Cinema Em Foco: Snatch

Por Beatriz Fabri

2 de abril de 2015

Sinopse: Vários tipos “ruins” de pessoas como inescrupulosos promotores de lutas de box e rinhas, gangster russos, ladrões incompetentes e violentos agentes de aposta, estão atrás de encontrar um diamante roubado. Típico filme de mafiosos, gente do mal que estão atrás de uma joia rara e que farão de tudo para que a tenham em seu poder. O que tem de diferente esse filme? Primeiro a forma de narrativa e a caracterização dos personagens

Sobre a caracterização: o que quero dizer é que os personagens são muito marcantes, chegam ao extremo do perfil de cada um, não há meio termo. O russo é mega mafioso, impiedoso; os ciganos que só se importam com luta, tirar vantagem, bebida e trailers, e assim por diante. Até a cidade e suas características são exploradas no filme, “…sim em Londres, sabe? Peixe com batata, chá, comida ruim, clima pior, Mary F* Poppins, Londres!”. Esse exagero utilizado para definir as características dos personagens, além de seus nomes que também ajudam nessa definição, como por exemplo “Franky 4 dedos”, ou “Boris, The bullet-dodger”(o que desvia de balas), foram sacadas geniais na construção da narrativa do filme.
Falando em narrativa, o filme é narrado pelo londrino Turkish, o meu favorito. Ele é natural e naturalmente sarcástico. Não sei, tem algo de tão leve na forma com que ele faz os comentários que por mais ofensivos que sejam, eu choro de dar risada. Eu não sei, o Statham fez um trabalho tão bem feito que eu juro que ele é assim na vida real, não é possível que ele atue com esta naturalidade. Esse jeito sarcástico também se apresenta no filme na forma com a qual são introduzidos os problemas, como por exemplo a cena da lebre e a relação entre dois núcleos diferentes do filme, o da Lebre com os cachorros e do Tyrone com…os cachorros também. rsrs

Brad Pitt e seu sotaque cigano. Que bom que ele não conseguiu dominar o sotaque londrino, não seria a mesma coisa se fosse outra pessoa no papel do cigano, ele está fantástico. E o melhor são os caras reclamando porque nem eles entendem: “ …(o sotaque) não é irlandês, não é britânico, simplesmente cigano“. Detalhe que eles se referem a cigano usando a palavra “Pikey” e não “Gipsy”, e “Pikey” seria uma forma pejorativa de se referir a um cigano. O diretor quis fazer um sotaque que ninguém entenderia porque escutou várias reclamações com relação ao seu filme anterior (Jogos, trapaças), de pessoas que não entendiam o sotaque dos caras. Mais uma vez ele provocando com seus extremismos.
A introdução dos personagens é feita através de flashfowards, ou seja, cenas que ainda não passaram, apenas para te dar um gostinho do que acontecerá ou de como é aquele cara de acordo com a característica dada pelo Turkish enquanto ele está narrando. Depois, já próximo ao final do filme, há uma cena de uma batida de carros e para você entender o que aconteceu nessa sequência são feitas cenas em flashbacks e flashfowards. Lindo! É feita de forma que você não se perde, muito bem editada. Por último vou comentar sobre a música! Trilha sonora é ótima, tanto quando faz parte do fundo da narração ou do diálogo, quanto nas cenas em que não há nenhuma fala e fazem só uma montagem da cena com a música. Ah, muito bom! Vocês não podem deixar de assistir!

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