Game Of Thrones - S05E02 - The House Of Black And White

Por Antonio Neto

25 de abril de 2015

                                                                         SPOILERS ABAIXO:
Não é muito fácil acostumar-se com o roteiro de evolução lenta de Game of thrones onde nada (aos desatentos) e tudo (aos sensíveis) acontecem ao mesmo tempo. Seguindo essa linha de pensamento, episódios de transição podem confundir muita gente pela falta de ação e excesso de informação, e The house of black and white é certamente um desses episódios.

Queria começar essa review analisando algo que, em minha opinião, foi uma das coisas mais interessantes desse episódio, por isso irei ignorar um pouco a ordem cronológica dos núcleos. Ao longo de quatro temporadas, vimos a Daenerys perder marido, bebê, dragões, soldados mas ela nunca havia perdido o apoio daqueles a quem ela conquistou: os seus filhos. O (mais um) escorregão da Rainha lidando com um dos seus crescentes problemas em sua ascensão ao trono é um revés que indica o quão cedo ela irá retornar aos 7 reinos. Ao tentar governar uma cidade livre da mesma forma como se governaria um reino ela mostra ser mais uma conquistadora do que uma rainha, e isso é exatamente como o apedrejamento ou a cena do dragão: uma demonstração de falta de controle. Será esse o auxílio que Tyrion deverá dar à mãe dos dragões?

Braavos é finalmente introduzida. Claro, já havíamos visto a cidade quando Stannis pediu um empréstimo ao banco de ferro, mas com Arya pudemos captar um pouco mais das formas e cores do local, que é cercado por um certo ar de mistério e magia - principalmente nos livros. Trazer de volta o personagem Jaqen H'ghar foi uma jogada interessante, pois é mais fácil para o público assimilar novos lugares se apresentado por velhos conhecidos. Nesse episódio, a Arya deixa transparecer certa vulnerabilidade, quase dá para enxergá-la pela garotinha que ela é: sozinha no mundo em lugar que não conhece, sem ninguém para recorrer e contando os nomes das pessoas que a fizeram mal.
Outra coisa que chamou bastante atenção foi a relação Jon/Stannis. E claro esse não foi o primeiro episódio em que vimos os personagens juntos ou dialogando, mas aqui a relação dos dois sofre uma bifurcação. Jon foi, até agora, o homem que rejeitou e desobedeceu ao pretenso rei. E mesmo que Stannis esteja mostrando certa benevolência para com o nortenho, os motivos estão claros: Ele precisa do nome de Jon, ele precisa dos selvagens. Colocar dois dos personagens mais teimosos da saga juntos é uma perspectiva interessante, principalmente agora que o Jon foi eleito Lorde Comandante em uma cena de euforia assustadoramente parecida com a ascensão de Robb a Rei do Norte.

Aqui entraremos em um assunto um tanto delicado: mudança dos livros. Mas não se preocupe, não haverão spoilers da série literária.

Infelizmente, Brienne e Podrick parecem um pouco jogados na trama. Talvez seja porquê não dá para contar sua história como nos livros, mas, às vezes, é quase como se os produtores não soubessem o que fazer com eles. Dessa vez a "cavalheira" e o seu escudeiro serviram para criar uma cena de ação dando certa movimentação a um episódio carente disso.


Sansa aprendendo seu caminho meio as conspirações tendo Mindinho como seu tutor, é algo incrivelmente hipnotizante. As aula/diálogos, a forma como a personagem está se tornando mais fria e observadora, uma pessoa totalmente diferente são simplesmente fascinantes. Mas nesse episódio, o encontro com Brienne foi um tanto forçado. A Arya recusar os serviços de Brienne foi condizente com a construção da personagem – A menina independente. E para a Sansa, o que isso significou? Que está cansada de estranhos? Que teme uma possível aliada dos Lannister? Ou que está totalmente influênciada por Mindinho?
Cersei governa! A rainha mãe aproveita-se da vulnerabilidade e inexperiência de seu filho para deixar as coisas do seu jeito, como Tywin o faria. Entretanto, a Lannister parece uma leoa ferida, agindo apenas para mostrar que tem poder; Sua cena com Kevan, na mesa do conselho, foi poderosa. Ela é uma mãe que tira vantagem do status do filho, mas o super-protege ao mesmo tempo. 

E por falar nos filhos da Cersei, acho interessante essa nova trama de levar o Jaime para Dorne, mais pela química de personagens que pela história em si. Jaime e Bronn são duas criaturas das circunstâncias, dois homens de ação, uma dupla que dá certo junta. Embora eu não acredite no sucesso dessa missão ou na mudança de rumo, em relação aos livros que ela apresenta, me flagrei imaginando, ansioso, o desenrolar dessa trama.

Um novo núcleo é apresentado e Dorne chega caótica assim como os Martels prometem ser, embora um tanto breve mostrando apenas sede de sangue e insubordinação, o que talvez seja mesmo a aura da família de Lançassolar.


Tratando-se de conteúdo, The House Of Black And White oferece mais à digerir que o seu antecessor. Com uma organizada sequência entre os núcleos, não permitindo à mente de seu telespectador muito conforto, sem entretanto sobrecarregar a mesma, introduzindo novas tramas e personagens aos poucos. Com um roteiro, em sua maior parte fluente, esse início do seu 5º ano não deixa a série não perder a sua essência. Entretanto, e considere isso chatice minha se você apenas vê o seriado, trilha um degradante caminho de mudanças dos livros. Seja para atrasar a perigosa aproximação do conteúdo da obra televisiva com a obra literária, criando fillers, ou para realmente estender um afastamento entre as duas. Os produtores precisam ter cuidado para não perderem o seu público mais ávido e fiel: os leitores.

Nota: 08


Menção honrosa: Os dialógos e relacionamento de Tyrion e Varys estão sendo uma das melhores coisas dessa temporada. Entretanto não há muito que comentar, por enquanto, sobre a trama dos dois.


Assista a promo do próximo episódio:
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