Feminismo Em Série: Abrindo Debate

Por Marcela Virães

1 de março de 2016

O Séries Em Foco está trazendo mais uma novidade para vocês: uma coluna novinha, saída do forno. É isso mesmo! Dessa vez, a nova coluna traz um tema não muito debatido por aí que é a questão das personagens femininas em séries de TV, um assunto tão válido e que recebe pouquíssima atenção, são poucas as pessoas que param para problematizar e analisar a representatividade feminina no mundo das séries e é por isso que agora o Séries Em Foco vem trazer um pouco desses pontos para vocês.

The 100

Para começar, vamos devagar. Escolhi trazer uma série que me chama muita atenção, não pela história ou qualquer outra coisa, mas pela maneira como retratam suas personagens femininas. Então... resolvi assistir a série pela primeira vez e não gostei muito (achei a história interessante, mas não conseguiu prender minha atenção), só engatei na maratona depois que uma amiga começou a encher meu ouvido sobre como as meninas da série eram maravilhosas e empoderadas. Lembro que eu ainda não voltei a ver com muita animação, afinal era uma série teen e eu não conseguia esperar muito empoderamento feminino vindo daí. Mas, amigos e amigas, hoje estou feliz e satisfeita em dizer que: minha amiga estava certa.

Como eu já disse, a série em si não é lá essas coisas não, mas vale muito a pena por ser uma das poucas séries teens que retratam mulheres sem os clichês que vemos sempre em TV e,  principalmente, TV para adolescentes, onde todas as meninas são frágeis, inseguras, ingênuas, não conseguem lidar com nada sozinhas e sempre precisam de algum homem para salvar o dia. Em The 100, temos a protagonista que é uma mulher (bissexual, o que também é algo raro de vermos na TV) que se torna a líder de seu grupo. Contudo, como o mundo não é um mar de rosas, logo no começo, ela ainda precisa “disputar”, de certa forma, essa liderança com um homem (para variar, né?). Fui logo me desanimando pois achava que ia acontecer o esperado: o cara lá ia ser o manda-chuva e nada de liderança feminina para nós. Felizmente, não foi isso que aconteceu. Então, a partir daí eu comecei a achar que iam fazer a Clarke (a protagonista, ok?) como sendo uma daquelas líderes bem bestas e ingênuas, como é de praxe retratarem uma líder feminina em muitos filmes e séries, entretanto, mais uma vez estava enganada (ainda bem). A Clarke foi se mostrando cada vez mais uma personagem forte, fora dos clichês hollywoodianos e como era de se esperar, muito criticada pelas pessoas por suas atitudes não convencionais e não esperadas de uma garota.

Para ficar melhor ainda, temos a Lexa, uma das personagens principais e essenciais para a história da série que nada mais é do que a grande líder de 12 clãs, ou seja, de uma civilização inteira. Agora me digam, será que é comum vermos uma mulher, lésbica, líder de uma civilização inteira numa série adolescente? Não, e foi isso me chamou muita atenção, me prendeu a série e me fez abrir um sorriso de satisfação. Além das duas, dentro do elenco principal ainda temos uma boa quantidade de personagens femininas, sendo todas elas personagens importantes para o enredo, figuras de liderança (de certa maneira, cada uma em sua área, digamos assim) e que estão ali com algum propósito importante para o desenvolvimento da série e não apenas como “namoradinha” de alguém ou situações similares que já cansamos de ver em diversas séries. Todas são personagens fortes, participativas, fora dos padrões de mocinha indefesa e mais importante de tudo: independentes.
Ao retratar personagens femininas como guerreiras, principais em linhas de frente de batalha nas guerras, comandantes e também as mentes por trás de tudo, a série reforça a ideia de que mulheres não estão ou têm o dever de estar sempre na sombra de um homem, elas também podem ser líderes fortes, podem governar uma civilização sim e serem essenciais no desenvolvimento da história. É uma mensagem que, na minha opinião, se faz muito necessária nesse universo de séries que temos atualmente, que vêm melhorando (não vou negar), mas que ainda tem muito caminho a percorrer. Claramente The 100 tem seus defeitos, e são muitos, mas em relação às suas personagens femininas: estão indo no caminho certo (por enquanto).

Temos que parar de representar meninas como jovenzinhas indefesas, desesperadas, submissas e que precisam sempre de um menino para qualquer coisa, pois dessa maneira só estamos encorajando e reforçando o machismo, fazendo com que esse tipo de pensamento se solidifique na mente de jovens, causando, infelizmente, uma conformidade em parte da população feminina que se vê presa a esse tipo de retrato e acabam se espelhando nele, dando início a um ciclo interminável. Temos que retratar mulheres da maneira que elas são: maravilhosas. De todos os jeitos. Temos que começar a problematizar essas representações e analisarmos o que há de errado. Séries são escritas e produzidas por pessoas, pessoas que vivem na mesma sociedade que nós, uma sociedade machista e dominada pelo patriarcado, é um reflexo. Mulheres têm que receber mais atenção na TV também, em filmes e em séries sim! Mulheres precisam ser retratadas com mais verdade e respeito e menos machismo, personagens femininas são importantes sim e não estão ali só para o prazer sexual de um homem ou para cumprir alguma cota. Por mais personagens femininas como em The 100!

Esse texto foi escrito por: Marcela Virães 
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