The Good Wife - S07E17 - Shoot

Por Roberta Brum

22 de março de 2016



SPOILERS ABAIXO

Inicio a review afirmando que estou indiferente a The Good Wife. Cansei de The Good Wife. Perdi o tesão. Meu interesse diminuiu (assisti o episódio em prestações, umas cinco no total), assim não há tanto envolvimento e a review será mais mecânica e distanciada.

A série tornou-se tediosa, redundante e medíocre. Porém, neste mar de marasmo, ainda existem algumas pérolas, que neste episódio intitulam-se Denis O'Hare e Blair Underwood. Noutras palavras, os protagonistas de "Shoot": juiz Abernathy e Harry Dargis.  Depois de Elsbeth Tascioni, torcia que meu juiz divo fizesse uma derradeira aparição antes da série dar seu adeus. Foi aprazível poder rever o rosto familiar de um dos melhores convidados que TGW já teve. E seu retorno foi maravilhoso (com um veredito digno de aplausos).


O caso da semana é forte, com carga emocional pesada e clara, além de personagens extremamente humanos. É um caso envolvente, justamente por trazer um personagem cativante e empático: Harry, um homem cuja filha foi morta e que veiculou um outdoor culpando a loja de armas que vendeu a arma do crime. 

A beleza se encontra na simplicidade: o episódio inicia-se com um sequência de apresentação dos protagonistas do caso do episódio: Harry Dargis e sua filha, Yesha. Em pouco mais de dois minutos - que resumo como simplesmente enternecedores -, assistimos Yesha crescer. Nos solidarizamos quando ela está triste com seu aparelho dentário; comemoramos quando ela dá seu primeiro beijo. E nos chocamos quando ela leva um tiro na garganta, sendo vítima de uma bala perdida dentro da sua própria casa, na sua própria cozinha, enquanto tomava um copo de Nescau. Mesmo sucinta, no final, conhecemos Yesha bem o suficiente para sentir verdadeiramente sua perda. Conhecemos o orgulho e alegria que ela trouxe para a vida a vida de Harry. E compreendemos que isto tudo foi drenado dele, quando ele se senta no tribunal, alheio, pesaroso, dilacerado. 

O destaque do episódio foi a atuação brilhante de Blair Underwood (não o Frank). Algumas vezes os casos de TGW apresentam protagonistas frios, calmos e distantes demais. Arquétipos robóticos. Mas Underwood fez de Harry uma salutar exceção. Ele é de carne e osso. Ele é real. Seus olhos estão vermelhos, ele mal pode falar e o peso que ele carrega é visível, seu luto é palpável.


Houve um deslocamento do foco, no qual Diane e Cary - finalmente - trabalham juntos em um caso e realmente vão ao tribunal (não sei depois de quantos episódios). A defesa é liderada por Diane, e temos Várias abordagens, tensão e oposição entre Diane e Cary (conveniente demais para o momento). Deste modo, Cary continua negligenciado, sendo visivelmente o elemento inadequado da equação. Até por posteriormente ser substituído por Quinn, em um certo favorecimento a Alicia, para esta se apropriar da ideia de uma firma apenas de sócias mulheres.

O caso também articulou o conselho de turismo de Chicago, dezenas de outros empresários do mesmo bairro de Harry e também a proprietária da loja de armas em questão, que surpreendentemente é razoavelmente simpática, o que impede o caso de ser automaticamente e instantaneamente parcial, daqueles julgamentos e condenações instantâneas: você vê e já emite o veredito. Você ao menos escuta a argumentação dela.

Amo/sou juiz Abernathy: como aprecio sua gesticulação singular, suas ponderações e debates internos feitos em voz alta, aquela mescla única, genuína e convincente entre sensatez, lógica e humanismo, um personagem cujas reflexões sempre iluminam uma cena com doses de seriedade. Neste caso, por mais que ele simpatize com o caso e com Harry, e seja pessoalmente contrário ao armamento, a lei é clara: o outdoor deve ser retirado. E não apenas isso: sob pena de multa de US$ 00,10 (isso mesmo, vocês leram certo, são DEZ CENTAVOS) para cada dia que o outdoor permanecer veiculado. Neste clímax, Harry puxa US$40,00 da sua carteira e oferece pagamento adiantado, prontamente aceito por Abernathy, que diz que o outdoor está agora autorizado a permanecer pelos próximos 400 dias. Quer veredito mais sensacional que esse?


A nossa boa esposa ligou o foda-se. Ela quer se divertir, não se preocupar, se desprender. Ser um pouco mais como Quinn, tão leve, livre, despreocupada, confiante, que não se vitimiza por ser bem resolvida, dona da sua própria vida e responsável por seus atos. E assim faz, com Jason, durante boa parte do episódio, com direito a handjob debaixo da mesa em um restaurante. 


Quanto à parte jurídica, ela dá uma de mamãe-urso com Grace, que retorna - provavelmente pela última vez - acusada de plagiar uma redação no colégio, que foi detectada por um software de plágio. A favor dela, a fala sobre compromisso e promessas (que confesso, sintetizou muito várias relações e me identifiquei com), e também o depoimento dela - irônico e sagaz - no julgamento de Peter (que parece cada vez mais deslocado), e também a maneira como Margulies fiz tanto com apenas um olhar.

Sobre o foda-se de Alicia, só um porém: quando ela está no restaurante com Jason, eu só pensava: e se surge um paparazzi? Ou alguém tira uma foto e publica no Twitter e Instagram - como a gente sabe que é bem comum e possível? O acordo dos Florrick ia pelo ralo, do mesmo jeito que eles iniciaram: com um belo escândalo. Todo este relacionamento aberto, esta "publicização" do caso, ou demonstrações públicas de afeto, me parece inverosímel. 

Quinn tornou-se uma espécie de consciência de Alicia, e seu papel resume-se além de falar exatamente o que Alicia precisa ouvir, ser porta-voz de frases pontuais e filosóficas ("expect the worst in people e you'll never be disappointed", sim, a senhora Quinn sabe das coisas), além de moeda de troca. Mas mesmo neste texto limitado, Cush Jumbo faz um bom trabalho.



Ainda restam cinco episódios até a finale e sinceramente não sei o que esperar. E não sei se me importo.

OBS.:

1 - A eficiência de Jason: ele SEMPRE encontra algo. E SEMPRE a tempo. Incrível.

2 - Eli voltou ao seu banheiro mágico.


3 - Como a Alicia estava bonita neste episódio. Ela resplandecia, seu olhar brilhava.


Esse texto foi escrito por: Roberta Brum
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