Remember - Mr. Robot - S01E08 - eps1.7_wh1ter0se.m4v

Por Alvaro Luiz Matos

29 de fevereiro de 2016

SPOILERS ABAIXO
Do meu universo de séries, nenhuma se pauta e se posiciona tanto na realidade quanto Mr. Robot. Mr. Robot reflete como a humanidade pós-moderna relaciona-se com tecnologias, sinaliza o estado de alienação em que estamos ao mostrar que vivemos nos simulacros e simulações que nos fala Jean Baudrillard, questiona nossa naturalização à estas tecnologias, o quanto as absorvemos e como elas nos transformam, se tornando verdadeiras extensões de nossos corpos.

E o oitavo episódio foi, se resumido em uma palavra, orgástico. Usando um cliché, foi um divisor de águas: é possível definir um antes e depois na série. Foi aquele tipo de episódio que tu gritas "PQP, QUE EPISÓDIO AFUDÊ, NÃO PODE SER, CARAAAAAAALHO!". De ficar de boca aberta mesmo.

No nosso "convívio" com o Elliot, seus problemas mentais e sua dissociação de identidade eram fatos claros, além de parte fundamental no decorrer da história da série. Ele tem consciência que nós, seu amigo imaginário, somos uma criação dele, e não apenas por isso, mas por seu constante debate interno, recheado de fatalismo, pessimismo e niilismo, acabamos simpatizando com ele. Como a série é do ponto de vista dele, o que acontece não é 100% confiável, ou seja, não há como saber se realmente aconteceu ou se é algo que ele imaginou. Isto a princípio eram em pequenos detalhes, que não tinham grande impacto, porém, o que foi feito no oitavo foi brilhante e corajoso, culminou em um dos maiores e melhores plot twists que vi em anos: revelações sobre a identidade de Mr. Robot.

À época, umas das teorias, tal como Clube da Luta, revelaria que Mr. Robot e Elliot seriam duas partes de uma mesma pessoa. Já se perderia o ineditismo, mas mesmo assim, seria crível, porém, a série nos trouxe outra realidade, ainda mais insana, em uma cena aparentemente banal, começam cair queixos e os orgasmos começam.

Orgasmo 01 -  o que antes parecia ser um comportamento peculiar, um tanto quanto desagradável de Darlene depois se mostra perfeitamente razoável. O comportamento até então bizarro de Darlene  fez todo o sentido com esta primeira revelação. A revelação de que Darlene na verdade é irmã de Elliot, se seguisse a direção das telenovelas brasileiras, teria uma carga melodramática que beiraria a overdose de açúcar, repletas de lágrimas e abraços, mas não, não foi longa nem exagerada, mas sim extremamente densa. Foi visceral: a angústia, a repulsa, o horror, a confusão, o choque e a preocupação tanto de Darlene quanto de Elliot foram interpretados à perfeição.
Orgasmo 02 - Em uma foto de Elliot criança, o indivíduo que conhecemos (até então) como Mr. Robot é parecido (até idêntico) ao supostamente falecido pai de Elliot.

Orgasmo 03 - Não é uma cena em si, mas a consequência: tudo isto foi mindblowing, porque te faz questionar TUDO na série: o que é real, o que é fantasia, quem existe, quem é inventado, etc.

Em pequenos detalhes, a série se desconstrói e se reconstrói: tudo faz sentido e o que fazia sentido, não faz mais tanto. Foi um episódio que responde tanto quanto pergunta: Elliot alucinava com seu pai sendo Mr. Robot? Por que ele o esqueceu? Por que ele o recriou sob a identidade de um hacker? Aquele é realmente o pai dele? Se não é o pai, quem é? Isso adicionaria toda uma camada extra de loucura, que nos episódios seguintes se delineou de forma magistral.

Neste episódio a conclusão é a seguinte: E agora? Nós não temos nenhuma ideia do que é o que ou quem é quem.


Esse texto foi escrito por: Roberta Brum
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