The Good Wife - S07E15 - Targets

Por Roberta Brum

22 de fevereiro de 2016



SPOILERS ABAIXO

ELSBETH IS BACK \o/

Nada melhora um episódio de TGW quanto a presença de Elsbeth Tascioni. Ela, o juiz Charles Abernathy e Colin Sweeney são Santíssima Trindade de convidados especiais da série. Quem dera um episódio envolvendo os três.

TGW nos apresentou esta semana um episódio razoável, com núcleos fortes e fracos, mais uma vez demonstrando a instabilidade que permeia a sétima temporada. Episódio repleto de alvos: Peter, Alicia, Diane.

Comecemos pelo bom: Eli, Elsbeth e o caso do episódio.

A missão de Eli continua: descobrir atrás de quem o FBI está. Peter? Alicia? Ambos? E por quê? E para tanto ele chama nossa amada super heroína Elsbeth . A primeira aparição de Elsbeth obviamente não é em uma posição considerada normal (literalmente): Eli a encontra realizando exercícios de ioga. Elsbeth aceita o caso e começa pelo começo: perguntando diretamente às pessoas envolvidas o que elas pensam e sabem, começando pelo governador em pessoa.
Eli acredita que o motivo seja a fraude na eleição de Alicia à Procuradoria. Mas Elsbeth não acredita que seja isto. Desse modo, ela coloca em ação seus poderes: em uma estratégia conceitual estranha que envolve rabiscos frenéticos e organização de cartões por cores, ela cria um sistema de análise que a faz perceber que existe uma incongruência: por que Marissa era do interesse do FBI? Assim, ela vai atrás de Marissa. 

Simplesmente amo o raciocínio não linear maravilhoso dela, da sua necessidade por visualidade e tatilidade. Sempre rendem ótimos momentos e alívios cômicos na série. E em especial adorei os post-its. Post-its coloridos em cores quentes e extremamente chamativas como verde-limão e rosa pink são uma bela metáfora ao se falar de Elsbeth Tascioni. 

Falemos agora do caso: este caso em especial se desdobra em outro, ao mesmo tempo que retoma um plot que pensei estar relegado ao limbo: a escuta da NSA.

O caso secreto da Alicia foi o ponto alto do episódio. Ele se distancia e se destaca perante aos casos apresentados em episódios anteriores, que apesar de possuírem atualidade, não suscitam tanto a reflexão e análise quanto este. O assunto pessoal de Alicia revela ser uma consultoria secreta sobre Massoud Tahan, um recrutador do ISIS cuja localização nos Estados Unidos é conhecida por 48 horas. Nesta consultoria fazem-se presentes cinco indivíduos dos mais altos escalões da hierarquia militar e também renomados civis. Como não guardei o nome de todos, os denominarem como "Muito Importantes". A questão que resume a reunião é a seguinte: há embasamento legal para ele ser considerado "combatente inimigo" (inimigo do estado em outras palavras) e como tal, pode ser morto? Ou seja, eles buscam justificativa legal para matá-lo.

Existem argumentos válidos de ambos os lados. Afinal, ao mesmo tempo que Tahan nunca disparou uma arma, não matou ninguém, não possui histórico com indícios de violência, ele recruta possíveis homens-bomba treinados para matar. Noutras palavras, ele apoia a causa fornecendo materiais na forma de corpos. Complexo, não? 
A partir destas informações, primeiramente Alicia inclina-se à validade do argumento a favor da morte de Tahan baseada na premissa de que não é necessário aguardar que Tahan realize mais um ataque bem-sucedido para depois agir e neutralizá-lo. Porém, entretanto, contudo, o caso complexifica ainda mais. 

O caso tem um twist: Tahan na verdade é um cidadão americano. Eles desapareceu dos Estados Unidos e reapareceu na Síria em questão de dois anos. E obviamente, tudo muda de figura. Nesta segunda votação tem-se um empate e Alicia temporariamente retira seu apoio, afinal cidadãos americanos detém direitos distintos. Temos aqui um relâmpago do "anti-maniqueísmo" (afinam, nada mais humano do que mudar de opinião conforme se têm acesso a mais informações) e inteligência que tanto me atraíram na série. E pensa no sentimento nostálgico.

