Game of Thrones - S05E03/04 - High Sparrow/Sons of the Harpy

Por Antonio Neto

9 de maio de 2015

SPOILERS ABAIXO:
Game of thrones é conhecida como uma série cruel onde apegar-se a personagens é algo perigoso. Nesse universo onde ninguém está seguro é quase certo que o próximo personagem a morrer será o seu favorito, por isso, a saga possui um grande número de storylines finalizadas que deixaram muita saudade e ao fazer uma mínima menção às mesmas cria um grande sentimento de nostalgia naqueles que a acompanham. Pois o caminho desde a viagem do rei Robert foi longo e o telespectador, assim como o norte, se lembra. 

É impossível não começar falando de algo tão marcante como o duelo que Cersei e Margaery travam nessa temporada. As duas jamais foram amigas, mas nunca antes suas indisposições e intrigas atingiram o épico nível de um jogo de xadrez. Não existe outra definição melhor para esse combate pelo controle do rei. E essa é a parte engraçada: alguém ter que controlar o rei. Tommen ainda é um garoto aprendendo a governar (quando a Cersei permite) e se impor (quando a Margaery o manda). Essa é uma trama que vale mais do que o personagem: O homem mais poderoso de Westeros é um capacho. Mas voltando ao embate de rainhas... A forma como a Cersei isola a Margaery dos seus parentes mais próximos para deixá-la desprotegida, enviando Mace Tyrell (cercando de homens de sua confiança) para uma tarefa de grande honra e armando para o Loras em contrapartida de ganhar a confiança do Alto Pardal não é apenas um retorno daquela rainha jogadora da primeira temporada, é o jogo dos tronos em sua forma mais autêntica. É Porto Real como era nos tempos de Mindinho e Varys. Mas vale salientar que a Cersei anda por um terreno perigoso com a Fé Militante e a Margaery ainda deve revidar. Resumindo: A briga apenas começou. 

Em Dorne, Bronn e Jaime iniciam sua missão de resgate à princesa Myrcella e os dois apenas comprovam minhas especulações de que formariam uma dupla quase tão boa quanto Bronn e Tyrion. Cenas como o Jaime se recusando a remar por causa da sua mão, o diálogo sobre como se quer morrer e a cena de luta com os dorneses foram alívios bem-vindos na trama. 
Do outro lado do mar estreito, Arya começa seu treinamento para tornar-se um homem sem rosto. Não houve grande avanço em seu plot, entretanto a cena onde a garota não consegue livrar-se de sua espada foi um momento intrigante: ela não quer esquecer-se de quem é. Logo ela, quem assumiu tantas identidades. Mas Arry e tantos outros nomes que ela teve eram simplesmente uma questão de sobreviver, sobreviver para se vingar. Foi um momento nostálgico e humano em seu núcleo apenas comparável ao seu quase encontro com Robb e Catelyn na terceira temporada.

E falando em nostalgia, esse foi um tema recorrente nos episódios. Em ambos. O seriado traz de volta histórias como A rebelião de Robert, a mãe de Jon Snow e Winterfell. Não podemos nos esquecer de Winterfell. Ver o castelo dos Starks novamente foi quase como trazer a casa de volta à vida. Foram cenas poderosas e Sansa as fez acontecer. Acho que fui precipitado em criticar esse desvio dos livros, pois, nesse núcleo, ele funciona muito bem.

Na Muralha, Jon impõe respeito como Lorde Comandante. O bastardo cresce no papel e, surpreendentemente, Kit Harington para de fazer cara de paisagem e o acompanha. Os diálogos do personagem com Stannis continuam a ser um ponto alto. Esclarecedores e hipnotizantes, mantem a qualidade do roteiro nas alturas.
Eu quis deixar o melhor para o final: Daenerys. A rainha perde de vez o controle sobre Meereen. Com filhos da Harpia atacando em plena a luz do dia, ela perde vários Imaculados em uma luta meio esquisita cujo único propósito era isolar mais ainda mãe dos dragões, matando um de seus melhores conselheiros: Sor Barristan Selmy. Claro, a morte não estava nos planos da produção mas o ator pediu para sair e isso foi até bom para esticar um pouco a storyline da personagem que já está quase, quase alcançando os livros.

Com roteiros bem desenvolvidos e focados no andamento da trama, High Sparrow e Sons of the Harpy foram capítulos importantíssimos na corrida pela chegada do temível “episódio 09”. Fluídos, os episódios souberam expressar todo o sentimento de seus personagens e, dadas as proporções, conectar-se com o passado de série.   

Nota: 8,5

Menção honrosa: Jorah pretende usar o Tyrion como presente para voltar as graças na corte de Daenerys.

Menção honrosa²: As Serpentes de Areia são finalmente introduzidas. Não há muito sobre elas no momento, apenas sede de sangue. 

Menção honrosa³: Conhecemos um lado oculto do Stannis: pai amoroso. 



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