The Good Wife - 07E18 - Unmanned

Por Roberta Brum

29 de março de 2016

SPOILERS ABAIXO

Serei sucinta ou em outras palavras, curta e grossa e tentarei não criticar tanto. Unmanned, em outras condições, em outras épocas, teria sido um baita episódio. Teria tudo para ser um dos episódios mais eletrizantes da temporada de The Good Wife, se fosse em seus tempos áureos, mas como a série encontra-se desgastada, o impacto foi mínimo.


Assim, tem-se um episódio movimentado, repleto de grandes momentos, dentre eles dois esperadíssimos e também com momentos que se tornaram característicos na série, que sempre renderam boas cenas, como algo que se tornou marca registrada: Alicia marchando rumo ao escritório de Peter, irrompendo no mesmo e interrompendo tudo o que estiver acontecendo. Isto sem dizer uma única palavra. Julliana Margulies domina a cena com apenas o olhar. 


Série desgastada, mas com um episódio movimentado repleto de grandes momentos? Paradoxal, não? Mas explico, mesmo com tudo isso, o episódio não empolga. E esta foi a tona do episódio inteiro: a série tenta recuperar o pouco do fôlego com um episódio repleto de grandes decisões e viradas cruciais, mas não consegue, sempre havia a sensação de been there, done there.

E este é problema. O problema é que TGW simplesmente não sai do lugar, parece um cachorro tentando morder o rabo. As mesmas coisas acontecem e nada realmente impressiona ou cativa. Um episódio é a Alicia recuando porque viu o Jason beijando outra, no outro é o Jason recuando porque se encontrou com o Peter e sempre ela deixando claro que quer usá-lo (e ser usada), que não quer compromisso e sim o corpo do bofe, ou seja, estritamente sexual. Já entendi da primeira vez, certo? Além disso, a Alicia tem razão, o Peter está sempre sendo indiciado por alguma coisa.

Para não dizer que não houve nada interessante, que o episódio foi maçante e repetitivo (foi), houveram momentos peculiares e foi... Como posso caracterizar? Cômico, talvez? Não sei, eu ri pelo menos.

Ri do caso desta semana, que se comparado ao episódio anterior, foi fraco, zerado em empatia e nada envolvente, sem nenhuma carga dramática, apesar do assunto da privacidade sempre ser pertinente. Entretanto tivemos um psiquiatra processando uma vizinha porque o drone dela (que ela pôs em funcionamento visando potencializar a segurança do bairro) invadia sua privacidade - e a de seus clientes -, o que o fazia se sentir ameaçado (e perder dinheiro). O insólito do extremismo do sujeito brincando de tiro ao alvo no drone, foi diferente, inesperado e agregou alguma mobilidade à trama. Em outras palavras, foi cômico.
Se tempos atrás eu me animaria com o encontro entre Peter e Jason (que esperava desde o episódio com a mãe e o irmão da Alicia), hoje eu apenas ri da hipocrisia da situação e o modo como ambos lidaram com ela.

No mais, mais uma personagem se despede, agora Caitlin D'Arcy, da maravilhosa Anna Camp. Foi agradável ver esta relação de Mestre Jedi e Jovem Padawan entre elas, com Alicia genuinamente orgulhosa e feliz da evolução e de Caitlin. Sempre é bom ver Marissa e Eli, mesmo que claramente ela seja uma muleta, porém, neste caso infinito e sem nexo do novo julgamento misterioso do Peter, toda aquela treta do banheiro mágico, do marido da Elspeth, não serviu para nada? Nadica? Culminou em Eli tendo de escolher entre ele, a filha ou o governador?

A luta pelo poder na Lockhart, Agos & Lee, ou melhor, a "guerra de gênero", como um deles falou, eclode e se resolve, com uma traição de David Lee (que não era esperado, imagina) e o fechamento do arco do Cary... Que não consigo nem comentar. Cary foi de coadjuvante, de um dos personagens centrais da trama a meras inserções de figurante. Nesta sétima temporada ele desapareceu até da função de advogado, não assumindo mais nenhum caso substancial, ou qualquer caso mesmo. E a saída da firma? Saída daquelas tipo "foda-se tudo isso, não aguento mais?" Ele que até então só batalhou por conseguir ascender e fazer seu nome? Não fecha. Se realmente este for o fim, é um desserviço e falta de consideração.
Não sei nem o que dizer... Não houve nenhuma trama que se sobressaiu, apesar dos momentos que destaquei anteriormente. Todas possuíam o mesmo nível. Infelizmente TGW chegou num ponto que basicamente não requer atenção, tenho quase certeza que se você pular um episódio, continuará compreendendo tudo nos mínimos detalhes, não fará diferença alguma, ela não prende mais, se antigamente eu me empolgaria e me envolveria com no mínimo dois momentos do episódio, como o encontro entre Peter e Jason e o pedido de divórcio de Alicia, hoje, bleh.

Só espero que os próximos quatro episódios sejam mais semelhantes com Shoot do que com Unamanned e que os demais personagens principais tenham desfechos mais coerentes do que o de Cary.


Esse texto foi escrito por: Roberta Brum

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