Cinema Em Foco: Star Wars - O Despertar da Força

Por Jaqueline Buss

11 de abril de 2016


Senta que lá vem textão. E tem spoiler.

Mesmo após tantos meses se passando da estreia do Episódio VII, algo ainda entala em minha garganta ao falar dele, ou melhor, algo freia meus dedos ao teclar essas palavras. Como fã incondicional de Star Wars, tenho o coração aquecido com a ideia de ver a franquia reviver, culminando na oportunidade de ver o letreiro amarelo rolar pela tela ao som da trilha mais icônica da história do cinema, mas preciso desabafar meus receios. Se a segunda trilogia pecou pela originalidade sem cautela (não aceito midi-chlorians!) talvez a terceira peque por estabelecer um universo excessivamente distante das arestas da zona de conforto e acabe transformando toda a franquia em uma árvore genealógica da família Skywalker.

Em todas as minhas publicações procuro plantar no leitor a curiosidade por ver a obra, por descobrir o desfecho que meu resumo sem desvendar muito do plot por ventura aflore. Em “O despertar da Força”, no entanto, preciso adentrar inevitavelmente a zona de spoiler, então se ainda não teve a oportunidade de dedicar algumas horas ao passeio por uma galáxia distante, o faça e retorne em seguida, teremos desavenças e concordâncias referentes às impressões. Comecemos pelo final, como George Lucas nos ensinou...


No final de 2016 teremos Rogue One, filme que se localiza na linha temporal entre os episódios III e IV, contando sobre o esquadrão que conseguiu capturar os planos da primeira Estrela da Morte, processo vital nas vitórias posteriores da Aliança Rebelde sob o Império Galático, com a explosão dessa colossal arma. Obstinados em sua causa, a construção de uma nova Estrela da Morte por parte do Império alavancou a luta, agora resumida a descobrir a sua localização, uma vez que a engenharia da estrutura já era de conhecimento rebelde. Para a minha surpresa, e desapontamento, o episódio VII traz novamente uma Estrela da Morte sob a disfarçada alcunha de “base StarKiller”, maior e com potencial devastador elevado comparado às antecessoras. 
Uma arma colossal a ser destruída. Uma jovem e humilde figura oriunda de um planeta deserto ansiada por engajar-se numa luta que a liberte da vida ordinária. Um droide com informações importantes que precisa chegar às mãos dos rebeldes. Um vilão mascarado misterioso extremamente poderoso e intimidador. Uma donzela em perigo que definitivamente não depende de constantes salvamentos e é capaz de subjugar seus opressores. Um amigo improvável que inicialmente tem interesses individuais, mas acaba se unindo à causa. A fuga marcante a bordo da Millenium Falcon. A descrição anterior, caros leitores, serve tanto para o filme de 1977 quanto para o de 2015. Acredito ter deixado claro meu incômodo com a zona de conforto sequer arranhada pelo filme de JJ Abrams, pois a história é essencialmente a mesma.

Por mais que não tenhamos uma obra nota 10, temos de fato novidades interessantes. Rey (Daisy Ridley) protagoniza a nova fase alavancando a representatividade feminina a um patamar inédito na franquia. Leia (Carrie Fisher), agora General, foi o símbolo de força de uma geração, mas sempre ancorada à sombra do irmão, Luke (Mark Hamill), o protagonista clássico que traça a jornada do herói. Como as comparações são inevitáveis, exemplificadas no parágrafo anterior, Rey é Luke e Luke é Yoda. A catadora deixada na infância em Jakku tem o necessário, e até de sobra, para empunhar essa responsabilidade. Espero de Rey algo grandioso, uma vez que se mostra poderosa no manejo da Força, que de engatinhando passa em poucas cenas à corrida.

