The Americans - S04E01/02 - Glanders/Pastor Tim

Por Poliana Mendes

29 de março de 2016


SPOILERS ABAIXO:

A melhor série que (quase) ninguém assiste está de volta.

The Americans é uma das poucas séries que conseguem trabalhar os filhos dos protagonistas de forma mais que satisfatória, por muitas vezes até nos surpreende com a ousadia e fugir do lugar comum é uma das principais qualidades da série. No seu retorno não foi diferente e as tramas ficam mais complexas conforme o tempo passa, com tudo isso só quem ganha somos nós, os espectadores.

Philip continua com seus questionamentos que a cada missão só mostram o quão longe ele já foi por ser um espião russo em território americano, por outro lado Elizabeth parece não ter tantos problemas internos e faz todas as missões que lhe são comandadas, sem questionar seus superiores. Uma das principais características de The Americans já citadas no primeiro parágrafo é como o roteiro foge do comum e essa diferenciação na qual a mulher é muito mais racional que o homem é um dos pontos principais da série. Uma mulher que tinha tudo para ser a dona de casa, esposa zelosa e mulher dedicada é forte, imponente e pensa muito mais na sua missão de agente secreta do que na família que foi construída de fachada (mas que no fim existe sim uma cumplicidade e um amor). Enquanto Philip pensa muito mais na família que não existiria se ele fosse espião e se preocupa com o bem estar de todos, sempre buscando balancear o papel de pai e agente secreto.
Isso não quer dizer que Philip seja o mocinho da história e sua mulher a vilã, muito pelo contrário, ao longo desses quatro anos de The Americans o que se pode ter certeza é que não há vilanismos e bom mocismos, tudo depende do lado que você está e o que estão fazendo para que você aja dessa forma (exatamente como na vida real).

Paige que agora enfim sabe quem são seus pais vive um dilema moral que nenhum dos dois precisaram viver quando adolescentes, afinal, ambos foram afetados por conta da guerra. Porém para Paige, uma adolescente que se quer imagina como é a guerra e vive em um mundo capitalista sem precisar se dar o trabalho de passar necessidades, não faz muito sentido tudo o que os pais são hoje e a ida dela para a Alemanha com Elizabeth ajudou para estreitar os laços familiares e criar cumplicidade entre mãe e filha, um grande passo na relação delas.
Quando o foco sai da casa dos Jennings, as coisas continuam interessantes. Tem Martha infiltrada no FBI e passando informações sigilosas para Philip mesmo depois de descoberto o grampo telefônico e a tensão no departamento esteja em níveis estratosféricos. Nina que sempre fez a agente dupla e consegue enganar não só os personagens da série como também os espectadores, sua dubiedade funciona desde quando ela entrou na série e por mais que já esteja um pouco reciclado esse plot, ele funciona muito bem e tudo isso graças ao roteiro e a atuação da atriz.

Com uma premiere de mostrar os caminhos futuros e fechar plots deixados em aberto no terceiro ano, The Americans consegue mais uma vez voltar em grande estilo. Que o nível continue e só aumente e que de uma vez por todas os críticos olhem com carinho para The Americans e premiem em pelo menos alguma coisa uma das melhores séries atuais.

Esse texto foi escrito por: Poliana Mendes
Comentário(s)
0 Comentário(s)