Chicago Med - S01E07 - Saints

Por Bárbara Herdy

9 de fevereiro de 2016

SPOILERS ABAIXO
Chicago Med tem um grave problema e não é uma doença: os roteiristas não sabem o que querem da série. Eles querem um novo E.R, um novo Night Shift ou eles querem um novo Greys com um pouquinho da sua ex coleguinha de canal? Eu sou do tipo de fã que acompanha a opinião do público, até mesmo para ter uma ideia da vida da série e dos seus personagens no futuro. Eu preciso dizer, o pessoal ama Chicago Med, acha que tudo está perfeito, os personagens estão fantásticos e os casais maravilhosos, eu concordo? Não, continuo achando que a série está patinando na sorte, tem muito personagem com pouco desenvolvimento, tem muito ator que nem sabe o que tá fazendo ali (Alo, Alo Choi!), muito casal sendo explorado, quando nem sei quem é o personagem. Não dou a mínima para um casal quando não sei quem aquela pessoa é ou quando não existe química entre eles, isso são apenas pequenos erros que a longo prazo se tornam nós e obstáculos para o desenvolvimento da série. Numa explicação crua: uma série boa é quando tem poucos personagens (nada além de sete personagens base), não existe necessidade de uma temporada com mais de 13 episódios, as melhores séries da atualidade tem essa quantidade de episódios (Daredevil, Jessica Jones, Orange is The New Black, House of Cards, Penny Dreadful) e é claro, um elenco homogêneo. Dito isso, vamos nos centrar nesse episódio que, não muito diferente do anterior abrangeu quatro distintos arcos, envolvendo boa parte dos seus personagens, o que é sim um ponto positivo e estava mais do que na hora de isso acontecer.
Vamos começar com o arco principal do episódio, um casal dá entrada na emergência após terem sido atropelados, o rapaz está muito preocupado com a sua parceira, mas a sua falta de conhecimento sobre ela deixa os médicos sem saber como prosseguir com o atendimento e é quando o rapaz revela que eles estavam em seu primeiro encontro, por outro lado, também chega um novo paciente, o homem que causou o acidente, um ex presidiário que havia roubado um carro e causou todo o incidente.


Cada caso trata de uma tocante oposta e não é novidade alguma no Universo de Chicago Med, o que torna diferente são as reações dos personagens. O garoto foi tratado por Rhodes e a doutora Zannetti (ainda acho Danette mais adorável), nesse ponto da história era para Rhodes ter outro arco a não ser o de ser o coleguinha que não concorda com os outros coleguinhas, pois tem uma visão diferente e toda essa relação com a Danette (não resisti! Danette de baunilha só para intensificar como ela é desnecessária) parece fora de tom para mim, não tem química, não tem conversa, não tem motivações ali, parece tudo muito robótico, até mesmo as suas brigas, não foi algo que fluiu com naturalmente.
O ex presidiário foi tratado por quem, o queridinho de Chicago Med (só que não) Dr. Halstead, quando eu vi que Will ia ficar com esse caso pensei em duas possibilidades: a) treta ou b)treta com crescimento do personagem, foi um pouquinho do último, Will cuida do homem, sem preconceitos e olha só, até caridoso, ele faz alguns exames, descobrindo que o homem tem câncer – e descobre que ele tinha conhecimento de tal coisa! Todo aquele acidente foi planejado por ele, pois o presidiário após ser solto, não conseguiu se estabelecer, descobriu sua doença e ficou sem saída quanto ao tratamento. Ele só queria ser preso novamente.


Com isso, Jay dá um pulinho em Chicago Med para dar um auxílio ao irmão de como proceder àquilo, um arco um tanto confuso, mas tem lá sua utilidade na série. 

Will que é tão preconceituoso foi colocado numa posição de mudança de postura, gostei desse crescimento no personagem, mesmo crendo que ninguém muda de opinião tão rapidamente, é algo crescente. Mas o que está feito, está feito e agora é os roteiristas lembrarem disso futuramente e não esquecer, e tornar o personagem incoerente consigo mesmo.   
Nos arcos secundários tivemos duas histórias, que para mim, foram os mais interessantes do episódio: uma garota que está há dez anos sendo tratada no Chicago Med, por conta de um câncer receberá um transplante de medula óssea que mudará sua vida e o caso de Bobby. 

