Opinião - Canais Abertos X Canais a Cabo

Por Leonardo Galassio

11 de março de 2015



As séries de canal pago são melhores que as de canal aberto. Isso é fato, e exemplos não faltam: Breaking Bad, Mad Men, Bates Motel,The Newsroom, Suits, Homeland, e por aí vai. Mas qual a razão para uma diferença brutal de qualidade entre TV aberta e TV a cabo?

Todo seriador que se preze tem uma listinha das séries que assiste (se você não tem corre e vai fazer uma). Na sua lista, selecione as 10 melhores séries, em critérios de qualidade e não afinidade. Por exemplo, minha série preferida é Dexter, mas reconheço que não está mais entre as 10 melhores que assisto. Após selecionar as 10 melhores da sua watchlist, tenho certeza – quase – que 70% das que você escolheu são de canal a cabo (AMC, HBO, Starz, Showtime, FX, USA...) ou são britânicas, mas aí já é uma outra história.

Isso se deve pelo fato de que a TV fechada dá mais liberdade para os roteiristas desenvolverem suas tramas, seguindo o caminho que seja o melhor para a série, e não para o canal. Teoricamente, esses canais se preocupam mais com a qualidade do show.

O que não quer dizer que a TV aberta não ligue para qualidade. Muito pelo contrário. É claro que se uma emissora como CBS, NBC, FOX ou ABC tiver em sua grade um programa de qualidade e que dê audiência, os executivos do canal agradecem a todos os deuses já inventados pela humanidade (foi o caso da ABC com Lost, de 2004 a 2010).

O problema é quando audiência se torna mais importante do que qualidade. O problema é quando um programa só é renovado por ter audiência, e vai se estendendo até não poder mais, e o resultado é uma Two And a Half Men da vida. Veja bem, nada contra a série, mas ela já perdeu dois dos três principais do elenco original e a CBS manteve o show no ar. Dos “dois homens e meio” ficamos apenas com “homem”.

Mas também não podemos crucificar os canais abertos por isso. O que os mantém no ar é o dinheiro que vem dos anunciantes, que só patrocinam onde tem audiência, claro, e é óbvio que ninguém vai querer pagar para aparecer em um programa que ninguém assiste.

Talvez a culpa seja do público, afinal de contas. Não é segredo para ninguém que o americano tem um mau gosto danado pra TV (enquanto Hannibal não passa de 0.8 na demo, tem série que é fraquíssima e marca no mínimo 5.0 por episódio), ou seja, se eles vissem programas melhores, de maior qualidade, estes não seriam cancelados e substituídos por aqueles que apenas “dão audiência”.

O fato é que, no momento, as emissoras de TV a cabo estão sim com os melhores shows, principalmente em drama, vide as indicações para premiações nos últimos anos. O único drama de TV aberta que é lembrado quase todos os anos é The Good Wife, o que já nos dá uma boa noção dessa diferença ultimamente.

Mas, independente de onde o programa seja exibido, o que realmente importa, ou pelo menos deveria importar, é a qualidade. Simples assim. Se o que todos esperam é o resultado final do produto, e esse resultado é bom, pouco importa onde ele aparece. O Netflix está aí apenas para confirmar essa teoria, com as ótimas House of Cards e Orange is the New Black. A “emissora” é sim o futuro da TV, e a tendência é que a cada ano consiga mais produções originais e de muita qualidade.

Observações:

- Para não parecer uma “perseguição” aos canais abertos, devo dizer que a emissora que mais gosto entre todas é a NBC (culpa de Friends e Chuck), e concordo que haja alguma coisa ou outra bacana na TV aberta: Hannibal, The Good Wife, Elementary, Modern Family, New Girl, etc. Mas estas não se comparam à qualidade daquelas que citei na abertura do texto (Hannibal e The Good Wife sim, essas duas são do mais alto nível de TV).

- Logo abaixo deixo um vídeo com Kevin Spacey, astro de House of Cards, falando um pouco sobre a nova forma que as pessoas estão passando a assistir TV. Spacey aborda uma questão realmente relevante para a indústria e de interesse de todos os apaixonados por séries.



Veja uma parte do discurso de Kevin Spacey:
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