The Bastard Executioner - S01E07 - Behold the Lamb / Gwel Yr Oen

Por Roberta Brum

27 de outubro de 2015


SPOILERS ABAIXO

"Este não é o meu nome. Meu nome é Wilkin Brattle".

Sem dúvida melhor o melhor episódio até então. Teve tudo: traição, confissões, propostas, ameaças, assassinato, revelações... Caramba, teve até uma espécie de esquartejamento, horrível, diga-se de passagem. Love finalmente confrontou Corbett, Wilkin revelou sua verdadeira identidade, A busca por Annora se intensificou e Pryce propôs algo que Love pode não ser capaz de negar por muito mais tempo.

A complexa rede de mentiras e enganos que define TBX Executioner é seu aspecto mais atraente e intrigante: por um lado, te mantém assistindo porque tu queres descobrir os motivos dos personagens e isto é um elemento até viciante, que "te obrigas" a continuar assistindo. 

Aproveitando o hiato de uma semana e revendo e fazendo um balanço até então: desenvolve-se lentamente, mas de modo bem escrito e coerente, no geral. A partir do sexto episódio engrenou de vez. Li uma crítica que afirmava que o problema de TBX são os caráteres unidimensionais dos personagens, ou seja, na simplicidade dos personagens. Do trio principal, o Brattle eu até concordo que talvez tenha elementos unidimensionais, mas Lady Love e Corbett são o contrário, complexos e tridimensionais, repletos de emoções e ações conflitantes e contrários, sempre em tensão.

Foi o primeiro que eu realmente me engajei emocionalmente, torcendo pelos personagens e temendo por eles. Também em alguns momentos me deixou às cegas, sem saber o que esperar, em especial em dois momentos: quando o copista-chefe delata a conversa entre o Mouro e o padre, colocando em perigo a Annora. Aproveitando o gancho, confesso que estou muito curiosa para saber mais sobre os serafins e especialmente aquela livro do Nazareno (já imaginei toda a trama de Código da Vinci mais ou menos e quero este livro). Adoro uma teoria da conspiração, e se houver elementos religiosos então... E o segundo foi quando levaram todos os prisioneiros à presença do arcebispo: já tinha visualizado um massacre em massa.


Chegou em um ponto que concebo a situação do Brattle como tragicômica: ele tenta se afastar, buscar a paz, liberar e proteger seus amigos, mas quanto mais ele tenta, mais ele se prende à teia de intrigas, traição e vingança. Desta vez revelando todos seus segredos à Lady Love, inclusive a atração e a visão do filho deles, ele assina uma confissão cuja pena é a morte. Ou seja, foi basicamente uma tentativa de suicídio. Ele simplesmente não consegue se afastar de tudo. O fato de ele ter transado com a Jessamy concebo apenas como problema e não destoa da linha narrativa da trama: ela ficará ainda mais obcecada por ele, e também acredito ter possível uma nova gravidez, o prendendo ainda mais à toda situação. Às vezes gostaria que ela sumisse e que não faria falta alguma, mas ao mesmo tempo vejo um potencial no possível triângulo, desde que este não se torne o eixo da história e não seja enrolado.

Corbett e Lady Love também se despiram das máscaras, e teve direito à tapa e tudo. E no final, como ambos tem o mesmo objetivo - o fortalecimento daquele bendido condado -, apesar das distintas abordagens e métodos, concordaram com um plano de ação. Mas mais uma vez, Lady Love, mostrando perspicácia e sagacidade (e também egoísmo, afinal ali ninguém é altruísta), surpreende ao não aceitar a confissão de Brattle. Surpreende pela personalidade que ela aparenta ter (apesar da imagem ideal de ingênua, submissa e correta que está sendo desconstruída aos poucos), mas não pela linha narrativa da trama.


Por essas e outras digo que ela é a melhor personagem feminina: ela idealiza a paz e segurança do seu povo, mas condenou e assistiu a execução de um inocente pelo "bem maior". E mesmo assim ela não ganha o estigma de vilã, com o Corbett, por exemplo, pois suas ações, mesmo em diferentes graus, se assemelham. Fora que é bem provável que ela não conseguirá escapar do casamento-aliança com o Pryce. Ela poderá postergar, e com certeza traí-lo, mas é praticamente fato dado. Neste sentido, vejo como possibilidade o casamento deles e logo a morte de Pryce: suspeitos seriam Corbett, Brattle, a própria Love e também a Isabel.

Avançando, ao tomar conhecimento e guardar o segredo de Brattle - a cena em que ela queima a confissão foi ótima: direção, enquadramento, luz, atuação, tudo -, ela se coloca a perigo também, pois quando (não é se descobrirem, é quando mesmo, pois cedo ou tarde alguém sempre descobre) este segredo vir à tona, ela também será julgada e condenada, juntamente com Corbett. Ela vê em Brattle um porto-seguro, alguém em que pode confiar, fora a atração que sente por ele. 
A questão da gravidez me inquieta. A temporalidade na trama não está clara para mim, mas acredito que a barriga dela já deveria estar aparecendo, de modo que, ou ela encena um aborto, apesar que isto só apressaria um casamento, ou começa as tentativas de engravidar. 


Ainda sobre a Love, me encanta o quanto a sensibilidade do texto de Sutter a empoderou: ela pode não ser exatamente independente devido ao sistema que a subjuga, mas dentro das condições nas quais ela se insere, ela procura uma emancipação e tomar suas próprias decisões, por mais discutíveis que sejam.

Como já mencionado, o ship tá encaminhado, assim como os vários obstáculos entre eles, mas espero que não foque apenas nisso, que este romance seja secundário ou terciário.

Voltando à Corbett, ele, caso não tenha ainda ficado claro, é alguém com quem não se brinca, cumprindo suas ameaças e se vingando de Brattle. Além disso, tivemos mais um vislumbre da sua personalidade: ele foi abusado quando era criança por um padre. Por isso que amo o Sutter: sempre tem algo a mais, algo escondido, uma motivação oculta, algo que possa vir a explicar o modo como as coisas são.

Finalizando, farei um adendo: como o acesso da informação é algo incrível... Até então critiquei veemente a aceitação e ilusão da Jessamy em relação ao Brattle, mas depois da leitura de um livro chamado O Retorno de Martín Guerre, no qual acontece justamente isso (na verdade, o que acontece é o retorno de "Martín Guerre", o falso no caso, depois de 9 anos de desaparecimento, surpreendendo sua "viúva"; o que acontece foi que o verdadeiro e falsos Martín Guerres se encontram na guerra e decidem um assumir a vida do outro, e como o Martín Guerre falso é melhor que o verdadeiro, a esposa decide dar seguimento à situação), reavaliei e mudei minha opinião. Mudei, não, refinei. Não me aprofundei se este subplot teve inspiração no livro, mas achei interessante.


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