O uso da Força, no adendo do assunto, é talvez o tópico mais polêmico do filme, porém, como o título bem sugere, ela despertou (felizmente tratada ainda como uma espécie de religião arcaica, fugindo do ridículo conceito já citado no início do texto). Além de Rey, Kylo Ren (Adam Driver), neto de Darth Vader, é aparentemente mais poderoso que o avô, parando blaster em pleno trajeto e torturando mentalmente Poe Dameron (Oscar Isaac) na obtenção sucedida de informações sobre os contraventores de sua causa, a Nova Ordem. É importante ressaltar que apesar do espetacular manejo da Força, não possuem treinamento completo, ou nenhum treinamento no caso de Rey.
Rey não é uma Jedi e Kylo Ren não é um Sith, as nomenclaturas clássicas são termos usados apenas para referenciar “lendas” antigas, o que deixa a figura de Snoke suspensa numa áurea de névoas. Quando ordena que Kylo “termine seu treinamento”, constrói teorias inúmeras em torno de seu poder e extensão de sua atuação, as quais não citarei porque nenhuma explica satisfatoriamente o personagem em meu ponto de vista, exercendo aqui o meu direito em requerer novidades não tão facilmente explicáveis como tem parecido no primeiro filme da nova trilogia. Um último detalhe de Kylo é seu temperamento instável e sua interessante luta para se manter no lado negro, uma vez que é constantemente chamado para a luz. Não esqueçamos que Vader fraquejou ao matar o filho, já Kylo não hesitou em matar o pai. Vader tinha uma motivação balançada, da época que ainda era Anakin, já Kylo tem motivações ainda obscuras, porém claramente mais fortes onde há um potencial absurdo para seu futuro, não ousem duvidar dele.

Ao ler “Marcas da Guerra”, livro publicado no ano passado pela editora Aleph, esperava, por boatos da internet, ter um vislumbre elucidativo sobre os chamados “Cavaleiros de Ren”, que aparecem poucos segundos no trailer e no filme. No livro, o máximo que temos é um grupo atrás de relíquias de Vader, que inclusive picha paredes com “VADER VIVE”. Não acredito, porém, que tenha relação direta com o grupo estabelecido na figura de Kylo e seus companheiros, que ganham o “Ren” em seus nomes. Recomendo, no entanto, o livro por discutir questões políticas. Algo muito claro no episódio VII é o surgimento da Nova Ordem e a Resistência fortalecendo-se para bater de frente com o antagonista, o que deixou alguns espectadores se perguntando sobre o sucesso obtido no final do episódio VI. Em termos curtos, os ideais do Império contaminavam a galáxia, sendo apenas o começo da luta a vitória em Endor.

Por Finn e não menos importante (trocadilho obrigatório), temos uma nova leva de alívios cômicos que são um dos poucos aspectos unânimes de aprovação entre os fãs. BB-8 preenche a cota de droides fofinhos que esgotam das prateleiras das lojas de brinquedo em um “UOON” de sabre de luz e Finn (John Boyega) conduz as situações de estresse com a leveza de que só quem irrita Han Solo é capaz de alcançar. E Bobba Fetts, querido leitor, não são criados, eles simplesmente acontecem; vimos pouco de Phasma e sua imponência prateada, mas ganhamos o icônico “TRAIDOR”, uma troca justa eu diria. A humanização dos Troopers é o ponto mais alto do filme; não são clones, não são completamente submissos, o que acaba rendendo a cena mais hilária de “O Despertar da Força”.
Sobre Luke, Hammill nos presenteou essa semana com uma cena que PRECISA estar no Episódio VIII e que você encontra no final desta publicação. Em linhas gerais, cheguei a uma teoria interessante ao escrever esse texto, que tanto me custou esforço e coragem para explorar esse universo com o qual tenho uma relação tão pessoal: Os Episódios que não tem ou não mencionam a Estrela da Morte são inferiores, mas conto com o VIII para provar-me errada (CHEGA DE ESTRELAS DA MORTE). Que a Força esteja com vocês e com Jyn Erso, não esperamos menos do que o incrível de Rogue One. 


Esse texto foi escrito por: Jaqueline Buss
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