Cinema Em Foco: A Travessia

Por Jaqueline Buss

22 de fevereiro de 2016


Falar de A Travessia me pareceu relativamente fácil enquanto assistia a mais essa grande obra de Robert Zemeckis. Se o nome mencionado anteriormente não lhe zoa familiar, tenho certeza que recorda-se de Marty McFly, Forrest Gump ou até mesmo de Wilson, em Náufrago. Por nutrir um carinho ao diretor, seu trabalho recebe alguns pontos de vantagens na escalada para um veredito positivo, porém garanto que são merecidos, sendo este um julgamento neutro de minha parte.

Assim como Moonrise Kingdom (2012) e O Grande Hotel Budapeste (2014), ambos de Wes Anderson, A Travessia mantém um sorriso de canto na expressão do espectador mesmo que ele não perceba. A graciosidade na qual o enredo avança, somado a uma fotografia em harmonia suave com figurinos, cenários e sotaques, recontam essa trajetória real, com claras doses propositais de inverdades, de maneira cativante.


A sinopse nos apresenta Philippe Petit (Joseph Gordon-Levitt), um jovem equilibrista que sonha realizar uma travessia ilegal entre as torres do World Trade Center, fato que ocorreu na década de 1970. Confesso que até o presente momento, algumas semanas após esbarrar com a obra numa lista de aquecimento para o Oscar e apreciá-la, não extrapolei a investigação do quão os personagens e situações apresentadas por Zemeckis são autênticas.

Talvez a curiosidade freada abordada no parágrafo anterior se deva ao excepcional elenco de apoio e a função de cada um deles na execução do mirabolante e audacioso plano. Anos de planejamento, que iniciam-se na França com Petit ficando ciente da construção das Torres Gêmeas, envolvem cada coadjuvante em laços ferrenhos e trazem a tona sua cumplicidade e igual vontade de fazer história.


Confessando um de meus segredos cinematográficos ao leitor, considero difícil de testemunhar romances com alta carga de drama e apego, que tornam a trama totalmente dependente da afetividade do protagonista com seu par, transformando o roteiro em uma incrível aventura do coração, e que como sabemos, sempre acabam juntos no final. Dito isso, outra maravilhosa surpresa de A Travessia é o desfecho da relação de Petit com Annie Allix (Charlotte Le Bon).

Em Titanic (1997), Jack e Rose, um dos casais mais icônicos de Hollywood, e talvez da arte em geral de todos os tempos, são completamente ficcionais (desculpe se destruí a magia do amor para alguém). Annie, no entanto, após a breve pesquisa referida acima, provou realmente existir, mas resisto em me aprofundar em sua biografia, pois gosto do rumo que sua vida tomou após seu papel na realização da grande vontade de Petit, o qual deixarei o gosto da descoberta ao leitor.


Para o final deixei o mais óbvio. Quando se está a mais de 400 metros do chão, andando sobre um cabo sem nenhum equipamento de segurança, a tensão das cenas é garantida. A opinião recorrente sobre o filme é a de que o espectador tem a sensação de vertigem testada, e eu não poderia concordar mais com ela. O artista suspenso, no entanto, nos brinda gradativamente com um olhar sereno, afinal, está na sua zona de conforto.

A Travessia tornou-se, até o presente momento, um dos melhores filmes que tive o prazer de entreter-me com no ano de 2016. Tensão a flor da pele, respiração presa, sorriso facilmente arrancado e admiração pela determinação de Petit são inevitáveis durante as 2h ao lado do artista e seus parceiros. Em vista geral, o visual de A Travessia pode parecer estranho, mas esse adjetivo não é necessariamente negativo. Ao menos não no meu vocabulário. 

Esse texto foi escrito por: Jaqueline Buss

Assista ao trailer do filme:
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