O primeiro caso foi cuidado por Sharon e administração do hospital. Até então o transplante está certo de ocorrer, mas foi só a medula chegar no hospital que tudo desandou, um dos administradores informou a Sharon que o transplante não poderia ocorrer por conta do irmãozinho da garota estar fazendo uma arrecadação de fundos para agradecer o doador com uma viagem para a sua família, o que para alguns, isso pode ser interpretado como um pagamento. Isso poderia ser visto com maus olhos pelo público e para evitar um processo, Sharon é colocada na posição de cancelar tal procedimento, entretanto ela luta para conseguir dar a garota o seu sopro de vida. Para mim, esse foi um dos melhores arcos da série, até então, mostra como os transplantes funcionam nos Estados Unidos e as leis funcionam e o papel dos administradores do hospital quando uma bomba dessa é colocada em suas mãos e ela precisa impedir que ela imploda nas suas mãos. 

E o caso de Bobby trata de algo particularmente comum que tem lá sua camada surpreendente. April tem cuidado de Bobby nos últimos meses por pequenos problemas por conta de seu coração caridoso, ele tem o costume de ‘doar’ suas posses para as pessoas, o que acaba em algumas situações lhe causando pequenas injurias. Para April, a sua postura é linda digna de um Santo (comparação com o título do episódio? Imagina!) e ela não vê nenhum problema a fundo nisso, apenas fica preocupada com sua saúde, então, Charles entra no caso com tudo, por estar considerando as ações dele um tanto estranhas, já que as suas ações lhe causam, quase sempre, feridas. April bate o pé, crendo que Bobby é um homem com boas intenções, Charles descobre, infelizmente ser algo muito distante de uma boa ação feita pelo seu coração. 

Dr. Charles descobre que Bobby sofreu um derrame a alguns anos o que lhe deixou patologicamente generoso, por conta das lesões cerebrais. Tal solução do arco coloca April numa posição cética, onde ela se questiona se na história do mundo, os conhecidos santos, existiram ou se todos eles foram condicionados com algum mal cerebral? A resposta de Charles dá expõe a alma da série nos minutos finais do episódio. Belíssima união de cenas com Charles dando uma lição de vida a April.                    
E não menos importante, tivemos algumas cenas (bem desnecessárias) de Nat curtindo seu bebê Owen e sua sogra a tira colo da nora. Tá, esse arco não foi tão desnecessário, pois mostra que talvez, num futuro distante, Nat irá embora de Chicago, pois ela não tem nada lhe prendendo ali, além de sua residência e irá para Seattle (Alo, alo Meredith Grey!). A sogrinha dos capetas claramente desgosta disso, pois ela está sozinha no mundo e esperava ter um pedacinho de família com a chegada de Owen, lamentando tal destino,  depois de descobrir as intenções de Nat, ela muda de postura com Will, mostrando uma maior abertura a sua presença, mesmo que ainda distante. Honestamente? Achei escrotinho da parte dela, mesmo que a maioria tenha considerado ‘tocante’ e tenha ficado com pena da senhora, por favor, gente! Vamos acordar? Ela pode estar sozinha, mas o que prende ela a Chicago também? E mesmo que Seattle seja do outro lado do país, vivemos num mundo tecnológico onde a distância é quebrada a poucos cliques e ela não é uma senhora pobre, pode muito bem visitar Nat ocasionalmente e por quê não, se mudar para Seattle? E sua mudança com Will, para mim, foi uma postura falsa, ela acha que se Nat se apaixonar, isso vai fazê-la ficar? Achei mal editado, mal desenvolvido, apenas um mal completamente desnecessário,e de novo, outro desenvolvimento de arco sem necessidade ou que poderia ter sido feito de forma mais sutil ao longo da temporada. Ah, e marquem minhas palavras, meus queridos: Já to vendo essa senhora pirando na maionese Hellman’s e pedindo a guarda total de Owen, por motivo claro da Nat estar ‘sempre’ ocupada no trabalho, Owen ficando sem cuidados maternos, ficando doente por algum motivo, e a pouca atenção ao filho pode ser considerada descaso e aí vai chegar a Vovó Maravilha. GUARDEM MINHAS PALAVRAS! Vai dar treta!

Foi um episódio bom, mas estou ficando cansada de episódios ‘bons’ quando Chicago pode nos dar muito mais; A série foi renovada nessa última semana e eu não comemorei, pois a série não está merecendo ganhar tal presente, está na hora dos personagens serem melhores apresentados e lapidados, tem personagem demais para pouco desenvolvimento, a equipe de edição está trabalhando porcamente (Cadê o irmão da April? Cadê o Joey? Cadê arco para o Choi? Cadê eu dando a mínima para a Zanetti/Rhodes e Nat/Will, o casal mais chuchu sem sal da série?), arcos com maior desenvolvimento, até mesmo em longo prazo, como também os casais principais precisam urgentemente de uma lapidação em seus desenvolvimentos e um maior desenvolvimento por parte dos atores ou como no caso de Danette e Rhodes, talvez terminar seja a melhor solução. 
Esse texto foi escrito por: Bárbara Herdy
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