The Good Wife - S07E11 - Iowa

Por Roberta Brum

17 de janeiro de 2016


SPOILERS ABAIXO

Good Wife retornou com um episódio morno.
Há tempos a série perdeu o rumo, e honestamente, expirou o prazo de validade. As tramas são repetições de temporadas passadas, de tal modo que a série entrou em um loop: não temos mais a eleição à governador de Peter, temos a prévia democrata à presidência; Eli tentará lançar Alicia não como procuradora geral, mas senadora; Alicia vive as dificuldades de abrir uma nova firma, agora não com Cary, mas com Lucca. 

Temos uma Alicia bem diferente, obviamente. Uma mulher mais independente, mordaz e indiferente, porém as tramas se repetem e não há nenhuma novidade. Trazer o Will à tona claramente é um plot device. E forçado. Considerei desnecessário, até pelo modo como afetou uma das principais e mais interessantes relações da série: Eli e Alicia. Serviu ao menos para a Julianne mostrar todo seu talento. A cena na qual ela calmamente pega os pratos, conta-os como se nada tivesse acontecido e depois começa jogá-los em Eli é magnífica e diz muito sobre esta nova Alicia (por falar nisso, a cena só confirma minha opinião que a raiva controlada é a pior de todas). Mas confesso que gostei da Alicia saindo daquela retidez que ela emana. Não que ela seja perfeita, mas os pratos foram algo inesperados e bem-vindos, principalmente por ser algo que não esperava da parte dela. E o que dizer do blaseísmo da moça materializado em óculos escuros fabulosos e os fones de ouvido? Talvez estes tenham sido os ups do episódio. E para um episódio que prometia emoções, eu não senti muito.

Pode-se dividir o episódio exatamente em três tramas: a turnê do Peter por Iowa permeada por uma Alicia com raiva do mundo e ao mesmo tempo melancólica, o processo contra a Lockhart & Agos & Lee e o pré-nupcial da Jackie. Apesar de terem ligação com a Alicia, sendo Jackie sua sogra (ou ex?) e o acordo ser negociado pela Lucca e o David Lee, afinal de contas, não eram exatamente tramas entrelaçadas. Falando em Lucca, ela é a personagem que mais interage com a Alicia nesta temporada, e a meu ver, apesar de ser carismática, é um paliativo para a Kalinda. Alicia e Lucca funcionam, mas ainda falta algo ali.

Sobre os relacionamentos amorosos de Alicia, no caso, o atual, o investigador Jason Crouse: desnecessário. Por mais que normalmente os dramas da TV aberta norte-americana se utilizem de romance para densificar a carga dramática, TGW poderia passar sem isso. Mesmo o Will, que claramente foi/é o amor da vida dela. Alicia não precisa de namorado/affair/marido nenhum. Sempre gostei dela solteira.


Falando em Jason Crouse, desde quando ele e a Lucca são BFFs? Nunca tiveram um diálogo de mais de três frases - todas relacionadas à casos deles, claro - e agora fazem piadinhas ao telefone. São detalhes que dentro do panorama geral não interferem em absolutamente nada, porém, me incomodam. 

Outro ponto importante em TGW foi a firma de advocacia. A Lockhart & Agos & Lee está deslocada na série. Considero a pertinência da firma na trama questionável. O modo como o roteiro trabalha a articulação no todo parece mais uma costura mal feita, um remendo frouxo. A firma de advocacia que nos áureos tempos da série era o lócus de todos os acontecimentos, hoje é Um universo paralelo à parte, totalmente desvinculado e com plots isolados: um acordo nupcial entre Jackie e Howard - uma forma fraca de ligação com a Alicia -, uma acusação de racismo corporativo trabalhado de forma tão superficial e fácil; Cary e Diane não interagem mais com a Alicia nem no tribunal - sim, sei que os casos da Alicia são de cunho e alcance diferente - porém a série perde muito nesta falta de conexão.


Do episódio em si, valeu pelo "retorno" de Zach e Grace. Como já disse, Julianne estava perfeita: a raiva, a nostalgia, indiferença, a necessidade de distanciamento, até certa alienação são esperados, porém, ao mesmo tempo, percebi - pode ser exagero, claro - uma falha nisto tudo. Desde o início e desde sempre Alicia é mãe ursa e em nenhum momento do episódio que ela se remoe pelo Will, pelo que poderia ter sido, em especial quando ela diz que se pudesse voltar e se estivesse em Georgetown, teria dito sim para o Will, ela nem considera os filhos, que são a constante em sua vida. Mas enfim... Esse negócio de "e se" vejo apenas como retrocesso e estagnação, porque não há o que fazer. O momento já passou. Perdeu, playboy. No máximo enquanto narrativa e desenvolvimento de personagem, tem por utilidade servir de estopim para uma autorreflexão e uma ruptura, coisa que não foram os casos em TGW, visto que não acredito em um rompimento entre ela e Eli. Eles logo voltarão às boas.

Os personagens de Zach e Grace são extremamente negligenciados pela narrativa, verdadeiramente esquecidos. Este novo possível plot da Grace, no qual a Sam se mostra interessada por ela é uma incógnita: será desenvolvido? Algo que seria extremamente interessante, em especial pelas possíveis repercussões: a Grace sendo religiosa e seu pai governador. Mas dentro do que nos foi apresentado até então, é muito provável que isto não passe de mais um plot device e que será esquecido já no próximo episódio.

Já sobre a o significado da derrota de Peter: uma aproximação entre Peter e Alicia emerge, talvez tendo como consequência maiores interações familiares, mas novamente se voltará à dicotomia: processo eleitoral (provavelmente da Alicia ao Senado com a já conhecida saga do Eli tentando convencê-la, agora mais complicado devido à treta entre os dois) e ela atuando como advogada, com talvez respingos na família. Mais do mesmo.

Esse texto foi escrito por: Roberta Brum
Comentário(s)
0 Comentário(s)