Conheça - UnReal

Por Alvaro Luiz Matos

28 de fevereiro de 2016

O que esperar de uma série que tem como propósito mostrar os bastidores de um reality?

Eu como uma fã de reality dos mais variados tipos (musical, culinário, sobrevivência, relacionamento, entre outros) precisava assistir pelo menos o piloto dessa série que começou sem nenhum alarde e com mais desconfiança do que confiança por parte de nós fãs de séries. Quando uma série estreia sem todo buzz, a chance que ela nos surpreenda é grande e foi o que aconteceu aqui. Já no piloto a série mostra que não está para brincadeira e vai escancarar sem dó nem piedade os bastidores, como os produtores influenciam os competidores e suas ações, o ego dos figurões da TV. Enfim, UnReal engloba diversos assuntos que só quem trabalha com TV pode ter acesso. Nós enquanto espectadores não somos bestas em achar que reality show é realmente 100% verdadeiro, mas ver isso de forma tão clara na série é algo difícil de se achar.

Junte esse assunto polêmico a uma protagonista carismática que mesmo tendo diversos problemas e muitas vezes agindo de forma não tão boa, consegue fazer com que torçamos por ela. Shiri Appleby interpreta Rachel de forma tão singular e no ponto correto que a série não teria o destaque que teve se fosse outra atriz interpretando. A personagem, vale ressaltar é a melhor coisa que UnReal constrói ao longo da sua primeira temporada (que já está renovada). Ela não é a mulher clichê que estamos acostumadas a acompanhar na TV e no cinema, ela é complexa, faz escolhas erradas, é egoísta, impulsiva, mas nunca se coloca como a vítima da situação. Ela é a feminista que trabalha em um programa que rebaixa mulheres e as usam como meros acessórios para alavancar a audiência. Que no primeiro momento se parece boazinha e interessada no problema das participantes do reality, mas é logo desconstruída para que consigamos ao longo dos 10 episódios odiá-la quando necessário e admirá-la quando possível.


O grande destaque da série são suas personagens femininas. O roteiro mostra desde o início que a história de cada uma importa e abusa dos clichês de tipos de mulheres existentes para fazer uma crítica sobre. A latina gostosa, a loira barraqueira, a que tem toda pinta de ser lésbica, a mocinha indefesa, enfim, os clichês pulam na tela a cada momento da série, porém ele é utilizado da forma correta. Usar clichês não é o problema, tendo em vista que hoje praticamente nada é original, o problema é utilizá-los apenas como muleta sempre que necessário, coisa que UnReal não faz, ela trabalha muito bem todas essas questões de forma crítica e nos mostra que nem tudo é preto no branco.

UnReal pode não figurar nas mais diversas listas de melhores séries do ano de 2015, em especial graças ao canal que a produz e pelo assunto retratado, porém é preciso ter muita coragem de escancarar de forma tão clara e direta como a produção de um reality trabalha em prol de uma história específica e visando a audiência. Na época que a série estava passando, pessoas que trabalham na franquia Bachelor cansaram de reclamar que a representação dos bastidores não era real. Ressaltando que a criadora, Sarah Gertrude Shapiro, foi produtora executiva de Bachelor por muitos anos. Há exagero? Sem dúvidas, mas falar que tudo o que UnReal retrata nos bastidores é mentira é o que não pode.

Todo fã de reality deveria dar uma chance para a série, que mesmo não tendo virado febre mundial, cumpre muito bem o papel que se propõe a fazer. A visão de quem assiste reality show depois de acompanhar UnReal nunca mais será a mesma e é importante sabermos que baseado em diversas ações e confessionários de participantes, há toda uma equipe por trás que fazem de tudo para os candidatos responderem e agirem como eles querem.

UnReal entrou no meu ranking de melhores séries, pois além de tratar de um tema interessante, as mulheres são fundamentais e muito bem construídas na série como dito anteriormente. Em um mundo no qual os criadores de série precisam entender que mulher não está lá só para preencher cota de beleza ou ser a donzela em perigo, UnReal larga na frente e nos entrega personagens femininas fortes, bem construídas e totalmente necessárias para o desenrolar da história.

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