Marseille - S01E02 - Homme de paille

Por Juliana Pereira

10 de maio de 2016

SPOILERS ABAIXO:
Estou encantada! Não só pela cidade de Marseille, mas pelo enredo dessa série. Se o primeiro episódio veio carregado de informações e charme, o segundo não ficou para trás.

Ao contrário de outras séries em que o enredo vai se "desenrolando", em Marselle o roteiro pareceu "engrossar" - tipo o feijão de vó. Caro leitor, eu sempre vi a política como um jogo em que só ganha aquele que tiver um time denso pois sozinho ninguém faz nada. Vou me explicar melhor: Na política nada é certo (vemos o que está acontecendo aqui, na vida real) logo, acredito que a tal "densidade" se deve ao conteúdo que prende um político ao outro e que deve ser alimentada sempre, aí entram as propinas, chantagens, troca de poderes, entre outros. 

Voltando para o mundo quase real de Marseille, temos Barrês que se preparou por 20 anos para derrubar o então prefeito da cidade, Robert Taro. Pelo que entendi nesses dois primeiros episódios, ele fez quase tudo sozinho, mas agora está cada vez mais envolvido com a Máfia e a esposa de um secretário, que troca favores sexuais atualmente para conseguir, acredito, uma forma de poder no futuro. Acho que nessa parte, Dan Frank pecou um pouco, pois não temos um partido efetivamente, e sim pessoas.

Preciso lembrá-los do lema Frances: Liberdade, Igualdade e Fraternidade, em que foi modificado por Dan para Liberdade, Igualdade e Rivalidade como frase de efeito para Marseille, achei legal a associação, mas penso que se tivessem trocado as três palavras seria muito melhor pois liberdade na série já vi que é algo relativo e depende do ponto de vista, igualdade não existe nem na vida real, quem dirá na série...a única que encaixa é a última, rivalidade. A partir disso, temos morte, uma boa dose de corrupção e um pingo de chantagem.

O lado social está me chamando bastante a atenção, pois é muito difícil não notar o cuidado que a produção tem ao trabalhar com o assunto. A filha do prefeito, Julia, é jornalista e trabalha em um grande jornal, pode parecer meio clichê uma menina rica, branca olhando para os menos favorecidos, só que é legal mostrar o quanto seria importante pra ela escrever sobre essas pessoas e como elas sobrevivem nos chamados 'cojuntos'. Contudo, ela só aceitará escrever se não precisar usar o sobrenome do pai, e temos então várias desconstruções sociais em apenas um ato! 

Dando continuidade a essa parte bonita da força feminina, esse segundo episódio abriu margem para um drama: a doença da mulher do prefeito, Rachel. Violinista talentosa, terá que parar de tocar. Vejo neste momento duas saídas: Ou a vida dela acaba e seu papel na série fica uma me.. ou ela dará volta por cima para eu escrever um texto apenas sobre isso. Vamos torcer pela segunda opção. 

No IMDb a série está com notas medianas, sete e pouquinho, mas eu estou gostando de como os assuntos em geral estão sendo abordados em Marseille. E você leitor, o que acha?




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