Feminismo Em Série - Thank God It's Thrusday!

Por Marcela Virães

28 de abril de 2016

 SPOILERS ABAIXO
Hoje a série que merece uma salva de palmas é a nossa querida, e também constantemente confundida com uma novela mexicana, Grey’s Anatomy. Quando a gente pensava que não tinha mais para onde correr, que já estava saturada, flopada e que não tinha mais jeito, a nossa amada Shonda Rhimes vai lá e nos surpreende mais uma vez trazendo uma nova temporada carregada no empoderamento feminino!

Como a fã besta que eu sou dessa série, acompanho desde a primeira temporada e, dentre todas as 12, a que mais me trouxe alegria foi a atual. Claramente a Shonda nunca abandonou ou maltratou alguma de suas personagens femininas, na verdade, na questão de representatividade feminina, Grey’s Anatomy sempre deu vários acertos, trazendo uma gama de personagens diferentes umas das outras em diversos aspectos e tratando de diversos assuntos que são tabus para mulheres, dentre eles a liberdade sexual e a questão da escolha em relação ao aborto. Além de plots que abordam situações de relacionamentos abusivos de vários tipos. Enfim, o que eu quero dizer é que essa onda feminista na série não aconteceu de repente, mas que está tomando uma maior força agora, o que estamos todas amando, creio eu.

Para começar bem, um dos pontos mais altos da temporada é que, além de mostrar o sucesso das personagens femininas principais em relação às suas carreiras, como a promoção de várias à chefia de seus departamentos, esse ano a chefe geral do hospital se tornou, pela primeira vez na história da série, uma mulher negra! E não podemos esquecer também de todo o trabalho sobre o plot da Meredith com a perda do Derek. A maneira como a Shonda vem abordando a morte do personagem é bem interessante, por que durante 11 temporadas nós só conhecíamos aquela Meredith que estava sempre, entre idas e vindas, mortes e sofrimentos, com o Derek ao seu lado e, nessa 12ª, ela mostra que há sim uma Meredith sem um Derek, e que sim: ela é o sol. Para a surpresa de muitos fãs, que achavam que a série não vingaria depois da morte de um dos personagens mais importantes, a Shonda mostrou que a Meridith era completamente capaz de sustentar a série sozinha e não precisava de um par romântico para isso. Ela ainda reforça essa ideia, de maneira bem inteligente, na minha opinião, quando insere um personagem aleatório, em um dos episódios, como um possível novo par para ela e logo em seguida o retira de forma que ainda deixa uma possibilidade de futuro para eles, mas que faz questão de ressaltar que ela não precisa de um cara para conseguir superar os problemas na sua vida e que aquele é o seu momento e que ela precisa estar com ela mesma.

Também nessa temporada temos o plot da April com o Jackson, com uma situação bem conturbada de separação, que dentre várias discussões foram encaixadas situações onde podemos sentir o empoderamento da April crescendo perante o assunto, principalmente, no mais recente que é a sua gravidez. Em uma das cenas onde o Jackson sugere um aborto há todo um discurso empoderador da personagem sobre como o seu corpo pertence a ela própria e como ela não acreditava nesses métodos (por sua religião) e por isso nunca seria uma opção para ela. Essa situação faz um contraponto enorme e remete ao caso, completamente oposto, da Cristina Yang (lembram dela, né? Nossa queridíssima) que da mesma maneira que a April, acredita e defende que seu corpo lhe pertence e por isso escolhe o caminho do aborto. O debate que esses dois acontecimentos trazem é simplesmente maravilhoso: duas mulheres que defendem a liberdade de seus corpos da mesma maneira mas que acabam optando por caminhos diferentes quando são dadas às mesmas opções, o que reflete e reitera toda a construção de personalidade do personagem incorporada às suas situações, pensamentos e crenças completamente distintas e que devem ser respeitadas da mesma maneira. Nesse ponto, a Shonda acaba tratando disso, na minha opinião, com muita excelência, relembrando os direitos das mulheres e mostrando que há a opção de escolha e que ninguém deve ser obrigado a ir pelo caminho em que não acredita.

Não para por aí, como já disse, a temporada está carregada no feminismo, com quotes empoderadores, situações de desconstrução ou críticas a situações reais, com as personagens femininas ascendendo na carreira e conseguindo salários e cargos mais importantes no hospital, o que acaba entrando aqui também é a questão sobre a diferença salarial entre homens e mulheres, existente em todo mundo, e todos os privilégios no ambiente de trabalho que são recebidos por homens, isso tudo dentre vários outros pontos na série que também estão cada vez se tornando mais feministas. AH! Não podemos esquecer que, além do feminismo, também nos é trazido, em um episódio, um debate interessante sobre racismo, o que não é a primeira a ser abordado, porém, agora veio um foco maior e junto à questão do empoderamento feminino.

Em suma, é por isso que acredito que Grey’s Anatomy anda merecendo sim uma salva de palmas por tantos acertos nessa temporada. Então aqui vai um parabéns acompanhado de um desejo e esperança de que se continue caminhando nessa direção que, pelo o que eu vejo, promete ficar cada vez mais linda, e por mais séries com melhor representatividade e que, para além dos clichês e dramas de sempre, ainda aborde temas e debates socialmente importantes, não só para mulheres mas também para todas as outras minorias existentes.

Esse texto foi escrito por: Marcela Virães
FACEBOOK: /SeriesEmFocoWeb
TWITTER: @SeriesEmFocoWeb
INSTAGRAM: @SeriesEmFocoWeb
Comentário(s)
0 Comentário(s)