Cinema Em Foco: Fonte Da Vida

Por Beatriz Fabri

5 de março de 2015


Escolhi comentar sobre o filme “Fonte da Vida” do diretor Darren Aronofsky. Aparentemente ele é um diretor “novo” mas que tem mostrado filme após filme um excelentíssimo trabalho. Seus filmes tem sempre uma pitada de loucura e são um pouco sombrios e pesados. Ele dirigiu o filme “Cisne Negro” estrelado pela belíssima Natalie Portman que ganhou o Oscar de melhor atriz por esse filme em 2011. Diferente de “Cisne Negro” e de “Réquiem para um Sonho”, “Fonte da Vida” conta uma história de amor, mas também mostra obsessão nesta história como nas dos outros dois. O filme tem uma loucura embutida, mas basicamente é uma linda história de amor, morte e desapego. A sinopse do filme segundo o IMDB é a seguinte : ” Abrangendo 3 histórias paralelas em um milênio, “A Fonte da Vida” é uma história de amor, morte, espiritualidade, e fragilidade da existência nesse mundo”.

Neste filme há três histórias diferentes, uma se passa com o personagem Tomás, o conquistador no séc XVI na Espanha e ele tem como missão salvar a rainha da inquisição. A rainha dá a ele um anel dizendo que quando ele completasse sua missão, encontrar a árvore da vida, símbolo da vida eterna, ele poderia colocar o anel e eles ficariam juntos para sempre. A segunda história conta a vida de Tom Creo, um médico lutando para descobrir a cura do câncer e salvar sua mulher (Izzy) que tem um tumor na cabeça. Essa história se passa nos tempos atuais e ele perde a aliança de casamento. A terceira história mostra Tommy, dentro de uma bolha flutuando no espaço junto a uma árvore. Nesta história ele tatua no seu dedo o anel de casamento e tem visões sobre a Izzy dos tempos atuais. Eu li em vários sites que falam sobre esse filme que essa história se passa 500 anos no futuro e que ele é um viajante espacial, um astronauta. Eu vi que no trailer mostra que essa terceira história é em 2500 d.C. mas eu não lembro de ter visto menção sobre esse tempo futuro no filme.
Os dois personagens principais das três histórias são interpretados por Hugh Jackman e Rachel Weisz. E há quem diga que eles são exatamente a mesma pessoa nos três diferentes tempos ao mesmo tempo, e não que são três vidas ou três encarnações diferentes, mas que tudo ocorre ao mesmo tempo e que é isso que o anel significa, uma vida cíclica e é dessa forma também que as histórias são contadas, uma história “entra” na outra e assim é a narrativa do filme, NADA linear. Como sempre, Aronofsky utiliza muito bem as músicas e sons (mas ainda acho que o “Réquiem para um Sonho” e “Pi” abusam muito mais desses detalhes sonoros que “Fonte da Vida” e “Cisne Negro”), isso é algo muito marcante em seus filmes. E outra coisa que eu amei era o close que ele da nos rostos do Hugh Jackman e da Rachel Weisz, parece que você sente junto com eles tudo que eles estão sentindo.
A ideia central do filme que eu achei maravilhosa e que na nossa cultura ainda é de muito difícil aceitação, é a ideia de que a morte não é o fim, e sim transformação e renascimento. “Morte como um ato de criação”, é disso que o filme fala. O filme pega a ideia da lenda Maia de criação do mundo, que diz que o mundo dos mortos para os Maias (Xibalba ou Shibalba) que é onde as almas mortas vão para renascer fica localizado em uma nebulosa (que envolve uma estrela que está morrendo) e quando a estrela finalmente morre, ela dá origem a várias outras estrelas : Morte como ato de criação; Novas vidas surgindo da morte; transformação. Lindo ! Achei o filme maravilhoso e sei que tem gente que vai odiar rsrsrs. Tem muito detalhe, para pegar tudo tem que assistir com certeza mais que uma vez e conversar com outras pessoas porque ele é muito subjetivo. Tem mais coisas que eu gostaria de falar mas não posso senão vou estragar o filme para vocês.



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