The Good Wife - S07E12 - Tracks

Por Roberta Brum

18 de janeiro de 2016



SPOILERS ABAIXO

O episódio se desenvolve a partir de duas frentes: uma vizinha irritada e um caso de direitos autorais. Tracks é um episódio marcado por retornos e despedidas: Ruth despediu-se juntamente com as  prévias democratas à presidência, a cínica e maravilhosa Andrea Stevens retorna como uma oponente à altura, Rowby se envolve em mais um caso com sua gravadora e Marissa volta like a boss. E rouba o episódio para ela.

Eu tenho uma paixão pelos Gold, tanto o Eli quanto a Marissa. Depois da saída da Kalinda, são os melhores personagens para mim. A Marissa é uma brisa no deserto. Ou mais um furacão. Toda dinâmica, impetuosa, entusiasmada e bem-humorada, ela transforma as cenas em que aparece. Fora que a sagacidade dela é igual à do pai, talvez até melhor, com um timing e tiradas fabulosas. Neste episódio foram no mínimo três marcantes: quando ela fala para Eli que "precisa de um emprego para financiar sua arte de viver". Ou quando ela oferece à Alicia "a primeira chance de contratá-la". Ou ainda quando Eli conta, no que para ele era uma revelação significativa, sobre Will estar apaixonado por Alicia, no que ela responde "já sabia. Tenho olhos".

Outra que teve um relativo destaque foi Grace, que foi despedida - mas ganhou um abraço - da firma da mãe, mas também tomou as rédeas da situação, ao lidar com o problema do despejo da mãe, que por ter uma empresa em uma residência, fere a legalidade do prédio em que mora. Na verdade esta foi a desculpa que a vizinha irritada encontrou. E até tinha razão na reclamação, mas nada que uma conversa civilizada com a Alicia não resolveria, afinal houve um engano na numeração dos apartamentos no lobby e tanto clientes quanto entregadores iam direto na porta da vizinha, que não estava exatamente contente com a situação e papel de pseudo-secretária da Florrick/Quinn.
Marissa, que oportunamente estava visitando Alicia quando a carta intimando o comparecimento na audiência, e sorrateira como o pai, deu umas dicas para Grace ter algumas cartas na manga na audiência.

Grace ocupou o lugar de Alicia na audiência - e atuou como uma verdadeira advogada, e tenho certeza que deixaria tanto mãe quanto pai orgulhosos -, já que seguindo as estratégias de Marissa descobriu que vários condôminos violavam regras do prédio, incluindo a vizinha pé-no-saco.  Foi ótimo ver Grace segura, madura, firme, se impondo, apontando tetos de vidro e colocando a vizinha no devido lugar. E também é interessante esta inclinação prática da Grace para o labor jurídico, que parece ter sido cortado pela raiz com sua demissão da firma da mãe. Tem tanta trama sendo criada para a Grace com potenciais substanciais, mas nenhuma é aproveitada: a Sam no episódio passado, essa veia jurídica dela em Tracks... Ela tem sua importância cada vez mais reduzida.



Como já comentei, o crescimento e desenvolvimento da Alicia é inegável, mas neste episódio um ponto foi reforçado: ela aprendeu a dizer não. Ela não simplesmente abaixa a cabeça e faz o que é mandado, pelo contrário. E neste episódio Alicia teve a reação que esperava dela quando Eli revelou sobre a mensagem de voz de Eli. Mais esperada e compreensível e até mais emotiva. No episódio anterior as reações que ela teve foram resultado do choque (mas continua sendo sensacional vê-la atirando pratos), neste, em contraponto, na conversa com Marissa percebe-se toda a dor que ela está sentindo, não só nos olhos marejados e palavras, mas na expressão dela: ela está machucada, não apenas pelo Eli ter traído sua confiança, mas imaginando tudo que perdeu (o que já disse que não leva a lugar nenhum e trava a narrativa, mas que é compreensível e esperado).

Mas também devemos considerar o Eli, que retorna à sua função de gerente de gabinete do governador, mas depois da briga com Alicia perdeu seu brilho. Ele está perdido e desolado porque como a Marissa disse, ele se importa com a Alicia e ele não se importa com quase ninguém. 

Diane nem é mais coadjuvante, as tramas que a envolvem são extremamente rasas e considero isto um desperdício de Christine Baranski.

Sobre o caso principal do episódio, que teoricamente reuniu Cary e Alicia, foi um caso relativamente simples de direitos autorais, que discute também os limites entre referência, técnica, inspiração e criatividade, no qual Lucca assumiu a frente. Cary e Alicia não chegaram a discutir estratégias ou conversar sobre o caso. Tudo se resumiu basicamente a sentarem lado a lado no tribunal e intercalarem protestos e argumentos. Não houve nenhuma real interação. Gosto deles como amigos, sócios, parceiros em defesas de casos, dupla dinâmica, mas não tivemos nada disso no episódio.



No loop que comentei na review anterior, mais uma vez é retomada a disputa e "roubo" de clientes e um possível retorno de Alicia - e uma primeira incursão de Lucca - à Lockhart/Agos/Lee. Esta relação infindável e indefinida de parceiros ou inimigos começa a cansar. Como diria uma amiga minha, é uma ~punheta~ sem happy ending. Diane já deixou claro que pessoalmente não aceita o retorno de Alicia e esta também deixou claro que não voltará para uma grande firma, em especial aquela. E isto me deixou feliz e orgulhosa dela. Prefiro vê-la enfrentando Diane e Cary no tribunal ou se unindo à eles em casos esporádicos, onde os três são verdadeiros monstros. Um detalhe nisto tudo: Lucca deu um indicação sutil que talvez aceitar a absorção das duas pela firma seria o correto a se fazer, mas Alicia ainda não deu o braço a torcer. Ainda. E espero que continue assim.

Por fim, o diálogo entre Ruth e Peter me chamou a atenção por um motivo. A fala de Ruth indica que no horizonte de Peter - e provavelmente Alicia - surgirá um novo inimigo. Será que teremos um novo James Castro? Ou Glenn Childs? Ou ainda um Mike Kresteva? Dentro do loop que está TGW está, é provável.

P.S. Uma boa notícia: Elspeth Tascioni voltará nesta temporada :)


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