Cinema em Foco: Deadpool

Por Jaqueline Buss

24 de fevereiro de 2016


Deadpool deixou de ser um privilégio dos leitores de Histórias em Quadrinhos desde que Ryan Reynolds abraçou essa causa, você conhece Deadpool, aquele sujeito no traje vermelho que tem dominado a internet nos últimos meses, que tem saciado a sede dos que sangraram perante cenas em certo filme solo de um personagem que rima com Polverine, em 2009, você abraçou a ideia, você acreditou na redenção quando lhe foi prometido o filme que ele merece. Deadpool tem plena consciência de que você o assiste e ele não vai te decepcionar.

Situando o leitor, Wade Wilson (Ryan Reynolds), um ex-oficial das Forças Especiais, é diagnosticado com câncer terminal, a solução para sua condição é encontrada em uma experiência científica que o torna esteticamente desagradável aos olhos, porém o mune com o fator de cura que o regenera e lhe proporciona novas habilidades de combate, um traje em spandex e muita tagarelice. Com classificação indicativa de 18 anos no mercado norte americano, trazida ao Brasil com a de 16, a obra de Tim Miller compromete-se em apresentar uma versão sem cortes apesar da diferença etária. 
Com um desenrolar de enredo simples e sem grandes surpresas, arrisco-me a dizer que esse é um filme sem spoilers. Nada de extraordinário acontece na trama, o vilão é ordinário, não há grandes riscos e o baixo orçamento é nítido nos efeitos das cenas finais, mostrando que o investimento no longa foi curto (perdão pelo trocadilho). Por outro lado, a história pauta-se completamente nos personagens, e eles não deixam a desejar. Atuações adequadas, trajes fiéis e violência na medida, sempre justificada com humor, anulam meu argumento anterior. Não sairemos do cinema com questões filosóficas provindas de um coelho gigante ou buracos de minhoca, mas sairemos felizes.

Vanessa Carlysle (Morena Baccarin) é um par romântico convincente, corações coloridos e unicórnios mágicos circundam as cenas de amor do casal, no bom sentido. Weasel (TJ Miller) é o melhor amigo clássico que complementa o humor. As cenas com Dopinder (Karan Soni) mostram a falta de empatia de Deadpool, algo geralmente presente nos heróis, se é que é possível que até esse ponto alguém ainda encare Wade como tal. Sendo leitor assíduo ou experimentando o primeiro contato com esse universo, a história inegavelmente cativa o mais gelado dos ranzinzas.
É importante falar sobre Colossus e Míssil Adolescente Megasônico (que, aliás, tem a alcunha mais original de todos os tempos, ou a mais estranha). Os únicos X-Men que a produção foi capaz de pagar, como Deadpool nos informa, incorporam a trama no já estabelecido universo construído pela Fox ao longo dos anos. Teremos X-Men em Deadpool e provavelmente Deadpool em X-Men, torçamos então para que o sinal verde do estúdio que deu total liberdade para a execução da obra não queira impor limites no animal feroz que foi solto. Quebrando a 4ª parede o filme deixa claro que não se leva a sério, aconselhando diretamente que ninguém o faça.

Nas palavras de Ryan Reynolds, o processo de produção do filme foi o pior relacionamento em que esteve envolvido, consumindo dele 11 anos de esforço e centenas de desistências, mas é inegável que a prole de tal jornada valeu a pena. Deadpool não é o melhor filme do ano, ou a melhor adaptação de HQ já feita, porém sana a expectativa criada e nos dá exatamente o que esperávamos dele. Se fosse uma comida, Deadpool (2016) seria uma chimichanga incrivelmente bem feita, ou milhares de panquecas no café na manhã. Em síntese, Deadpool tem a leveza de alguém que encara a Morte de perto e lhe dá uma piscadela marota. 

Esse texto foi escrito por: Jaqueline Buss

Assista ao trailer do filme:
Comentário(s)
0 Comentário(s)