The Voice Kids - Final

Por Alvaro Luiz Matos

27 de março de 2016

SPOILERS ABAIXO
Sabe o que é melhor no The Voice Kids? Que os técnicos acabam sendo mais justos e menos jogadores. Acaba que cada um desses que chegaram à final mereceram, mereceram pelo carisma, pela voz, pela extensão, pelo timbre, pela presença de palco e também por tudo aquilo que não vemos, por trás dos palcos, no backstage; como o esforço, a humildade, o brilho nos olhos, a educação, e dali por diante. Nada é mais justo do que dar ao merecedor de verdade o prêmio pelo que ele batalhou.

A pureza das crianças invade os nossos corações e faz de nós melhores, é como se os domingos nos recarrega-se a fé em um futuro melhor, em pessoas melhores, em um país melhor. É um pingo de esperança naquele rio de sangue que jorra não só da política, mas da violência nas ruas, da distância que muitos andam para poder estudar, daquele suor de quem está lutando pelo pão de cada dia, mas também pela enorme sociedade hipócrita que fura fila, que vende bebida alcoólica a menores, que fingem atestados para faltar ao trabalho, ou que do aquele famoso jeitinho brasileiro que beira sempre ao imoral. Nosso governo é reflexo do que somos, e esse programa nos ajuda a aliviar essa semana estressante de hipocrisias e sangria.

Mesmo que seja uma comparação bastante surreal (mas não irreal) tenho certeza que não sou apenas eu que sinto uma alegria maior durante o programa, uma luz entrando em nosso peito e nos prendendo em frente à televisão. Cada um da sua forma, do seu jeito, dentro da sua necessidade, recebe a luz desse programa.

Deixamos nessa temporada aquela tendência de optar sempre pelo melhor e optamos muito pelo mais carismático, pela criança mais natural, mais sincera, mais esforçada. Dessa forma chegamos com três finalistas que representam esse brilho que tanto procuramos.

Primeiro a Rafa Gomes, a menina mais linda que já apareceu na televisão. Lembro-me até agora quando assisti ao primeiro programa, liguei a televisão atrasado, já no decorrer do programa, e estava ela cantando. Abri um sorriso naturalmente e disse "Amor eu quero que minha filha seja assim", virei e dei um beijo em minha noiva. Sempre tive extinto paterno, sempre sonhei em ter uma filha tanto acordado quanto dormindo. Por diversas vezes acordei feliz por ter sonhado com uma menininha me chamando de pai, e quem não olhou para a Rafa e não imaginou ela em seus braços te chamando de pai.

Mais do que só isso. Trata-se de uma menina diferente, com influências musicas além do seu tempo, com uma voz feita para o teatro, para os musicais, com um carisma e uma presença de palco natural. É a menina mais artística de todos nesse programa, que pode vir a ser uma grande atriz e cantora.

Depois Pérola Crepaldi, que representa o esforço e o crescimento. Ela veio comendo pelas beiradas, sendo sempre uma opção segura de quem crescia ensaio a ensaio, que fugia da sua zona de conforto e que procurava sempre as maiores notas e as extensões mais difíceis. Foi o sangue nos olhos, o brilho, o suor e muito trabalho que a levaram a final. 

É merecida, ela está onde está, mesmo que estivesse longe de ser a favorita a vencer o programa, ela continuou evoluindo, fez uma final segura, com talento, com brilho. 

E no final Wagner Barreto, o exemplo que brasileiro mais gosta. Representando aquele nosso esforço, nosso suor, nossa batalha, aquele que vem de uma rua sem luz, uma família simples, que ama e orgulha seu pai e quer dar a eles uma vida melhor. Ele representa o Brasil, e representa com seu timbre agudo, com sua qualidade vocal, com a preciosidade nas notas e com a verdade em que canta.

Ele é o sertanejo que o sertanejo gosta, é aquele que vem do nada e nos faz refletir internamente o que fazemos da nossa vida hoje. Qual o nosso talento? Por que ainda não conquistamos nossos sonhos?

Eu estava terminando esse texto enquanto ouvia o programa, e o Tiago procura fazer um discurso sincero e corajoso, que poderia me influenciar a escrever tudo o que já havia escrito aqui em cima, mas eu já havia o feito, porque é esse o sentimento que o programa me traz.

O prêmio divide e vai dividir o público sempre, mas venceu quem eu acreditava merecer. Venceu talvez o formato do programa, venceu a melhor voz, a melhor história, venceu a cultura Brasileira que coloca em pedestais aquele que veio de baixo. Sim fazemos isso, cada um de nós faz isso a todo o momento, por vezes certos, por vezes errado, mas dessa vez foi Wagner Barreto.

Por fim fica uma última análise sobre o nosso trio (ou quarteto) de técnicos. Foi uma temporada diferente, que finalmente se desfez de uma sequência cansativa com o Lulu Santos, tivemos Brown muito melhor e contido, e uma dupla que era razão e coração.

Até o Superstar? Certo? Daqui a duas semanas todos de volta aqui. Abraços

Esse texto foi escrito por: AlvaroLuizMatos
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