Cinema Em Foco: Perdido em Marte

Por Jaqueline Buss

28 de fevereiro de 2016


Se você, assim como eu ou qualquer outra pessoa com bom senso, partilha da opinião de que nem Ridley Scott, dos excelentes Alien (1979) e Blade Runner (1982), entendeu Prometheus (que por sinal “não cumprius”), o perdão do diretor virá ao final de Perdido em Marte (2015). Explorando personagens e cenários em doses certeiras de drama, tensão e humor natural, que deflora sem ser gratuito ou forçado, a obra exerce o papel de entreter enquanto plantações sustentáveis de batatas em solo marciano deixam o espectador perguntando-se se isso realmente daria certo.

A ficção científica explora a rotina do astronauta Mark Watney (Matt Damon), dado como morto e deixado em Marte após complicações em uma missão, onde, ao perceber-se sozinho e munido de recursos limitados no Planeta Vermelho, enfrenta provações de ter que sobreviver em tão hostil ambiente. O recurso do diário em vídeo, bastante explorado na ficção, é utilizado aqui para justificar os monólogos solitários que transmitem as emoções do personagem central não visíveis nas cenas em que interage com o ambiente, moldando a empatia com o espectador, tão fundamental para elevar seus pontos de carisma.


Importante ressaltar que a história não se compromete em apresentar um antagonista clássico e óbvio. Apesar de haver quem não encontre sentido no empenho de resgatá-lo, consequentemente gerando empecilhos, o grande inimigo da trama é a escassez. Soluções ora mirabolantes, ora plausíveis, são mescladas a algo de inesperado acontecendo em prol de manter o roteiro movimentado e interessante, afinal é no sofrimento que a empatia citada anteriormente revigora-se.

Não espere a complexidade de Interstellar (2014) ou o drama agonizante de Gravidade (2013), pois Perdido em Marte é simples. As informações técnicas providas mantêm-se no nível necessário e são mastigadas para criar uma audiência a par do que está acontecendo sem necessitar de um conhecimento científico apurado ou muito acima da média. Ainda apostando no descomplicado, os personagens secundários, tanto do espaço quanto da Terra, levam a história adiante de maneira elegante e convincente. Você se importará com eles.


O final do filme pode ser facilmente deduzido, então não aconselho que dele espere grandes surpresas. No entanto, o trunfo de Perdido em Marte é justamente a trajetória, onde seguramente vale a pena acompanhar cada passo trilhado. Incluindo papéis femininos em destaque, que felizmente Hollywood tem aprendido a impulsionar, Scott aposta no tom leve e nas referências à cultura pop, levando-se a sério de forma descontraída, se é que isso faz algum sentido.

As pessoas da Terra estão torcendo pelo retorno de Mark e você irá unir-se a elas. 



Assista ao trailer do filme:
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