The Good Wife - S07E16 - Hearing

Por Roberta Brum

8 de março de 2016


SPOILERS ABAIXO

Faltando seis episódios para a series finale, The Good Wife apresenta um episódio leve e ágil, com duas surpresas, ambas afetando Alicia. Existe um certo limite nas reviravoltas que a série pode ter e TGW se desdobra para encontrar as suas. E faz um bom trabalho neste episódio.

Um aborrecido e indignado "é domingo!", um reticente "tem bagels" e um resignado "entre". Assim começa "Hearing", onde o apartamento de Alicia torna-se uma verdadeira casa da mãe Joana. Há uma avalanche de personagens e problemas. Em plena tarde de domingo. Aparecem Owen e Veronica (que provavelmente se despedem em uma derradeira aparição), Eli e Mike Tascioni (e o Tom), e um motoboy com uma intimação básica. Murphy deve ser fã da Alicia porque cada vez escalonava a treta. Começa com a mãe em um mal investimento (e empatando a foda), Owen convocado por causa disso, Eli e Mike com o processo de Peter e um pedido de ajuda, e todos eles encontrando o Jason. Quem chegava, ia entrando, se deparando com uma Alicia de roupão, com aquele sex hair indiscutível e o Jason pelado na cama dela. E graças a isso, a todo momento, toda vez que aquela campainha tocava, esperava ser o Peter. Porque seria uma deliciosa torta de climão.

O episódio desenrola-se ao redor da denúncia sigilosa à Peter. Descobrir a acusação contra Peter rendeu situações insólitas e inusitadas, irônicas, na verdade, por quebrar a expectativa: a imagem de Eli, em seu terno de milhares de dólares, sofisticado, eloquente, ouvindo conversas em banheiros é um contraposição interessante. Em uma sequência, temos cenas como subir em lixeiras em banheiros de deficientes, disputas pelo uso do tal banheiro, esperas intermináveis e uma sobreposição de vozes na ventilação, criando a "conversa" mais nonsense ever. Toda a situação foi absurda e por isso maravilhosa.

Sobre a denúncia, era um verdadeiro pôquer e montagem de um quebra-cabeça. Burlou-se tanto a lei, eram tantas as possibilidades de acusação, que não havia certeza quanto ao real motivo. Então, a partir das peças do quebra-cabeça - incompletas - que Eli agrupava na sua missão secreta no banheiro, Mike blefava ainda mais em conversas com testemunhas (temos o retorno - e possível delação? - de Ruth e do agente do FBI, Hlavin) para obter informações. E jogando verde, consegue desenhar uma imagem do problema.


Quando Eli amarrou as pontas, no primeiro ápice do episódio, quase tendo uma crise asmática, uma síncope, um ataque cardíaco e um AVC, tudo junto, não era nada do que se esperava, como acusações de corrupção, desvios, suborno, propina, fraudes, arrecadação ilegal, e sim uma questão pessoal. Desse modo, mais um escândalo bate à porta dos Florrick. Confesso que era o próximo passo e era óbvio no rol dos escândalos políticos (traições, prostitutas, casos com funcionários, filhos ilegítimos), mas por sua banalidade, não cogitei. Por um lado sinto o pouco que será pouco explorado, em especial se for tão trágico quanto o episódio deu a entender.

Paralelo à isso, na Lockhart, Agos & Lee, a "ameaça feminista" materializa-se. Por mais que a ideia estivesse presente em Diane,  Cary e David Lee criaram uma verdadeira paranoia. Os atingiria? Claro, afinal eles perderiam suas posições como sócios e talvez seus empregos. Mas não é um apocalipse como eles desenham.  Assim, há novamente uma divisão na firma: David Lee e Cary de um lado, tendo Diane como adversária. Alicia, obviamente, está no meio, sendo forçada por Cary e David Lee a assumir uma posição, aliciando ou obrigando-a a informá-los sobre qualquer aproximação por parte de Diane. Este plot da "all female firm", ao contrário do que imaginava, culminará provavelmente no ápice da carreira profissional da Alicia e em um belo final de arco. 

Neste sentido, Cary, que nesta temporada teve sua importância reduzida à nulidade, novamente volta a ser um peão no jogo. Algumas questões emergem dessa proposta de Diane à Alicia: seria traição? E a ética? E os limites morais? À quem Alicia é leal? Quais são seus reais interesses? O que realmente importa para ela. "Santa Alicia" não é tão santa. Ela não é preto no branco. Ela é cinza. Várias matizes de cinza. Ela já fez uma vez com Will, seria capaz de repetir com Cary?  Falando em Will, o argumento de Diane citando o mesmo foi inteligente. Tinha esquecido o quanto Alicia e Will eram parecidos.


Mesmo próximo, ainda não havia pensado no que quero enquanto final para Alicia, mas a proposta de Diane é algo cabível, crível e encerraria o arco de forma digna e coerente. Não quero ela apenas encontrando um novo Will. E nem se transformando no Will. Quero ela seguindo seu caminho.

Por fim, de mais, o plot da NSA está em standby (assim espero, afinal, não pode ser relegado ao esquecimento). Também tivemos mais sequências do que eu gostaria de assistir de Jason e Alicia brincando de casinha. E a maravilhosa mãe empata-foda da Alicia provocando ela através do Jason.

OBS.:

1 - Sobre o acordo dos Florrick: é tão cínico, mas ao mesmo tempo tão pragmático e naturalizado que cria a imagem de melhor relacionamento do mundo, quase uma relação ideal. A imagem deles como casal é poderosíssima e influente, e sabem que sozinhos não possuem a mesma força. Assim, na fachada eles são um casal de comercial de margarina, enquanto no privado vivem vidas completamente separadas.

2 - Por mais que seja trabalho, Jason trabalhar para o marido da amante deveria ser um pouco mais constrangedor e embaraçoso. Ou não, afinal são os Florrick.

3 - Acabei gostando do Tom mais do que deveria, em especial graças às apresentações de Mike. Cachorrinho fofo.

4 - A briga que Alicia teve com Owen quando ela concorreu à Procuradoria foi esquecida e superada?
 

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