No caso, novos questionamentos emergem neste novo fato: a questão da Primeira Emenda, sobre liberdade de expressão, o conceito de iminente, que neste caso, segundo um dos Muito Importantes, seria sinômino de "qualquer momento do futuro", fato que foi rebatido por outro Muito Importante, criticando como os conceitos se alteram devido a conveniências e que isto não é lá muito legal. 
Foi um caso com cara de TGW.

Mas o aspecto mais interessante no caso foi seu desfecho: um dos Mais Importantes foi afastado da consultoria por ser suspeito de vazamento de informações. Alicia - que conhece a pessoa em questão - afirma que ele é uma das pessoas mais honestas que ela conheceu, afirmação com a qual o chefe da reunião secreta concorda. Assim, adivinhem, adivinhem, se não é aquele Muito Importante, quem é o alvo? Sim, ela, Alicia.
Lembram que a Alicia foi grampeada pela NSA e eles escutam as conversas dela, mesmo quando ela não está ao telefone? Então, claramente deu merda. O Pentágono não estava ciente do mandado da NSA sobre o grampo na Alicia, logo, também não estava ciente que a informação sobre esta reunião secreta estava circulando a NSA, que é de onde surgiu o vazamento. Não da Alicia em si. Mas até provar isto... E se a situação não pudesse piorar, óbvio que largaram um áudio da Alicia transando com o Jason. Quem precisa de privacidade, não é?
Particularmente o plot da NSA não é algo que me atrai muito. Sinceramente me incomoda. Mas juntamente à investigação do FBI, é o que teremos para os próximos episódios. Tem potencial, veremos. E foi uma escrita inteligente o modo como os assuntos foram amarrados.


Voltando à minha diva maravilhosa Elsbeth . Conversando com Marissa ela teve uma daquelas maravilhosas epifanias características que ela tem e epa! Houston, we got a problem. Ela claramente descobre a razão da investigação do FBI, e automaticamente larga o caso de Peter sem dizer o porquê. Eli compreensivelmente quer saber a razão e Elsbeth , não querendo dizer, apenas entrega um cartão de ninguém menos que seu ex-marido. Isso prometia. Prometeu e cumpriu. O ex-marido de Elsbeth é a versão masculina dela. Repleto de peculiaridades, a principal um cachorro que está sempre em seu colo, independente da situação. Se ela saiu do caso por conflitos de interesses, o motivo é um dos clientes dela. Qual? Em um plano absurdo, inusitado, um tanto quanto canastrão, mas engraçado, eles descobrem que é um homem chamado Lloyd Garber, um magnata riquíssimo relacionado a indústria de leite. E o que Marissa tem a ver? Garber foi a pessoa que conseguiu o emprego em uma fazenda leiteira para Marissa quando ela estava em Israel. Pelo menos o roteiro não deixa pontas soltas. E a investigação do FBI revela-se como uma busca por Peter e um dos seus mais ricos doadores de campanha.



Do restante do episódio, em um plot que não fez a mínima diferença e que não terá seguimento nenhum, temos os sócios da Lockhart, Agos & Lee. Cary e Diane basicamente não têm mais função real na série, mas precisam justificar os nomes de seus intérpretes nos créditos realizando aparições medíocres e insípidas de 30 segundos. Se no episódio passado foi a partir do racismo, neste é misoginia, com a participação de David Lee. Em um retorno às tramas internas na Lockhart, Agos & Lee, que me fizeram rememorar os áureos tempos em que Will tramava com Diane, Alicia com Cary, Will com David Lee, agora Cary e David Lee "unem-se" contra Diane. O motivo? Um artigo para uma revista que coloca as mulheres da firma em pauta. Logo, obviamente, é claro que está ocorrendo uma revolta feminista na firma ~facelpalm~
Nesta verdadeira paranoia, David Lee e Cary estão receosos que as mulheres assumam o controle total do lugar. Assim Lee contrata Jason para investigar o que as mulheres têm conversado ultimamente, em especial Alicia e Diane. 

