Mr. Robot - S01E10 - 1.9_zer0-day (Season Finale)

Por Roberta Brum

9 de setembro de 2015

SPOILERS ABAIXO
“Alguma coisa disso é real? [...] Um mundo construído em fantasia. Emoções sintéticas em pílulas, guerra psicológica em propagandas, produtos químicos em comida que alteram a mente, seminários de lavagem cerebral na mídia, bolhas de controle em forma de redes sociais. De verdade? Quer falar sobre realidade? Não vivemos em nada que chegue perto disso.”


Confesso que esperava um anti-clímax nessa finale: de algum modo o plano todo seria sabotado, pelo próprio Elliot, pelo Tyrell, pela polícia, enfim, não iria se concretizar. Então foi uma surpresa (boa) ter dado certo. Adoro ver o caos instaurado. Quanto à linguagem, não sou muito fã de textos que começam pelo pelo fim, fazendo uma espécie de regressão, mas desta vez funcionou bem, até porque ao dar o fato consumado, o texto não retomou o que levou a isto passo a passo. Sou meio maquiavélica nesse sentido, "os fins justificam os meios", assim, não estou muito interessada no que aconteceu entre o momento que o Elliot levou o Tyrell para o fliperama ou como se deu a execução do plano. Me interessa apenas o paradeiro do Tyrell e o que acontecerá a partir de então: como será esta nova ordem mundial, seus efeitos, o próximo passo da fsociety. 

A cena mais emblemática do episódio foi o suicídio do executivo, principalmente devido ao contexto. Analisando friamente, ao adiar a exibição do episódio por haver uma cena semelhante ao assassinato da repórter (o que foi uma atitude louvável, pois a cena lembra e muito o acontecido), fez com que a cena fosse esperada, de modo que tirou um pouco do impacto. Mas ao mesmo tempo criou uma expectativa acerca do quão próximo e realista seria a cena. Assim, o shock value esteve presente. Soltei um PQP básico. A cena foi forte, chocante, mas totalmente contextualizada, não houve gratuidade nenhuma nela.

Outro ponto alto do episódio foi mais uma vez a batalha interna do Elliot, mas desta vez tivemos outro ponto de vista além do dele: aqueles poucos segundos em que vimos ele tentando se estrangular - pelo olhar de terceiros, um olhar sobre o que "realmente" acontecia -, coroaram o plot twist sensacional que aconteceu nos oitavo e nono episódios. E a direção nessas cenas é magistral: aquela câmera na mão, tremendo, é simplesmente angustiante e uma agonia. Tu basicamente vivencias a psicose junto com o Elliot. Fora que este conflito reflete na própria trama da série: o que acontece é real ou não? Na verdade, o que é real?
No mais, o Lenny/Marc não serviu apenas de plot device. Acredito que na próxima temporada ele fará alguma tentativa contra o Elliot, de algum modo fará conexões ou (mesmo sendo verdade) entrará numa paranóia afirmando que tudo é culpa do Elliot. Ele poderá ser não exatamente um vilão (afinal, em Mr. Robot todo mundo é um pouco vilão e mocinho ao mesmo tempo), mas um incomodo na próxima temporada.

Sobre os demais personagens, Joanna ainda é um personagem que me intriga. Mas sem dúvida o mais intrigante, que me atrai mais é o Whiterose (amo B.D. Wong desde meus tempos de Law & Order): saber quais são os interesses dele, o que o motivou, por que a persona Whiterose, quem é ele. Tudo é um mistério. E por isso Whiterose é o meu personagem favorito.

Finalizando o episódio, a comparação que o Whiterose faz no final com Nero foi simplesmente fantástica. Ele é Nero. Tal qual Nero, ele instaurou o caos: mas ao invés de queimar Roma, ele derrubou o maior conglomerado do mundo, deletando todos os dados deste. 

Mr. Robot deu um até logo com cliffs interessantes, algumas dúvidas pertinentes e a certeza que é uma baita série.

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