingenuidade e moldam os acontecimentos de forma que os beneficie, o que diz mais sobre a pessoa do que sobre nós. Nem por um momento achei que a Brennan se omitiria em relação ao Clark e sim apostei que ao resolver o caso a inocência dele ficaria óbvia, porque para ela a inocência dele era algo que não precisava ser discutida e assim é a Brennan, se algo é muito óbvio para ela deve ser para os demais. 

A discrição do Clark pode ser entendida, nesse episódio, quando viu que tinha chances dessas verdades que ele guardava vir à tona. Ele mais uma vez usou da discrição que sempre demonstrou, talvez por medo ou por vergonha e ainda mais por ser pupilo da Brennan e não ter visto as falsificações, aparentemente o medo de decepcionar sua professora o fez agir assim. 

Quem tem irmãos sabe a grandeza de não ser sozinho nesse mundo de incertezas, com a Cam não seria diferente e aceitar tudo o que a irmã sugeria mostra o mais puro receio de perder a paz instaurada com a irmã, mas o Hodgins tem razão quando diz que ninguém sabe o que a gente está pensando a não ser que digamos. E um dia tão importante assim não poderia ser reflexo dos sonhos de outra pessoa que não fosse a noiva. E a Cam ao dizer suas preferências também demonstra confiança na irmã, temos que ser quem nós somos e fazer o possível para realizar nossos sonhos, afinal só temos uma vida. Penso eu que estar entre irmãos é estar em casa e sempre poderemos ser quem somos, seja com nossos defeitos ou sonhos que achamos bobos. 
Como duas pessoas que não concordam em absolutamente nada conseguem ser um dos casais mais apaixonados da ficção? E além da paixão, selar um companheirismo tão leal a ponto de nos fazer acreditar em contos de fadas. Pode ser que a única coisa que eles concordem seja o fator mais importante de um relacionamento; amar a pessoa como ela é e respeitar os caprichos que nos definem. Claro que todos temos defeitos, mas o amor é sobre as coisas boas que vemos na imperfeição de cada um. É sobre as coisas que não podem ser explicadas e escritas, sobre aquilo que só quem está apaixonado vê. 

Minhas queixas ficaram prolixas, espero que as crianças não estejam em quarentena e que a Christine faça mais participações especiais. Que a Brennan e o Booth possam nos mostrar um pouquinho dessa convivência diária que me faz tecer linhas a fio sobre eles. Que a Cam tenha o casamento que sempre sonhou e que sejamos convidados a ver isso. Que essa paz entre Angela e Hodgins não deixe o casal apático como tem sido nos últimos episódios e desenvolva as dificuldades naturais dessa condição. Que esse vento calmo que eu tanto reclamo não se transforme naquelas tempestades comuns das finales que partem os corações desavisados. 

Está se formando uma nuvem grossa, feita com todas as coisas boas que se juntaram nesses anos, todas as pessoas que conhecemos e todas as vezes que paramos a loucura diária para assistir Bones, essa nuvem carregada de saudades.
Comentário(s)
0 Comentário(s)