Vikings - S04E06 - What Might Have Been

Por Roberta Brum

28 de março de 2016

SPOILERS ABAIXO

Antecipação. Este foi o foco do sexto episódio da quarta temporada de Vikings.

Lagertha é uma personagem que admiro muito e cada vez mais essa admiração cresce. A cena de abertura é um exemplo disso. É um personagem simultaneamente complexo e inteligível, ao mesmo tempo uma assassina fria e uma mãe zelosa, Lagertha é franca e aberta, e ao ser questionada pelo assassinato de Kalf, sua equação é simples: Kalf a traiu, a destronou e ela jurou que se vingaria. Ponto. E ela agiu como tal, como se fosse o ato mais corriqueiro e esperado do mundo, não são necessárias desculpas ou falsos pretextos, ela é o que é: genuína, passional, real e ela cumpre suas promessas.

O cerne do episódio foi a convergência das tramas e personagens: Ragnar, Bjorn, Lagertha, Harald, Floki, enfim, os personagens nevrálgicos da série rumam a Paris e a Rollo. Sou simplesmente apaixonada pelos rituais nórdicos, especialmente os que contam com música ou cantos, como foi na terceira temporada, a trilha que acompanhou o trágico fim de Athelstan (Helvegen, do Wardruna). A música engrandece e empodera a cena de um modo único, grande parte da carga dramática é fornecida pela música. Neste episódio não foi diferente, esta cena em especial destaca-se não apenas pela beleza, mas também pelo significado, é um momento crucial e decisivo, pois marca o início da jornada que - eu pelo menos - defini como principal na temporada, e pela qual venho aguardando episódio a episódio: o confronto entre Ragnar e Rollo, logo, sintetizada e representada pela invasão a Paris. A sequência, em plano aberto, ambienta a invasão e situa o poderio viking, mostrando dezenas de barcos no horizonte, intercalada por primeiros planos no semblante de cada personagem-chave, criando a tensão da batalha por vir.
A traição do Rollo finalmente será confrontada, é a hora da verdade, a possibilidade levantada por Oddo, de que Rollo se uniria ao irmão e se voltaria contra Paris é absurda. Rollo rompeu laços com seu povo de modo irreversível, não apenas de sua própria parte, mas de outrem. Ragnar, Bjorn, Lagertha, ninguém perdoaria o massacre, a descrença e raiva era visíveis nos rostos de todos ao perceberem o que Rollo havia feito. Não que serão confrontos simples e fáceis, pelo contrário. O enfrentamento entre Rollo e Ragnar será um dos ápices desta temporada, tenho certeza disso, tensão à flor da pele, ânimos exaltados, raiva, frustração, decepção, tudo eclodirá. Espero além da batalha em si (de preferência um a um), haja um diálogo matador, uma sequência insana, digna de vários "por#&!", "caral*#", "put@merd#" e por aí vai, porque é algo que espero desde o início da temporada. 

Deste modo, Paris novamente será palco do épico, tanto no macrocosmo quanto nos microcosmos. Explico. O macrocosmo ao qual me refiro é a grande batalha entre Ragnar e Rollo, o micro são as disputas pontuais: um confronto entre Erlender e Bjorn torna-se inevitável, além de claro; em Paris, onde traições são tecidas de todos os lados e todos possuem um alvo nas costas, Rollo encontra-se isolado: Oddo Grey trama simultaneamente contra o imperador e o próprio Rollo, mas também é alvo de Roland; Harald (e provavelmente Floki) voltará-se contra Ragnar. Tais batalhas acontecerão, isto é fato dado e praticamente consumado, resta saber o momento das traições, que serão primordiais, também é importante mencionar a própria Yidu, que insiste e até chantageia Ragnar para também juntar-se à frota, o óbvio pressupõe uma tentativa de fuga, porém não encerro seu arco a apenas uma banalidade dessa. Minha mente teorista não permite, há mais ali.

Uma certeza que tenho é que esta temporada trará a morte de algum dos personagens principais, e devido ao flerte de Ragnar com a morte, neste episódio intensificada pela memória da profecia de sua morte, juntamente à alucinação um tanto nostálgica e saudosista que Ragnar teve, que retratou "o que teria sido" do título, acredito que ele tem grandes chances de ser o "escolhido", mas é apenas mais uma conjectura. Neste cenário, em "What Might Have Been", novamente temos rusgas entre pai e filho, atual e sucessor do reino viking. O episódio mostrou um Bjorn muito mais líder que o próprio pai. Mesmo Ragnar mostrando claramente que vê no filho alguém inexperiente, imaturo e ingênuo, Bjorn se mostra mais centrado e seguro que o pai, que mesmo contando com sabedoria e vivência, visivelmente não é mais um líder infalível e extremamente confiável. Ragnar perece. A saída do curso é um sinal claro, juntamente com a dificuldade em ler a pedra.
Apenas um adendo: essa (re)aproximação de Ragnar com Lagertha pode ser um sinal ou prelúdio da morte dele, mas além e mais interessante, foi ótimo ver os tapas metafóricos que Lagertha deu nele. Como amo essa mulher <3 

E ela está grávida mesmo... Ainda não consegui equacionar de maneira válida e lógica isso. Ela ir para uma batalha grávida... Sim, ela não deixaria de fazer parte da incursão, isso é óbvio, mas ao mesmo tempo parte de mim não quer acreditar que talvez ela queira forçar um aborto. Ela é inteligente, vivida, segura e sabe o que quer, e não seria ignorante a este ponto, ela sabe exatamente o que faz, então... 

Paralelo a isso, tem-se meu caso de amor e ódio da temporada, Wessex e Ecberth. Quando o rei diz que ele mesmo irá guiar os exércitos rumo à retomada do trono da Mércia e manda Aethelwulf em um peregrinação para Roma, todo tipo de alarme soou.

Talvez o ponto negativo, ou melhor, o anti-clímax foi não termos cenas da batalha em si, apenas do início e fim, com indícios de como foi. O que foi mostrado foram os vikings de Harald encarnando a barbaridade que é conotada aos guerreiros nórdicos: não apenas queimaram vivos os prisioneiros parisienses, como urinaram neles.

Sem mais delongas, o sexto episódio foi um episódio sem grandes surpresas, mas ao mesmo tempo repleto de expectativa: a iminência da batalha criou um clima de tensão constante, de que a todo e qualquer momento poderia haver algo, fora a expectativa criada para o sétimo episódio, que promete ser eletrizante, repleto de adrenalina. 

Como diria o divo Dr. Frank-N-Furter, de Rocky Horror Show, "I see you shiver with antici...pation".


Resumindo: foram 40 minutos que pareceram 10 e quero o sétimo já!

OBS.:
1. Ainda estou quebrando a cabeça procurando o tal do cego da profecia.

2. Habard retorna e se tem alguém nessa série que realmente dá calafrios é esse personagem, especialmente se lembrarmos que na última temporada ele não só levou a Aslaug a trair Ragnar, mas também causou a morte de Siggy. O caos que ele vai trazer provavelmente será devastador, isso sem contar o timing: há um abismo entre Ragnar e Auslaug, e ela está enraivecida e indignada por ele ter levado dois de seus filhos para a invasão em Paris, fora que já deu sinais de uma possível traição, ou seja, treta is coming.
Comentário(s)
0 Comentário(s)