The Bastard Executioner - S01E05 - Piss Profit/Troeth Elw

Por Roberta Brum

10 de outubro de 2015

SPOILERS ABAIXO

Um episódio que mostra o amadurecimento da série, o que é um ótimo sinal afinal chegamos à metade da temporada. As tramas estão se intensificando, se densificando, ficando cada vez mais amarradas que chegam num ponto que não tem volta: é um castelo de cartas e no momento que uma carta cair, todas caem. Foi um episódio que potencializou e criou novos conflitos e tensões cada vez mais sérias. As situações estão se intensificando, com Lady Love tendo que provar que está grávida (o teste é uma comédia, mas verdadeiro) e consequentemente, tendo que ter um herdeiro e Brattle ainda está tentando manter sua identidade secreta. Os segredos são tantos e tão pesados que está ficando complicado guardar tudo. E resolver o "problema" de Lady Love é algo de máxima prioridade. Gaveston está de olho.

Corbett mais uma vez mostrou todo seu poder manipulativo, sua destreza e maquiavelismo no ataque. O fato de ser a carroça médica da esposa de Pryce foi um fator inesperado. Mas foi um movimento inteligente neste verdadeiro jogo de xadrez que Corbett joga. E agora tem o peão ideal para realizar todo o trabalho sujo. O poder que ele tem sobre Brattle faz Brattle ir contra seus princípios - ou ao encontro de sua verdadeira natureza? - e fazer justamente as coisas que jurou não mais fazer. Não à toa o rapaz é meio perturbado. Corbett é frio e calculista, com empatia praticamente nula, um ser extremamente racional; Brattle se importa e o que ele faz o atinge num nível psicológico.

Dando seguimento, este ato pode reverter em uma guerra local entre condados. Porém, o maior inimigo agora - superior ao próprio Corbett e Pryce - é o Conde Gaveston. O surgimento e estabelecimento do Conde apresenta um novo personagem a ser odiado: ao mesmo tempo que foi ótimo ver Milus sem reação e sendo humilhado, literalmente de joelhos e rejeitado, também igualmente ótimo - e ainda melhor -, sensacional mesmo, ver a indignação com a derrota momentânea do conde. Momentânea porque ele não irá desistir. Em especial por algo que me causou surpresa: as gêmeas que eu acreditava simplesmente terem enquanto objetivo cumprirem a cota de nudez da série, surpreendentemente se mostram como agentes duplas que podem e provavelmente irão causar problemas. Por falar nisso, se eu precisasse de mais motivos para desgostar do Gaveston, o incesto me deu de sobras. É algo que não consigo digerir de maneira nenhuma. Mas novamente, uma surpresa. Corbett tem um adversário à altura na figura do Conde. Seus embates serão deveras interessantes.


Neste ponto fica claro como o arco de Corbett é bem escrito e como ele é um dos melhores, senão o melhor personagem da série: ele é extremamente ambíguo, ao mesmo tempo que manipula, usa e humilha Brattle, bate em servos simplesmente para extravasar a raia, ordena e planeja assassinatos como se fosse alo tão banal como pedir frango no almoço, negocia com a vida de outrem, constantemente trama pelas costas da baronesa, a astúcia e engenhosidade dele se fazem necessária contra um inimigo perigoso como Gaveston. 

O relacionamento entre Brattle e Lady Love já é óbvio, mas ao contrário do que supus - de modo extremamente equivocado - será uma aproximação lenta e romântica, não apenas impulsionada por uma necessidade imediata - a gravidez - mas sim será um envolvimento real. Até porque não combina com a personalidade dela simplesmente sair transando com qualquer um por aí. E já meio que shippei.


Lady Love e Isabel se tornaram o alívio cômico da série - a analogia das plantações e sementes foi ótima; lembrei inclusive de uma análise antropológica de David Labby sobre os iapeses, que afirmavam que "a mulher era um jardim no qual o homem plantava, introduzindo a semente que germinava e se transformava na planta, que era a criança. O homem era o lavrador que cultiva a mulher".

Sobre outros personagens, a "esposa" perturbada de Wilkin até então inofensiva, vai surtar e complicará e muito a situação, provavelmente não conscientemente, mas movida por paixões, no caso ciúmes. Não duvido inclusive de um ataque à baronesa. O próprio Marshall, que já externou sua desaprovação com a aproximação de Brattle com a nobreza e os métodos deste, está se distanciando de Brattle. Annora perdeu o caráter sobrenatural, realmente sendo uma curandeira de alguma ordem, mas que devido às características "pagãs" do culto, é vista como bruxa aos olhos da Igreja Católica. Mas mais uma vez foi a salvadora do dia ao garantir um "teste positivo de gravidez" para Lady Love e também, numa indicação do que acontecerá, aconselhou Brattle a ficar de olho na esposa.

Para finalizar, sinto falta do pano de fundo que contempla a revolta galesa contra os ingleses, que estava em pleno movimento à época.

Em resumo, apesar de três episódios iniciais truculentos, com altos e baixos, cenas dispensáveis, diálogos confusos, TBX está se mostrando uma narrativa bem trabalhada e não apressada. Tenho algumas ideias do que virá pela frente, porém não tenho certeza de nada. Veremos.



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