Essa necessidade de centralizar Alicia, de inseri-lá em todos os plots, tornando-a o destaque me irrita. A gente sabe que ela é a protagonista. Pronto. Não precisa exagerar. A mulher malemal retornou e já está armando sua ascensão, bem no estilo dos vilões que querem dominar o mundo.


E a parte fraca. Minha reação e expressão sobre Jason e Alicia: ¬¬'

É o romance da temporada, então por mais que eu não goste, é um plot com destaque.


Dramas com TGW tem imbróglios românticos como pré-requisito, mas neste são completamente dispensáveis e desnecessários. Jason Crouse e Alicia não funcionaram. Mesmo com aquela cara de quem viu o passarinho verde da Alicia.
Sobre o affair: não sei se estou velha, se sou cínica (ou se tive um ataque súbito de frigidez, vai saber né, abrangemos todas as possibilidades), mas nada nessa cena me evocou romantismo ou tesão. Suponho que esta era a intenção do roteiro quando Jason fala para Alicia fechar os olhos e ele sussurra algo com aquela voz rouca. Nada. Nadinha. Neste momento aproveitei para checar minhas atualizações no Facebook, Twitter, enfim. Minhas notificações eram mais interessantes. A cena me distraiu e não no bom sentido. Mas nem tudo está perdido: algo nessa cena sim capturou minha atenção: esse povo não usa camisinha, não!? Sejam responsáveis plmdds!

Mas teve coisa pior que a transa: a sequência em que eles conversam sobre os desdobramentos da transa. Desconfortável e ridículo resumem (não, ninguém conseguirá me convencer que aquilo foi sexy ou mesmo um flerte): “você me parar. Se você não ficar comigo essa noite, quem sabe? Talvez eu possa voltar a beber?" Sério Alicia, sério? Sei que foi uma brincadeirinha, mas foi bem ruim. "Chantagem"? Tosco. Tosco. Queria me esconder. Deixem a mulher solteira, pfvr. Ou com os one night stands ocasionais dela. É muito, mas muito melhor.



Pelo lado positivo, é mais uma mostra do crescimento da Alicia. Alicia é uma mulher que abraçou sua independência e ligou o foda-se para a opinião alheia. Admiro esta posição que ela assume. Isto reflete na sua vida sexual. Jason está um pouco desconfortável com a situação, afinal ela é a (pseudo?) mulher do governador, não é? E Peter, o que acha disso tudo? Segundo Alicia, tá tranquilo, tá favorável. O acordo deles permite. Mas Jason que não está nem tão tranquilo nem tão favorável, sabe que Peter não vai exatamente amar saber que a mulher está pegando o investigador. Todo mundo percebe - menos ela - que ele está tão blasé quanto a isso como a Alicia e que este acordo não é exatamente bilateral. 


Voltando à Alicia, ela quer simplicidade na vida: sexo apenas por sexo. Sem promessas nem nada. É direta, sabe o que quer, sem jogos ou fingimentos. Menina Alicia quer orgasmo e diversão (certa ela). Se naquela infame cena do "flerte" ela apenas dissesse "quero você novamente, você não quer?", teria sido melhor. 

E assim termina "Targets": Alicia numa vibe friends with benefits com Jason e os Florrick sendo investigados por órgãos extremamente poderosos.

OBS.:



1. Jason Crouse trabalha para todo mundo e não tem conflito com ninguém, não é? Fora que não sei onde o moço encontra tempo, ele deve viver em uma realidade paralela: só nesse episódio, ao mesmo tempo ele resolveu a questão do Eli, do Lee e da Alicia.

2. "Combatente inimigo" era um termo criado pela administração Bush para denominar suspeitos de terrorismo. A expressão autorizava a detenção indefinida destes "combatentes" sem nenhum julgamento. Não sendo considerados prisioneiros de guerra comuns, leis internacionais de guerra, como as Convenções de Genebra, não eram aplicadas automaticamente a eles. O termo foi abandonado pela administração Obama em 2009.

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